Paladar

A cerveja valeu o emprego

14 janeiro 2011 | 15:54 por Roberto Fonseca

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Brooklyn Black Chocolate Stout (EUA, 350ml)

Preço estimado: R$ 17

Quem traz: Brazilways

Estilo: Ale /Imperial Stout

Teor alc.: 10%

Aroma: Licoroso, chocolate, leve frutado (frutas secas), adocicado, toffee, café, leve torrado, nota de esmalte ao fundo e álcool bem presente

Sabor: Álcool inicial destacado, mas não agressivo (gera calor na boca), malte torrado forte, chocolate, café, final bastante seco e torrado, nota suave de lúpulo. A licorosidade é algo encoberta pelo álcool e o torrado gera acidez moderada. Corpo médio a alto, carbonatação média, amargor idem (potencializado pelo torrado)

Cor: Preto sólido, translucidez zero

Espuma: Bege escura, densa, média a alta formação, média duração

Nota 4,2 em 5 – Boa cerveja, com aroma complexo. Mas perde um pouco na complexidade de sabor para a Samuel Smith Imperial Stout, uma das referências no estilo (que também é menos alcoólica). Poderia ter mais licorosidade e complexidade de malte e um pouco menos de torrado, com o álcool mais “coberto”

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Não seria exagero dizer que, sem a cerveja aí de cima, a nova-iorquina Brooklyn Brewery, uma das mais famosas dos Estados Unidos, poderia não ser o que é hoje. Nem que o mestre-cervejeiro Garrett Oliver, o ‘papa’ da harmonização da bebida, não teria feito tanto sucesso. Foi a Black Chocolate Stout que uniu, de certa forma, a cervejaria e o cervejeiro, a estrutura e a criatividade. Reza a lenda que em 1994, Steve Hindy e Tom Potter, os donos da Brooklyn – então uma pequena cervejaria fundada sete anos antes, que baseava suas produções na utilização de fábricas terceirizadas – procuraram Oliver, então cervejeiro em um brewpub, com uma ideia na cabeça. Na verdade, um nome: Black Chocolate Stout. E queriam que ele fizesse uma cerveja para não ser esquecida.

O resultado foi uma cerveja potente (segundo o falecido crítico cervejeiro Michael Jackson, chegou a ter 8,25% de teor alcoólico em versões iniciais, e hoje atinge 10%), no estilo imperial stout, com bom aroma de chocolate, mas que não o leva na receita (apenas um tipo de malte homônimo). A receita é uma das favoritas do próprio Oliver, que recomenda – além do consumo imediato, evidente –  envelhecimento de um ano para comparar a evolução da bebida na garrafa.

A primeira brassagem da Black Chocolate esgotou-se rapidamente, e, segundo relatam os donos, eles próprios ficaram sem amostras para consumo e tiveram de recorrer a clientes que ainda a tinham em estoque. Segundo Oliver, ainda há garrafas da leva de 1994 intocadas. Ele diz que, atualmente, a cerveja ganhou características de sherry.

Pouco tempo depois da receita de sucesso, Oliver foi convidado para ser o mestre-cervejeiro da Brooklyn – até então, as cervejas eram criadas por Hindy, que também se dedicava ao homebrewing com as técnicas aprendidas enquanto trabalhava como jornalista correspondente no Oriente . O resto da história já é conhecido, incluindo o livro The Brewmaster’s Table, uma das referências de harmonização de cervejas e pratos, lançado em 2003. Outro livro, Beer School: Bottling Success At The Brooklyn Brewery, conta a história da marca. Outra curiosidade da Brooklyn é que o logotipo e o conceito visual da marca foram criados por Milton Glaser, mesmo autor da campanha I Love New York, aquela das camisetas com o I, o coração e o NY.

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