Paladar

Coquetelaria de mãos dadas com a ciência no balcão de Ana Paula Ulrich

Balcão do Giba

Drinques para fazer em casa

Coquetelaria de mãos dadas com a ciência no balcão de Ana Paula Ulrich

Finalista do World Class, mixologista dá expediente no bar do Palácio Tangará

23 de abril de 2021 | 15h00 por Gilberto Amendola
Amigos, boa tarde.
Esse final de semana, alguns restaurantes (que também funcionam como bares) já devem abrir suas portas (em horários restritos e seguindo às normas de distanciamento). Cuidado e confiança são pontos importantes neste momento. Portanto, se quiser sair de casa, escolha um restaurante/bar  consciente dos desafios e necessidades sanitárias.
Ainda assim, como a situação pandêmica ainda é grave, o delivery continua sendo uma ótima opção para quem deseja “tomar uma” no final de semana.
Mas, felizmente, essa reabertura já permite algum vislumbre de futuro.
E quando eu penso no futuro da coquetelaria, um nome me vem à cabeça: Ana Paula Ulrich.
Ana Paula Ulrich, finalista do World Class. FOTO: Ricardo D’Angelo
Conversar com a Ana, uma das finalistas do World Class, é uma possibilidade de entender a coquetelaria em sua forma mais ampla e conectada à ciência, à cultura e ao conhecimento de uma forma geral. Nenhuma ponta fica solta. Com ela, coquetelaria é ciência.
Ana é de Curitiba, formada em Design. Ela ainda trabalhava em uma agência de publicidade quando a ficha caiu. “Não era o que eu queria estar fazendo, não estava feliz com a minha rotina, estava terminando um relacionamento e queria mudar”, contou.
Para esse mudança, Ana começou a se aprofundar no universo cervejeiro local, aprendeu sobre chás e infusões, fez curso de barista e entrou na faculdade de… Engenharia Florestal!
“Mas como os boletos sempre chegam, fui trabalhar como garçonete”, contou. Ana trabalhou em balada, foi barback  e exerceu outras funções. Como bartender, atuou em uma das casas mais importantes de Curitiba, a +55.
Já convencida de que o seu futuro era a coquetelaria, mudou-se para São Paulo em 2017. Primeiro, trabalhou no balcão do restaurante japonês Tessen. Logo depois, em 2018, foi uma das finalistas da competição Patrón Perfectionist (que na ocasião foi vencida pelo Rodolfo Bob) e foi contratada como mixologista do Palácio Tangará (hotel de luxo e centro de eventos situado no parque Burle Marx). Em 2019, Ana voltou a participar da Patrón Perfectionist – e venceu.

FOTO: Ricardo D’Angelo
Curioso notar como as carreiras de designer e os estudos em Engenharia Florestal estão presentes naquilo que Ana entrega em seu trabalho na coquetelaria.
“O design influencia muito no desenvolvimento, no conceito e no meu processo. Uso o que aprendi no design quando vou bolar uma carta, penso muito em termos de semiótica (estudo da construção dos significados na comunicação) e em toda a simbologia daquilo que estou apresentando. Quando vou criar um coquetel, traço um mapa mental. Eu desenho o coquetel. Isso me abre portas. Cria uma metodologia, chego em uma estética, me faz procurar soluções. Acho que o bartender não é um artista, mas alguém que busca soluções”, falou Ana.
“A Engenharia Florestal é muito importante. Estudei biologia, estudei as sementes e me fez entender melhor os insumos (aqueles que podemos usar e outros que são questionáveis)”, completou.
Agora, Ana Paula Ulrich é uma das 10 finalistas do World Class, uma das principais competições de coquetelaria do mundo. Para a final, ela apresentou dois coquetéis (além de um plano de negócio, carta de drinques e etc…). O drinque que levou Ana até a final foi o Disruption – que combina uísque (Singleton), vinho branco de colheita tardia Sauternes, cordial de maça com baunilha e um toque de noz moscada.
Um dos drinques apresentados na final (e que deixou esse Balcão com muita sede) foi o Solasta. Ele leva gim (Tanqueray Ten), blend solar (vermute seco, jerez fino e camomila), bitter bianco e licor de Damasco. Além disso, ele tem oito gotas de azeite de oliva.
Aqui, a lista completa dos finalistas do World Class
Ana Paula de Assis Ulrich (Hotel Palácio Tangará – SP)
Benício Calaca Barbosa (Zimbro Bar – GO)
Bianca Lima Ferreira (Mule Mule Muleria – SP/Wills Bar – RS)
Cristiano Rodrigues Faria (Restaurante Origem 75 – SP)
Gustavo Lima Guedes (Southside Brasília – BSB)
Jairo Gama (Vista Restaurante/Bar Obelisco – SP)
Marco Antonio Ruiz Júnior (Amiiici Lounge – SP)
Ricardo Alexandre Leal de Souza (Cinza Company – SP)
Ricardo Antonio Fuenzalida Peña (Cocktail Channel – SP)
Ricardo Barrero (Consultor Amazo – SP)
Os resultados serão divulgados na próxima segunda-feira.
Mais do trabalho da Ana pode ser acompanhado no Instagram (@anapulrich).
Ou no Palácio Tangará: R. Dep. Laércio Corte, 1501, Panamby, São Paulo

Encomendas no Santana

Entre os ótimos bares que abriram suas portas neste período pandêmico está o Santana. Casa que tem as criações de Gabriel Santana como seu principal atrativo. Agora, o Santana está aceitando encomendas de três dos seus principais coquetéis autorais.
Os kits podem ser adquiridos em duas modalidades:

Opção A
– 03 garrafinhas com 100ml cada
– Três opções de drinque à sua escolha
– Valor R$ 120

Opção B
– 01 garrafa com 370ml
– Uma opção de drinque à sua escolha
– Valor R$ 120

Quem quiser algo diferente ou um clássico também pode pedir (os kits incluem gelo). Os pedidos podem ser feitos por WhatsApp (99631-1026) ou por direct (@_santanabar).

*Moringa: vodca, licor de Goiaba, cordial das cascas, bitter de goiabeira
*Limmesy: milk punch, gim, ameixa fresca e limão tahiti
*Cabroni: tequila, vermute rosso, Aperol e um toque de café

 

Negroni Solera

O bartender Paulo Ravelli, proprietário do 50/25 Cocktail & Co, criou o Negroni Solera, um coquetel que utiliza em sua composição a Santo Grau Solera Pedro Ximenes (PX), uma cachaça envelhecida nos mesmos barris utilizados para o envelhecimento de Jerez. O coquetel pode ser comprado lá no insta do @50vintecinco, mas quem quiser pode tentar fazer em casa:

Ingredientes
35ml Santo Grau Solera P.X.
30ml Vermute Branco
15ml Amaro
5ml Bitter Italiano( Campari )
Guarnição: casca de Laranja Bahia

Preparo
Em um copo baixo com gelo, adicione todas as bebidas e mexa por 20 a 25 segundos.
Finalize com óleos da casca de uma laranja bahia e coloque a mesma dentro do copo.

 

Jardim Botânico

O gim Jardim Botânico acaba de lançar seu e-commerce. O Jardim Botânico é fabricado em baixa escala, de forma artesanal, em destilaria que fica em um casarão no centro de São Paulo. A garrafa lembra um frasco de perfume dos anos 20 e é feita à mão com material reciclado.

 

Tags:

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Ficou com água na boca?