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Já pensou em beber vinho para se conhecer melhor?

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Já pensou em beber vinho para se conhecer melhor?

Filósofo italiano participa de semana de eventos ligados à estética do gosto em São Paulo.

01 novembro 2016 | 11:48 por Isabelle Moreira Lima

Na próxima semana, o filósofo italiano Nicola Perullo vai ministrar um de seus simpósios-degustação em São Paulo. Batizado de Epistenologia, o evento bem pouco convencional reúne cerca de 25 pessoas em uma espécie de vivência em que vinhos naturais (os chamados vinhos vivos) são degustados, mas, em vez de serem analisados como em uma prova formal, são um meio para se abordar temas como a filosofia e até o auto-conhecimento. O encontro acontece na segunda-feira (7), na Enoteca Saint Vinsaint.

O filósofo italiano Nicola Perullo, professor de estética do gosto na Itália. (FOTO: Divulgação.)

O filósofo italiano Nicola Perullo, professor de estética do gosto na Itália. FOTO: Divulgação.

 

Perullo é professor de Estética do Gosto da Universidade de Ciências Gastronômicas de Pollenzo e autor do livro O Gosto como Experiência. Especialista em vinhos naturais e participa de uma semana de eventos em São Paulo, organizada pela sommelière de chás Nathalia Leter. A programação completa você encontra aqui.

Leia abaixo a entrevista com o filósofo:

Quando e como surgiu o conceito de Epistenologia?
Tem sido uma longa jornada de paixão, pesquisa e experiência. Eu comecei a beber vinho com atenção e cuidado há 25 anos. Há seis anos, dei uma guinada para algo menos racional, em vez de comprar e reconhecer, tentar criar e fazer. Então nasceu o conceito de epistenologia, que significa duas coisas: primeiro, não uma filosofia DO vinho, mas COM o vinho. Depois, a impossibilidade de separar epistemologia da ontologia.

E por que fazer isso com vinhos naturais? Reagimos diferente?
Eu digo apenas isso: para entender, você tem que provar. É parte da abordagem epistenológica: tente encontrar vinhos, não objetivá-los. Então, eu acredito que não podemos generalizar sobre as diferentes reações. Eu prefiro dizer que cada um encontra o vinho que tem que conhecer, como uma espécie de interlaçamento no meio da experiência. As pessoas se comovem com coisas diferentes no processo de suas vidas. Então, tudo o que eu posso dizer agora, é que eu me identifico mais com os naturais do que com os convencionais. E eu proponho que as pessoas encontrem vinhos não como objetivos, mas como coisas vivas. Eu apenas mostro isso e se outras pessoas gostam da ideia, fico feliz, mas não posso convencer ninguém sobre grandes teorias sobre o vinho.

O que você planeja mostrar no simpósio do dia 7/11, em São Paulo?
Depende das circunstâncias, do ambiente, das condições, da atmosfera. A epistenologia não é um método, é mais uma performance ou uma experiência única e diferente cada vez. É imprevisível. O que eu peço das pessoas é que abram seus canais de percepção, deixem os preconceitos de lado e que percebam o vinho como se fosse a primeira vez que o bebem na vida. E assim nós podemos usar diferentes ferramentas e técnicas para descrever, comunicar e compartilhar.

Você acha que as pessoas têm uma relação com o vinho semelhante em seu cotidiano?
Este é exatamente o objetivo da epistenologia. Eu amo vinho, mas o vinho não é o objetivo, é o meio. Se as pessoas gostam da abordagem que eu proponho através do vinho, elas podem usar em muitos outros aspectos de sua vida cotidiana.

E na sua vida cotidiana, como é sua relação com o vinho? Que tipo de vinho bebe e em que contextos?
Minha relação com o vinho é de cuidado. Eu amo vinho e os respeito porque eles constantemente me ajudam a me reconectar com a vida. Aliás, para mim, o vinho é um conector. E eu bebo aqueles que fazem com que eu me sinta assim, reconectado.

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