Paladar

Qual é o coquetel com a cara, o sabor e a alma de São Paulo?

Balcão do Giba

Drinques para fazer em casa

Qual é o coquetel com a cara, o sabor e a alma de São Paulo?

Para celebrar o aniversário da capital, o blog perguntou para diferentes bartenders qual drinque representa melhor a cidade

24 de janeiro de 2020 | 18h50 por Gilberto Amendola

O blog perguntou para vários bartenders da cidade: qual coquetel tem a cara de São Paulo?

Nas respostas, receitas autorais, criações baseadas na história de SP e os bons e velhos clássicos.

Venha passear pela coquetelaria dessa cidade de 466 anos.

Morar aqui não é um porre, mas, às vezes, só bebendo…

 

Frajola Souza do Sylvester Bar

Expresso 1867
“O ano de 1867 foi marcado pela inauguração da Estação da Luz. Crie esse coquetel pensando na contribuição de imigrantes nordestinos (cachaça, xarope de rapadura), italianos (amaro) e japoneses (saquê) para o crescimento da economia de São Paulo – principalmente por meio do cultivo, produção e distribuição do cafe.”

Receita:
35 ml cachaça (Wiba Carvalho)
15 ml saquê
15 ml amaro
5 ml xarope de rapadura com café
Finaliza com aroma de café
Coquetel mexido e servido em copo baixo com gelo.

View this post on Instagram

#sylvesterbar#cocktails#bar#saopaulo#pinheiros

A post shared by Frajola Souza (@frajolasouza) on

 

Gui Ferrari do Seen São Paulo

Espresso al Amaro
“É a cara de São Paulo! Juntar tradições, misturar nomes e lançar modas com isso. Harmonização de culturas! E de harmonizar somos bons mesmo, principalmente com café. Café com doce, com pão, bolacha, coxinha; gelado, quente, cremoso, pingado…  Adoramos café e sentimos falta dele la fora.  Pra comemorar os 466 anos da cidade vou dar a dica do Espresso al Amaro, assim bem italianão, porque afinal de contas, Sampa foi e é feita de muitos imigrantes. E tradição italiana por aqui não falta! Então na próxima vez que estiver num balcão desses bons da cidade, pede para o consagrado (o bartender) fazer assim:”

Receita:
1 dose de Cynar (ou amaro de sua preferência)
1 café expresso
1 lance de vodca
> Tudo batido e depois coado numa taça para coquetel.

Diogo Sevilio do Cozinha 212; Cateto e Projeto Marginália

Rabo de galo/Garoa/Bacurau
“Pensando em São Paulo e sua vocação multicultural é inevitável pensar nos imigrantes e nos seus costumes que são absorvidos pela cidade, logo, o Rabo de Galo representa bem as contribuições italianas ao nosso cotidiano. Seja feito com Cinzano ou com Cynar, ele sempre leva cachaça. Isso escancara essa miscigenação. Além disso, tenho duas sugestões que podem agradar outros paladares com maior equilíbrio e drinkability. O Garoa que é um sour de Dreher com Fogo Paulista e o Bacurau que leva cachaça, goiabada cremosa e suco de limão… ambos podem ser encontrados na festa Marginália.

Confira aqui como preparar o Rabo de Galo 

Bacurau
40 ml cachaça branca ou amburana (no MARGINÁLIA usamos Cachaça Arbórea Amburana)
30 ml goiabada cremosa
30 ml de suco de limão
> Batido com gelo e servido  em copo baixo com gelo e um gomo de limão
– A goiabada cremosa é feita derretendo a goiabada cascão com água quente em proporções de 1 pra 1.

Garoa
40 ml Dreher
30 ml Fogo Paulista
10 ml Cynar (opcional)
30 ml de suco de limão
Batido e servido em copo baixo com gelo e fatia de laranja.

 

Rodolfo Bob – Consultor e mixologista/ Caledonia

Peated Blood Mary 
“São Paulo é uma cidade plural, intensa e complexa. Com espaço para o clássico e o novo. A riqueza de São Paulo está na contribuição de diferentes culturas que agregam cores e sabores.  Por isso escolhi o Peated Blood Mary – uma variação de coquetel altamente gastronômico e popular como São Paulo, com um toque, intenso, sofisticado e esfumaçado”.

Receita:
50 ml Ardberg ou outro single malt defumado
100 ml de suco de tomate
15 ml de limão-siciliano
15 ml de Lea Perrins
1 pitada de sal de aipo
1 pitada de pimenta preta moída
1 pitada de páprica defumada
> Preparar em coqueteleira – levemente batido com pedras grandes de gelo.
Para guarnição: Fatia de limão-siciliano, fatia de pepino e ramo de manjericão.
Pimenta-do-reino moída na hora e sal marinho.

