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Bianca Lima, campeã do World Class Brasil, fala sobre sua carreira e o campeonato

Balcão do Giba

Drinques para fazer em casa

Bianca Lima, campeã do World Class Brasil, fala sobre sua carreira e o campeonato

Confira entrevista com a bartender, que apresentou um drinque inspirado no Curupira e no Johnnie Walker na final do concurso

30 de abril de 2021 | 18h08 por Gilberto Amendola

Olá amigos, tudo bem?

O Balcão de hoje vem com um pouco da conversa que tive com a bartender Bianca Lima, 26 anos, campeã da etapa brasileira do World Class, uma das mais importantes competições de coquetelaria do mundo (organizada pela Diageo). Também participou desse papo o embaixador do World Class no Brasil, o bartender Kennedy Nascimento.

Um dos drinques apresentados por Bianca na competição propunha o encontro entre dois andarilhos especiais, o  Johnnie Walker (da marca de uísque) e uma das criaturas mais interessantes do nosso folclore, o Curupira. “Enquanto um desbravava o mundo para propagar o seu uísque; o outro caminhava com os pés para trás e protegia a floresta”, comentou Bianca.

Por motivos óbvios e pandêmicos, a edição 2020/2021 do World Class foi diferenciada, com provas realizadas à distância. “Foi um formato sem precedentes. O World Class é uma competição bem estabelecida, mas esse ano quis mostrar a habilidade e a criatividade dos competidores dentro do contexto em que estamos vivendo. Tivemos provas em que o bartender apresentava e ensinava seu drinque em redes sociais; também apresentamos drinques facilmente replicáveis e que pudessem ser engarrafados”, comenta Kennedy.

O segundo lugar da competição foi conquistado por Marco ‘Padim’ Ruiz, do Amiiici Lounge, em Sorocaba e a terceira posição ficou com Jairo Gama, bartender do restaurante Vista, em São Paulo.

Bianca representará o Brasil na etapa mundial do World Class Competition, que acontecerá entre os dias 4 e 8 de julho, em formato virtual.

Mas vamos a entrevista com a Bianca e Kennedy.

Bianca Lima, vencedora da etapa brasileira do World Class. FOTO: Felipe Gaieski

 

Como você foi parar no mundo da coquetelaria?

Bianca Lima: A coquetelaria é algo bem diferente da minha formação original. Eu estudei moda, trabalhei na área. Daí, quando fiquei desempregada, fui trabalhar no salão de um restaurante. Do salão, eu via como o pessoal do bar era apaixonado. Eu queria aquilo pra mim. Fiquei insistindo para que me colocassem no bar. Fiquei um ano no restaurante, aprendi o basicão. Depois participei do projeto Learning for Life (programa da própria Diageo para fomento e construção da carreira de bartenders). Depois, trabalhei com o Sylas Rocha, no Caulí. Ele é super importante na minha carreira e me ajudou muito. Na sequência fui para o Mule Mule Muleria e, agora, estou em Porto Alegre, no Wills Bar. São quatro anos de carreira…

Por que sair de São Paulo?

Bianca Lima: São Paulo estava muito difícil pela pandemia. Achei que Porto Alegre era uma possibilidade de expandir um mercado. Chegando em Porto Alegre, percebi que aqui já tem uma cena incrível de coquetelaria. Espero trazer os olhos do mercado para cá.

Como foi a decisão de entrar no World Class?

Bianca Lima: Eu gosto de competir. Isso mexe com a minha criatividade. Desde o tempo em que eu atuava no mundo da moda, eu me sinto bem quando estou em um ambiente de criatividade. Nunca imaginei que eu iria ganhar, mas me joguei.

FOTO: Felipe Gaieski

 

E o que você apresentou na final?

Bianca Lima: Eu trouxe uma temática de conscientização social e referências do folclore brasileiro. Nossa cultura é muito rica. Mas minha sensação é que as histórias ligadas ao nosso folclore estão morrendo, ninguém mais fala nisso. Quando precisei montar um cardápio para essa competição, quis reviver essa história. Então, usei as bebidas da Diageo com produtos como rapadura, sementes, acerola, goiaba e outros.

E você apresentou um drinque que representa bem esse encontro…

Bianca Lima: Pensei na união entre o Johnnie Walker, que desbravou o mundo para propagar o seu uísque, e o Curupira – que caminhava com os pés para trás e protegia a floresta. Os dois são andarilhos… O drinque que celebra o encontro de ambos é o Andarilho da Floresta, com Johnnie Walker Black Label, Elixir da Floresta ( infusão de frutas maduras) e vinho branco moscatel.

