Paladar

A (quase) bela adormecida

07 dezembro 2011 | 17:56 por Roberto Fonseca

Leffe Brune 1998 (Bélgica, 330ml)

Produtor: AB-Inbev

Estilo: Ale / Belgian Dubbel

Teor alc.: 6,5%

Cor: Castanho escuro, brilho avermelhado, translucidez quase zero

Espuma: Cor de pérola, média a alta formação e média duração

Aroma: Licoroso,  oxidação de papel, caramelo, frutas escuras

Sabor: Caramelo, frutas escuras, oxidação de papel bastante pronunciada, licorosidade, leve álcool; amargor baixo, final com leve torrado. Corpo macio, de densidade média a alta, carbonatação média

Nota 3,7 em 5 Para uma cerveja com 13 anos, até que conservou boa dose dignidade, além de carbonatação e boa formação de espuma. Mas oxidação atrapalhou um pouco.

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A cerveja aí de cima já passeou bastante, mas quase acabou indo pelo ralo sem ter suas qualidades apreciadas. Ganhei-a de presente há alguns anos da amiga Dani, que, por sua vez, a havia trazido, junto com outras garrafas, da Europa há outros tantos anos. Desde antes de seu vencimento (segundo marcação do rótulo, dezembro de 1998), ela ficou o tempo todo em geladeiras, primeiro em São Bernardo do Campo, depois em São Paulo – alerto desde já que esse ambiente não é recomendável para o armazenamento, pela umidade constante (o ideal, creio, seria ter deixado a garrafa em adega ou cave). Outro dia, em uma das raras folgas, resolvi dar um jeito na geladeira, já abarrotada de garrafas.

Como já tive experiências nada agradáveis com cervejas há muito vencidas – leia-se lagers industriais travestidas de cervejas de clubes dos anos 90 -, considerei a hipótese de “executar” a Leffe pelo ralo junto com outras cervejas antigas. Em um momento de inspiração, porém, resolvi pegar um copo para despejar a cerveja antes de seu destino final, achando que ela já seria um líquido sem grandes aspirações. Ledo engano: a espuma foi o primeiro sinal de que ainda havia uma “fagulha” de qualidade no que saía da garrafa. Apesar da oxidação perceptível, os maltes escuros e a licorosidade se destacaram bem. Tomei-a sem cerimônias, e digo aos mais céticos que nada me ocorreu até o momento (já se passou aproximadamente um mês).

Ao lembrar da data de vencimento da cerveja, também parei para pensar em como o mercado da bebida mudou nos últimos 13 anos. A quase totalidade das microcervejarias que se destacam hoje no País ainda não havia nascido, não existiam tampouco blogs ou mídias cervejeiras e as importações estavam longe da abundância atual. Recém-saído da faculdade, não tinha nem ideia do que eram cervejas especiais a não ser pelas que tinham latas interessantes para minha coleção. Realmente, evoluímos bastante. Ainda tenho outras cervejas belgas do mesmo lote em casa, para degustações saudosistas.

 

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