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Conheça o bartender que vai representar o Brasil no World Class (e o ‘instagrammer’ convidado para cobrir o evento)

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Drinques para fazer em casa

Conheça o bartender que vai representar o Brasil no World Class (e o ‘instagrammer’ convidado para cobrir o evento)

Gabriel Santana participa da final mundial do campeonato de coquetelaria na Escócia e o influenciador digital Michel Bernt, do Mix-O-Logic., vai com ele acompanhar tudo de perto

12 de setembro de 2019 | 20h16 por Gilberto Amendola

A 11ª edição World Class Competition, considerado um dos maiores campeonatos de coquetelaria do mundo, acontece dos dias 21 a 27 de setembro, em Glasgow, na Escócia. O bartender Gabriel Santana, do bar Benzina, será o representante brasileiro entre 55 países participantes.

O Balcão do Giba conversou por e-mail com o Gabriel. Ele falou um pouco sobre a expectativa do concurso, o seu treinamento e a carreira de bartender. Além de Gabriel, o blog bateu um papo rápido com Michel Bernt, do perfil do Instagram Mix-O-Logic. Ele foi um dos influenciadores digitais escolhidos para cobrir o evento direto da Escócia.

 

Gabriel Santana

O bartender Gabriel Santana, do Benzina Bar. FOTO: Lucas Terribili 

Gabriel, como tem sido a preparação para o World Class Mundial? Quantas horas de treino por semana, quantos dias? Qual tem sido o foco do trabalho?
Estou me preparando diariamente para o World Class. Não posso falar que 24 horas porque de vez em quando eu durmo também! Mas eu só faço isso do começo ao final do dia: concentração, treinamento, testes e repetição para chegar lá bem focado e bem confortável para não ficar nervoso e apresentar o meu trabalho da forma mais natural possível.

Existe uma diferença entre coquetel de concurso e aquele coquetel do dia a dia! Por quê?
Existe uma diferença sim. Na verdade acredito que coquetéis de concurso demandam um pouco mais de atenção, além de serem produzidos, em alguns casos, com produtos um pouco mais raros e que não entram no custo do bar.

O que vencer um concurso desse “tamanho” representa na vida de um profissional?
Muda muito! Mesmo você ganhando o nacional já é uma diferença gigante. Eu também ganhei na Suíça (Santana já foi campeão da competição quando vivia na Suíça) e, logo depois, eu vim para o Brasil e senti que o pessoal desse mundo de bar já me conhecia. A própria Diageo (distribuidora que organiza o concurso) me convidou para viajar para Amsterdam e conhecer a Ketel One (marca de vodca). Isso me ajudou a me integrar no Brasil muito mais rápido.

Você lidera uma equipe grande no Benzina. Nesse período de treino e preparação para o World Class, qual o papel, a importância deles nesse período ?
A minha equipe do Benzina é um dos principais responsáveis por esse tempo em que eu tenho para treinar e me desenvolver. Eles estão de noite seguindo o trabalho aqui do bar e batendo no peito, estamos todos segurando a mesma corda. Eu agradeço a eles eternamente porque realmente uma equipe dessas sempre com um sorriso na cara e dispostos faz toda a diferença. Eles me ajudam, chegam antes para experimentar os drinques, me auxiliam no que for necessário durante os meus treinamentos. Eles estão muito presentes em tudo e cooperando cada dia mais.

Se um médico te dissesse que você só pode beber mais um coquetel, qual seria e por quê?
Depende da ocasião e do lugar aonde eu estiver. Pra mim, o coquetel vem realmente para complementar o momento. Se eu tivesse que tomar o meu último agora seria uma cerveja. Se fosse amanhã talvez um dry martini.

Que conselho você daria para um bartender iniciante?
Aprender! Trabalhar! Ser uma esponja (absorver tudo o que ele vê no lugar em que trabalha). Absorver tudo (coisas boas e ruins) e saber utilizar da maneira mais correta e que mais faça sentido com o seu próprio estilo. Eu aconselho muito os bartenders a participarem de campeonatos também. Posso dizer que o World Class mudou a minha vida e agora estou na batalha para buscar mais novas mudanças com esse campeonato mundial.

