Paladar

O que marcou o mundo da coquetelaria em 2019

Balcão do Giba

Drinques para fazer em casa

O que marcou o mundo da coquetelaria em 2019

Do drinque do momento ao bartender revelação; confira os destaques do ano no universo da mixologia

26 de dezembro de 2019 | 16h25 por Gilberto Amendola

O ano que está acabando foi marcante para o mundo da coquetelaria brasileira. Em 2019, bartenders elevaram a arte líquida para outro patamar. Aqui, um apanhado do que de melhor aconteceu e a expectativa para 2020.

Saúde, um ótimo ano novo e nos vemos na a partir da segunda semana de janeiro!

A Figura: Márcio Silva
O bartender Márcio Silva, do Guilhotina Bar, teve um ano inesquecível. Ele colocou o Guilhotina na 15ª posição no ranking The World’s Best Bars, lista que desde 2009 serve de referência para o mundo da coquetelaria. Silva também foi eleito pela revista Drinks International uma das 100 figuras mais influentes do mundo dos bares. Ele ficou na 36ª posição. Além de tudo isso, Silva passou 2019 viajando o mundo, participando como bartender convidado em diversos bares e divulgando a coquetelaria nacional.

Márcio Silva, o bartender à frente do balcão do Guilhotina. Foto: Tiago Queiroz/Estadão. 

 

Menção Honrosa: Néli Pereira
Néli Pereira, do Espaço Zebra, também teve um 2019 brilhante. Suas infusões brasileiras já conquistaram o espaço merecido – e em 2020 o céu será o limite.

Revelação: Lula Mascella
Tem muita gente nova e boa entrando no mercado. Mas acredito que 2019 foi do Lula Mascella, do Picco Bar. Lula tem um trabalho muito consistente e que merece atenção.

Carta: Tan Tan Noodle Bar
A melhor carta da cidade é do Tan Tan Noodle Bar. O trabalho do Douglas Peres impecável já há muito tempo. Merece destaque e muitas visitas.

Preço/Qualidade
Alguns bares conseguiram alinhar e equilibrar qualidade e preço bons. Nessa categoria destaco: Sylvester, Pineapple Bar, Benzina e MundiBar.

O drinque: Highball
Sim, a campeoníssima gim tônica também é um highball. Mas ao entrar no vocabulário etílico nacional, o conceito do highball está abrindo novas possibilidades – principalmente para o uso de uísque em coquetéis mais leves e gaseificados. As marcas também estão investindo pesado na popularização do estilo. Difícil encontrar um bar que não tenha pelo menos uma opção de highball.

Menção Honrosa: Macunaíma
Desde 2017 fala-se no potencial do Macunaíma em se transformar em um clássico nacional da coquetelaria. Em 2019, esse potencial transformou-se em realidade. O drinque criado por Arnaldo Hirai, sócio bartender do Boca de Ouro (R. Cônego Eugênio Leite, 1121, Pinheiros), ganhou asas e hoje pode ser encontrado em diversos bares de coquetelaria. A receita pode até sobre algumas alterações, mas a base é sempre a mesma. O Macunaíma leva: 45 ml de cachaça branca; 25 ml de xarope de açúcar; 20 ml de suco de limão e 7 ml de Fernet Branca.

O Macunaíma já se transformou em um marco para a coquetelaria nacional

Os novos autorais:
Além do estabelecimento do macunaíma como clássico, outros coquetéis autorais brilharam esse ano:
Carrasco – Coquetel do Guilhotina de rum, Bacardi 8, rum Bacardi Oro com especiarias, xarope de especiarias, bitter Angostura e limão. Arpeggio de Gui Ferrari (Vencedor do Chivas Master) com Chivas 12 anos, licor de framboesa, licor de ervas, conhaque, Angostura e flor de sal e o Amor y Carinho do do Picco: Jameson uísque, manjericão, Amaro, Cynar 70, bitter Angostura.

O que importa: Gelo
Virou nota de corte para qualquer bar a forma como ele trata e trabalha com o seu gelo. Bares que usam o chamado “gelo de posto” perderam o bonde da história ou estão “aguando” o drinque que estão servindo. Preste atenção no gelo.

Veio pra ficar: Tônicas premium
Assim como o gelo importa, a tônica importa muito. Esse ano representou a consolidação de boas marcas de tônica no mercado. Ainda existe uma questão de preço, mas o consumidor já está percebendo a importância de um bom mixer em seu coquetel.

Aposta: Volta ao básico
Tem coquetel que parece uma salada. Sem problemas. Mas acredito que a tendência para 2020 será drinques mais minimalistas, com menos ingredientes. Além disso, aposto nos clássicos. O consumidor está aprendendo a beber. A educação etílica vai ser completa com a experiência dos clássicos bem executados. Old fashioneds, martinis e manhattans estarão em alta.

Futuro: Preço
A economia brasileira não está nadando de braçada. Os bares mais badalados podem precisar rever sua política de preços em 2020. Um coquetel por R$ 40 ou mais não terá vida longa nos balcões. Tendência é unir qualidade com preços acessíveis.

Eventos de 2019 (e que devem marcar 2020 também)
BCB, o Bar Convent foi um marco para a coquetelaria brasileira. Muita coisa importante para o mercado de bares e de bartenders rolou durante seus dois dias de duração. A expectativa é que em 2020 a feira seja ainda maior.

Além disso, 2019 consolidou os guests (quando um bartender visita um bar que não é seu). A troca de experiência tem sido positiva para os profissionais e os clientes.

Esse também foi o ano em que brilhou o Guest das Minas (noites em que só bartenders mulheres estão no comando do balcão) e o Marginália R.A.É (Rasgueirage Avec Élégance) – um projeto para valorização de botecos e bebidas marginalizadas criado pelo bartender Diogo Sevilio.

Por fim, 2019 vai ser lembrado como o ano em que os podcasts estabeleceram sua relevância no mundo da comunicação. E a coquetelaria brasileira ganhou seu primeiro podcast, o BarTalks – criado pelo mixologista Marco de La Roche.

Tags:

Ficou com água na boca?