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É preciso ter “mestrado em vinho” para gostar de Barolo, diz produtor

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É preciso ter “mestrado em vinho” para gostar de Barolo, diz produtor

Mario Cordero, da histórica vinícola Vietti, do Piemonte, fala sobre o gosto dos brasileiros e diz que novos rótulos devem ser lançados em cinco anos

06 setembro 2016 | 15:21 por Isabelle Moreira Lima

No Brasil, o rótulo de mais sucesso da italiana Vietti, famosa por seus Barolos, é um outro vinho feito com a cepa Nebbiolo, o Perbacco. Custa R$ 163,90, enquanto o Barolo Castiglione, o de “entrada”, feito em grande volume (50 mil garrafas por ano), tem preço sugerido de R$ 436,70. O ultrapremium Barolo Rocche (4 mil garrafas) chega por R$ 1.478,40 (todos importados pela Inovini). Mas mais que o preço, o diretor da vinícola Mario Cordero acredita que é o gosto que exerce poder de atração nos brasileiros. Ele diz que para entender bem e aproveitar tudo o que um Barolo tem a oferecer é preciso “ter mestrado” em beber vinho.

vinhos vietti

“Como é um nome famoso, o Barolo gera altas expectativas. Quando você vai provar, não entende. Não é um vinho fácil, tem muitas nuances e pode parecer desinteressante e duro para quem não tem tanta litragem”, afirma.

Mas não ache que a afirmação foi dita em tom de ofensa. Para Cordero, os brasileiros já aprimoraram seu paladar. Até bem pouco, o vinho de maior sucesso da Vietti no Brasil, que traz seus rótulos ao País desde os anos 1970, era o Dolcetto D’alba Tre Vigne (R$ 135,30) ainda mais leve. “Veja que o gosto do brasileiro está mudando, está evoluindo. Estão buscando mais elegância”, diz.

Para Cordero, o Perbacco Nebbiolo, cuja nova safra chega ao País no fim de outubro, é uma “preparação” para se entender o Barolo. Feito a partir de uvas de vinhas de dez anos, mais jovens que as do Barolo, ele estagia por 20 meses em madeira é uma boa porta de entrada para os encantos da casta piemontesa.

Cordero falou com o Paladar na visita anual que faz ao País, um mercado de importância mais sentimental que financeiro para a vinícola. Respondeu à contragosto a primeira pergunta que lhe foi feita, sobre o que vai mudar na vinícola. Aos 143 anos de idade, ela foi comprada nesta ano por um investidor americano apaixonado pelos vinhos do Piemonte, Kyle Krause.

vietti

Segundo ele, o acordo prevê que nada mude no jeito que os vinhos são feitos, no jeito que a vinícola é administrada. O que muda é a quantidade de terras. A família compradora tem 12 hectares no Piemonte, algo que vale ouro numa terra supervalorizada pela fama de seus Barolos, que passam a ser usados pela Vietti. “Sem uma transação como essas não poderíamos jamais adquirir mais vinhedos”, afirma Cordero. Para o consumidor isso significa novos rótulos em quatro ou cinco anos. Testes já nesta próxima safra dirão se serão vinhos de entrada ou premium. “Ainda não vinificamos nada, mas nossa expectativa é alta. São vinhedos de alto potencial”, diz Cordero.

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