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Michel Bernt (@mix_o_logic)

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🇧🇷A história do Bar Convent começa há 11 anos quando oito marcas de bebidas e um pouco mais de 500 profissionais de coquetelaria do mundo todo se encontraram em Berlim na Alemanha para trocar experiências e fazer negócios. . O evento agora conquista novos territórios ampliando a sua atuação para outros países: EUA em Nova York – Brooklyn, onde aconteceu a primeira edição em junho de 2018, e agora chegando em São Paulo nos dias 17 e 18 de junho, prometendo ser um dos maiores eventos de coquetelaria da América Latina. . Orgulhoso de fazer parte do time de palestrantes e do Conselho Consultivo do BCB São Paulo. Obrigado @barconventsp, @marcodelaroche, Fernando Nagamine e Nuno Bispo pela confiança. ___________________________ 🇺🇸🇬🇧 The history of Bar Convent begins 11 years ago when eight beverage brands and just over 500 cocktail professionals from around the world met in Berlin in Germany to exchange experiences and do business. . The event now conquers new territories expanding its activities to other countries: USA in New York – Brooklyn, where the first edition took place in June 2018, and now arriving in São Paulo – Brazil, promising to be one of the largest cocktail events in Latin America. . Proud to be part of the BCB São Paulo speakers team and advisory board. Thank you @barconventsp, @marcodelaroche, Fernando Nagamine and Nuno Bispo for the trust. ___________________________ #mixologia #mixologybrasil #mixologiabrasileira #coquetelaria #coquetelariabrasileira #drink #cocktail #mixology #instadrink #drinksporn #mixologist #craftcocktails #craftspirits #BartenderLife #BartenderLifeStyle #barconvent #barconventsp #barconventsãopaulo

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Michel, conta como você foi escolhido para cobertura do World Class? Qual a sua expectativa para a competição ?
O processo inteiro demorou mais ou menos uns 2 meses. Entraram em contato comigo pelo Instagram mesmo, dizendo serem de uma agência de mídia digital que atendia a Diageo Global.
Pediram vários dados analíticos sobre meu perfil e sobre alguns posts e só depois de um tempo veio o convite. Minha expectativa é das melhores possíveis! Estou me sentindo como um participante, representando o Brasil lá fora! rsrs

Como Nasceu o Mix-o-logic?
Há alguns anos eu comecei a trabalhar com mídias sociais, pra alguns clientes de fora do Brasil (mais especificamente com jogadores de futebol). Fiz alguns cursos online e presenciais, mas percebi que precisava vivenciar isso “na pele”. Foi aí que pensei em criar um perfil no Instagram “do zero”, fazendo de tudo pra ter um conteúdo bacana e tentar crescer organicamente. De cara o primeiro tema que pensei foi a coquetelaria, já gostava muito do assunto e senti que era um nicho bacana a ser abordado.

Como nasceu sua paixão pela coquetelaria ?
A primeira imagem que me vem à cabeça é de um livro de coquetéis que achei na casa do meu tio quando tinha uns 15 anos, eu e meu primo começamos a misturar umas bebidas e a servir pra família nas festas. Daí pra frente minha curiosidade só aumentou, fiz alguns cursos e até hoje estudo bastante.

Como você decide o que publica insta? Quanto tempo leva pra fazer uma foto perfeita?
Na verdade meu perfil possui 3 pilares diferentes. O primeiro é uma curadoria que faço de coisas do mundo inteiro, pode ser uma receita bacana, algum coquetel clássico ou mesmo um copo ou guarnição diferentes. Esse pilar é o que chamo de “de fora pra dentro”. O segundo pilar são coisas de dentro do Brasil pra fora, nós temos uma coquetelaria que cresce a cada dia, com bares e bartenders incríveis e meu papel é mostrar um pouco disso pro mundo. Até por isso meus stories geralmente são focados nos bares e experiências que tenho aqui no Brasil. Recebo mensagens do mundo todo elogiando os coquetéis, bares e restaurantes brasileiros, infelizmente alguns ainda nos vêem como “povos primitivos”… E o terceiro e último pilar são minhas criações, que podem ser desde coquetéis autorais até clássicos (conhecidos ou mais desconhecidos). O problema é que como o padrão de fotos do meu feed é um tanto quanto alto, às vezes demoro um dia inteiro pra fazer a foto de um coquetel!!

Qual seu coquetel preferido e por quê? E o que você só bebe se for obrigado?
Hahaha sacanagem fazer essa pergunta… mas acho que eu ficaria com o martinez. Primeiro pela história, é um clássico de meados da década de 1860, muita gente não sabe mas ele é o precursor do dry martini, apesar de ser mais escuro. Até alguns anos atrás era impossível beber um bom martinez aqui no Brasil, já hoje em dia pra mim ele é o “termômetro” onde consigo medir o nível da qualidade do bar e do bartender. O que bebo só se for obrigado? “Sakerinha” de lichia com adoçante!! hahaha”

 

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