Kennedy, o que a Bianca pode agregar para as marcas da Diageo, o que ela pode representar?

Kennedy Nascimento: A Bianca é um furacão. Ela representa muito essa energia, jovialidade e carisma. Além de tudo, é uma profissional que consegue apresentar um trabalho com consistência. Acho que ela também é um incentivo para que outras mulheres participem do World Class no futuro.

Bianca, quem são os bartenders que te inspiram?

Bianca Lima: O Sylas Rocha eu vejo muito como um treinador. Ele me ajudou muito durante todo esse processo. Gosto muito da Lauren Mote (mixologista global da Diageo) e da Jéssica Sanchez (bartender e proprietária do Vizinho Gastrobar, no Rio de Janeiro) – que também tem esse entendimento do negócio da coquetelaria. Também queria falar da Ana Paula Ulrich (Palácio Tangará e uma das finalistas do World Class). A gente foi concorrente, mas se ajudou muito. Nós nos aproximamos muito. Ela tem um trabalho incrível. Neste ano, foram quatro mulheres inscritas no World Class, duas chegaram à final. Com o meu trabalho quero incentivar a participação de mais mulheres.

FOTO: Felipe Gaieski

 

Um drinque?

Bianca Lima: Gostava de tomar Last Word, mas ultimamente está difícil. Ficou muito caro (esse coquetel leva Chartreuse – licor francês que chega muito caro no Brasil). Gosto também de Ramos Gin Fizz – que dá muito trabalho pra fazer, mas acho levinho e gostoso.

E Bares? Quais quer conhecer ou admira?

Bianca Lima: Eu estava pesquisando e descobri o The Alchemist, de Londres. Esse é um dos que quero conhecer. No Brasil, o Frank Bar foi o meu sonho na coquetelaria. Foi o bar que encheu meu coração de esperança.

 

Notícias do mundo da coquetelaria

Shot 1 – Bar do Cofre

Bar do Cofre SubAstor, localizado no subsolo do Farol Santander São Paulo, anunciou sua reabertura após a retomada das atividades presenciais de bares e restaurantes, de acordo com as orientações das autoridades. O bar passará a operar em horário reduzido – das 14h às 19h, de quarta a domingo -, com ocupação máxima de 25% da capacidade total. O sistema de funcionamento será por chegada e, também, por reserva de mesas que podem ser feitas antecipadamente pelo site.

Shot 2 – Documentário

O documentário “The Man Who Walked Around the World”, do premiado diretor Anthony Wonke sobre a marca Johnnie Walker, ganha uma sessão especial na Band no mês que se celebra o Dia Internacional do Whisky (comemorado no dia 15 de maio). A exibição será neste sábadodia 1º de maio, às 22h.

Shot 3 – Garrafa nova

Pra celebrar o legado de 200 anos de tradição em destilação, Beefeater mudou sua garrafa, que agora passa a ser produzida com 100% de vidro reciclado (a tampa e o rótulo de plástico também foram substituídos por modelos de alumínio e papel). O design também foi repaginado e homenageia a cidade de Londres, com o formato dos tijolinhos típicos da região, os “London Stock Bricks”.

 

 

Shot 4 – Premiação tripla

A empresa brasileira Famiglia Griffo foi premiada com três de seus produtos na San Francisco Competition. O negroni artesanal N45 Negroni e o vermute Aureah Rosso levaram a medalha Double Gold. Já Brizê, um destilado botânico feito à base de ervas e frutas frescas ganhou a medalha de bronze na competição. Aliás, o Brizê será lançado na próxima semana. Trata-se de um destilado botânico com baixa caloria, teor alcoólico reduzido, sem glúten e com produtos 100% orgânicos.

Shot 5 – Dia das Mães e o Blue Label

Para celebrar o Dia das Mães, Johnnie Walker lança uma edição especial de Blue Label. Desenvolvida exclusivamente para a ocasião e inspirada nas jornadas da maternidade, a novidade foi pensada e assinada em collab com a artista Verena Smit. O produto já está disponível no  site The Bar para envios para São Paulo por R$ 1.049. Além disso, a marca também traz uma edição especial de Gold Label assinada por Verena por R$ 279. O valor integral das vendas da edição especial de Blue Label será doado para ações sociais junto à instituição Brazil Foundation com foco no combate a pandemia da Covid-19.

Shot 6 – 40 anos de Seleta

Para comemorar seus 40 anos, a cachaça Seleta decidiu lançar uma edição especial: a Seleta Edição Comemorativa 40 Anos. Com rótulos dourados, harmonizando com a cor da cachaça.

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