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Confusão sexual para salvar uvas

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Confusão sexual para salvar uvas

Vinícola portuguesa usa difusor de hormônio contra praga

20 de setembro de 2016 | 18h37 por Isabelle Moreira Lima

Usar de artimanhas sexuais como armadilha parece algo tirado de folhetim. Mas há casos em que se trata de uma técnica de agricultura. A duriense Quinta de S. Luiz, do grupo Sogevinus, adotou a chamada confusão sexual para proteger suas vinhas contra a traça da uva (Lobesia botrana), que machuca a fruta e permite a entrada de fungos.

Difusor usado nos vinhedos da Quinta de S. Luiz, no Douro, em Portugal.

Difusor usado nos vinhedos da Quinta de S. Luiz, no Douro, em Portugal. FOTO: Isabelle Moreira Lima/Estadão

 

O método consiste em espalhar nos vinhedos difusores que emitem uma onda de feromônios e assim “ocultar” o hormônio real que as traças fêmeas usam para atrair os machos. Eles ficam confusos com o odor e não conseguem encontrar seus pares.

“Além de ser ecológico, o método é muito mais eficiente do que os inseticidas, com menos de 10% de perdas. Sem falar que não atingimos outros organismos”, afirma Márcio Nóbrega, engenheiro agrícola responsável pela viticultura da quinta.

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Márcio Nóbrega, responsável pelos vinhedos da Quinta de S. Luiz. FOTO: Isabelle Moreira Lima/Estadão

O difusor, que é importado do Japão, tem duração de um ano, mas é mais caro que os inseticidas, afirma o diretor. Ainda assim, o sucesso alcançado faz com que a vinícola, que produz uvas para diferentes marcas do grupo (Kopke, Burmester, Barros e Cálem) renove seu sistema a cada ano desde 2008, quando foi implantado.

A Quinta de S. Luiz fica situada na margem esquerda do rio Douro, na freguesia de Tabuaço. A Quinta tem hoje 90 hectares cultivados, onde são plantadas majoritariamente Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Cão. Há ainda pequenas plantações de Tinta Barroca e Souzão.

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