 

Thiago Toalha do Petit Le Jazz

Expresso Martini
“Café desperta, anima e te da o ‘start’ para um dia longo e corrido. E São Paulo tem tudo a ver com isso, correria, dia longo e sono curto. E depois de um longo dia de trabalho, muita correria e cansaço, você pode sim sentar- se em qualquer balcão de SP e pedir um expresso martini, ou se preferir, fazê-lo acontecer em sua casa.

Receita:
30 ml vodca
30 ml de um bom licor de café
30 ml de um café express
Raspas de chocolate amargo
> Drinque batido e coado para uma taça coupé.

 

Lula Mascella d’O Picco

Bitter Giuseppe
“Meu coquetel que tem a cara de São Paulo é o Bitter Giuseppe. Ele é feito com bebidas e ingredientes muito próximos para qualquer bom bebedor paulista, é amargo, ácido e gostoso como SP é pra mim”.

Receita:
60 ml de Cynar 70
30 ml de vermute tinto
10 ml de suco de limão-siciliano
3 dash de bitter de laranja
Zest de limão-siciliano

Gabriel Santana do Benzina

Penicillin
“São Paulo é a combinação e o balanço perfeito entre vários extremos ! Do doce calmo (mel ) ao caos e a malandragem, (representados pelo gengibre), muita personalidade (representada pelo uísque) e o leve toque defumado me remete a indústria e tudo o que a cidade já ofereceu ao mundo.”

 

Leone Silva do Sylvester

Caipirinha
“A caipirinha é a cara do paulistano. Qual paulistano nunca tomou uma caipirinha na vida? Muitos não comem uma feijoada aos sábados sem uma caipirinha pra acompanhar. O churrasco na casa dos amigos ou da família sempre tem que ter esse drinque tão tradicional e popular. Não importa a comemoração, a caipirinha é sempre uma das mais pedidas.”

 

Rodrigo Roso do Boca de Ouro

Maria Mole
“A Maria Mole (MM para os íntimos) é quem introduz o mundo dos drinques aos adolescentes afoitos que fazem seus esquentas na Rua Augusta. Forte, quente e rápido, ela costuma ser feita sem dosador em qualquer bar da cidade, o que confere a este drinque sua característica mais paulistana: a diversidade. Você nunca vai tomar a mesma Maria Mole duas vezes. Na versão gourmet ele pode ser feito com 50 ml de Hennessy e 35 ml de Noilly Prat.”

 

Ricardo Takahashi (Japores) do Subastor e Raul Dias do Tulum Bar

Macunaíma
“Virou um clássico entre os bartenders. Quando vamos ao Boca de Ouro (bar em que o coquetel foi criado) sempre precisamos tomar pelo menos um Macunaíma” (Japores).

“Drinque inventado por paulistano na parte mais boêmia de São Paulo. Acho que tem a cara de São Paulo por ser simples e ao mesmo tempo você pode sentir vários sabores” (Raul Dias).
+ Aprenda a preparar o macunaíma em casa aqui!

 

Paola Menezes do Eugênia Café Bar e Alex Sepulchro do Subastor

Negroni
“Nada como um negroni perfeito  para aliviar um dia difícil nessa cidade maluca que é São Paulo.Digamos que as três partes do coquetel correspondem ao que será um longo dia de trabalho. Um toque amargo, como o trânsito, a pressa, a indiferença das pessoas; seco como todas as decisões que devem ser tomadas e o doce como a perfeita hora de descanso” (Paola Menezes).

“Na minha opinião, o bom e velho negroni por contar com o contraste de sabores doce e amargo no mesmo coquetel –  e por ser consumido tanto no calor quanto no frio (que é o que acontece em São Paulo quando passamos  por todas as estações do ano as vezes no mesmo dia)” (Alex Sepulchro).
+ Aprenda a preparar um negroni em casa aqui 

 

Fatinha Afonso do Lupe Bar e Renata Adoración do Fitó

Gim Tônica
“Uma cidade como São Paulo, onde todo mundo vive numa correria, o coquetel que vemos em cada esquina é o G&T (feito com praticidade e rapidez). Um drinque que tem a cara de SP e está na boca do povo” (Fatinha Afonso).

“São Paulo abriga consumidores curiosos e interativos em relação a tudo. A gim tônica tônica foi (e ainda é) uma porta de entrada para a coquetelaria – por ser simples, fácil de reproduzir e possível de imprimir sua  personalidade com as inúmeras combinações possíveis” (Renata Adoración).

