Paladar

Abaporu, a ‘ponte cervejeira’ Rio-São Paulo

06 dezembro 2012 | 23:56 por Roberto Fonseca

DIRETO AO PINT

ABAPORU IMPERIAL IPA (Brasil, chope)

Produtor: Cervejaria Nacional, de São Paulo (SP)

Preço: R$ 19 o pint de 500ml (a conta deu R$ 20,84 com 10%, logo…)

Tipo: Imperial IPA

Teor alc.: 9,8%

Cor: castanho clara, alaranjada, translucidez baixa

Espuma: pérola, média a alta formação e média duração

Aroma: Lúpulo cítrico destacado (abacaxi, maracujá), adocicado, malte em segundo plano

Sabor: Lúpulo cítrico forte inicial (abacaxi, maracujá), depois adocicado potente e boa carga de malte. Corpo médio a alto, amargor médio, carbonatação média a baixa. Final adocicado, de lúpulo e seco moderado a sutil. Álcool inicialmente é bem coberto; quando a cerveja esquenta, aparece mais (e, creio, provoca alguma ‘picância’ na boca, mas não estou certo se ele é a causa dessa sensação).

Nota 3,7 em 5: Cerveja tem bons aromas de lúpulo e malte, e, a princípio, “esconde” bem o teor alcoólico que tem. Mas poderia ser mais amarga na boca e mais seca; o adocicado do malte se sobrepõe demais. Atenuar mais a cerveja poderia deixar seu álcool fora de equilíbrio; talvez fosse o caso de elevar um pouco a previsão de amargor. Trocar a mistura de nitrogênio e gás carbônico por apenas gás carbônico no serviço também poderia ajudar a reduzir a sensação de “peso” e adocicado, creio.

 

Em meio à grande quantidade de novas receitas que a Cervejaria Nacional, por ora o único brewpub instalado na capital paulista, vem lançando, um me chamou a atenção. Ela foi feita em parceria com a Confraria do Marquês, associação de três cervejeiros caseiros do Rio de Janeiro. Mauro Nogueira, Tiago Dardeau e André ‘Zahle’ Nader já ensinaram a muita gente boa a produzir fermentadas, como o conterrâneo Leonardo Botto, hoje ele próprio um dos principais professores da área, e Eduardo Passarelli blogueiro cervejeiro e que, em sua fase homebrewer, ficou em terceiro lugar na primeira edição do Concurso Mestre Cervejeiro da Eisenbahn, lá pelos idos de 2008.

Os integrantes da Confraria estiveram em São Paulo no início de  novembro para ministrar um curso na Nacional, e aproveitaram a oportunidade para produzir uma Imperial IPA com 9,8% de teor alcoólico e quase 100 IBUs (International Bitterness Units, uma medida internacional de unidades de amargor – uma lager industrial, não custa lembrar, costuma ter 10 ou menos IBUs). O diferencial desta receita é que ela foi produzida com o lúpulo Zythos, um blend de outras variedades que foi criado especialmente para IPAs e Imperial IPAs. Suas notas cítricas potentes me lembraram outras variedades como o Amarillo.

Em termos de presença de lúpulo no aroma e sabor, o ingrediente cumpre bem sua parte. Faltou apenas um final um pouco mais seco e um pouco mais de amargor. A receita, batizada de Abaporu, foi lançada na quarta-feira (5/12) e deve durar alguns dias na Nacional.

E por que a ‘ponte cervejeira’ do título? Soube que há negociação em andamento para que um barril – ou mais – da Abaporu seja enviado para o Rio de Janeiro, para a festa de final de ano da Acerva Carioca, no sábado. Em troca, viria a  São Paulo – para o evento de final de ano da cervejaria Sinnatrah, no bairro da Pompeia, também no sábado – um barril da american pale ale Hopium, também da lavra da Confraria do Marquês. Essa receita terá sua nova versão – produzida com lúpulo Zeus – lançada nesta sexta-feira no Boteco Colarinho, no Rio. Resta torcer para que a articulação de bastidores dê certo a tempo. Daqui a algumas horas coloco um “em tempo” com o resultado…

Em tempo: Infelizmente, a troca não deu certo por razões burocráticas e de tempo. A tal “ponte cervejeira” ficará, por ora, limitada à participação da Confraria do Marquês na produção de uma cerveja em São Paulo. O projeto volta à pauta na semana que vem. Encerrada a sessão!

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