 

Luciano Ricarte Silva do MundiBar

Rabo de Galo
Eu sinceramente não consigo pensar em outro coquetel a não ser o Rabo de Galo. Presente na maioria dos botecos pelo Brasil, ele  mostra bem a cidade de São Paulo com a influência da imigração em peso.”

 

Cezinha do Ferra Jockey

Caju Amigo
“Apesar de não replicar esse coquetel, eu tenho sempre na minha memória o  Caju Amigo como símbolo de SP do saudoso restaurante Pandoro.”

 

Luiz Mascella do Regô

Cynar Tônica
“Pra mim o drinque que tem tudo a ver com SP é o Cynar Tônica. Drinque que pode ser servido no boteco, na balada e no bar. Barato, refrescante e que esta incrustado na cultura paulistana. Adoro!”

 

Alice Guedes do Guarita Bar

Dry Martini
“Coquetel que pra mim é a cara de SP é o Dry Martini. Complexo, forte e seco, mas depois que você entende é incrível. E quase viciante. Muito amor pela cidade que me acolheu!”

 

Bryan Rocha do Jazz Factory Bar

Old fashioned
Old fashioned é um coquetel que nunca sai de moda. Não é  à toa que esse é o coquetel mais pedido no mundo.”

 

SEXTOU!

A partir desta sexta-feira (24) o Balcão do Giba também está no Sextou! (no caderno do Estadão). No papel, o Balcão não vai tratar só de coquetelaria, mas do mundo dos bares em geral. Aqui, na internet, continuamos totalmente focado nos drinques. Leia a primeira coluna clicando aqui.

 

Notícias do mundo da coquetelaria 

Shot 1. O Guarita já está de carta nova. E já experimentei! E semana que vem tem matéria contando todos os detalhes da nova carta. Acompanhe.

Shot 2. Depois do recesso de final de ano, o Frank Bar reabrirá suas portas na segunda-feira, 27 de janeiro de 2020, sob o comando de Spencer Amereno. O bar reabrirá com um novo visual. A renovação traz mais marcenaria para o ambiente, resgatando os detalhes e as cores da madeira, bem como o brilho através da luz. O Frank fica no Hotel Maksoud – R. São Carlos do Pinhal, 424, Bela Vista

Shot 3. O Boca de Ouro está de férias. O bar volta depois do carnaval, no fim de fevereiro.

Shot 4. No dia 28 de janeiro, o Seen Restaurant & Bar em conjunto com a Plymouth, recebem o mixologista Giacomo Giannotti, proprietário do Paradiso, bar localizado em Barcelona, que ocupa o 20º lugar da The World’s 50 Best Bars, para um guest bartender junto com Heitor Marin, head bartender do Seen. O evento começa às 20h. Seen: Al. Santos 1437, Jardim Paulista.

Shot 5. O gim brasileiro Jungle Gin acaba de ser premiado no World Gin Awards 2020, concurso mundial que elege os melhores produtos da categoria em diversos estilos.

Shot 6. O bistrô francês Rendez-Vous foi escolhido para ser a casa do Lillet no Brasil. O local passará por uma  reforma e se tornará a primeira embaixada do aperitivo. O público poderá experimentar coquetéis como o  Lillet Glaçons (R$ 28), que leva Lillet Blanc e uma rodela de laranja; o Lillet Vive (R$ 28) Lillet Blanc, Tonica Riverside Original, pepino, morango e hortelã e outros. O Rendez-Vous Bistrô fica na Rua Fradique Coutinho, 179, Pinheiros.

 

Shot 7. Para celebrar o aniversário de São Paulo, o Cava Bar escolheu um coquetel tradicional que faz parte da vida do paulistano: o Rabo de Galo. Especialmente no sábado (25), a casa promove uma noite de Double Rabo de Galo até as 21h, ou seja, para cada rabo de galo consumido, o cliente ganha outro. Esse coquetel no Cava Bar é elaborado com cachaça Claudionor, vermute Carpano Clássico e bitter Cynar com preço de R$26. O Cava fica no subsolo, na Rua Guarará, 565, Jardim Paulista.

Shot 8. Na próxima segunda-feira (27), o Praia Bar Pinheiros convida o bartender Raul Dias para um guest especial. A noite por lá começa às 21h. O Praia Bar fica na Av. Brg. Faria Lima, 272, Pinheiros.

Shot 9. Essa semana foi lançada a nova carta de coquetéis do Botanique Hotel & Spa –  que utiliza botânicos da região (Campos de Jordão). A carta de verão foi desenvolvida pela Shakers Bar.

Tags:

Ficou com água na boca?