Paladar

Bacuri ainda procura o ‘par’ ideal

18 agosto 2011 | 22:55 por Roberto Fonseca

Amazon Beer Forest Bacuri (Brasil, 355ml)

 

Produtor: Amazon Beer, de Belém do Pará

Preço sugerido: de R$ 10 a R$ 15

Tipo: lager com bacuri (polpa e essência)

Teor alcoólico: 3,8% (1,8% na versão chope)

Cor: Dourado clara, translucidez alta

Espuma: Branca, média a alta formação, média a baixa duração

Aroma: frutado/cítrico destacado, adocicado, floral (a este que escreve, lembrou rosas;será?). Após algum tempo, malte se destaca

Sabor: Frutado/cítrico, floral (?), frutado, oxidação metálica, adocicado destacado, leve acidez. Final doce, frutado e moderadamente seco. Corpo médio a baixo, amargor baixo, carbonatação média a alta

Nota 2,5 em 5 Interessante nos primeiros goles, merece elogio pelo uso de um ingrediente brasileiro. Mas doçura e frutado acima do equilíbrio e teor alcoólico reduzido prejudicam drinkability. Fica difícil “matar” uma long neck. Quem sabe usando como base outra receita, mais potente/maltada, o bacuri não achasse sua cara-metade.

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Uma das cervejas que mais despertou a curiosidade dos visitantes da Brasil Brau foi a Amazon Beer Bacuri. Afinal, a cria da cervejaria, inaugurada em 2000 na Estação das Docas, em Belém, foi uma das pioneiras no uso de ingrediente brasileiro em sua receita: o bacuri. Com apenas um dia para visitar a feira, não consegui prová-la na versão chope, uma grande falha. Mas, ouvindo degustadores que a avaliaram, percebi que ela é “polêmica”. Houve desde quem virou fã até quem a comparou com “produto de limpeza”, por ter aroma forte demais.

A chance de provar a cerveja ocorreu esta semana, quando ela chegou em versão garrafa, mais alcoólica (3,8% contra 1,8% do chope), pero no mucho. Devo dizer, além da avaliação acima, que fiquei nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Não achei a cerveja ótima, tampouco péssima. Ela tem o mérito do uso do bacuri e de ter uma boa presença do ingrediente – não é difícil ver tentativas de uso de adjuntos em que ele acaba oculto pelos outros elementos da cerveja. Mas a sensação que ficou foi a de um jipe 4×4 em cima de um chassi de carro popular. Traduzindo: a cerveja-base ficou fraca demais em relação à potência do bacuri. Já tinha sentido isso na versão inicial da Dado Bier Ilex, com erva-mate, que depois parece ter sido atenuada.

Talvez o ideal fosse ter usado uma receita mais forte como base, para balancear forças com o bacuri. Soube, pelos produtores, que a cerveja faz sucesso em Belém, onde os clientes a acham bastante refrescante. Fico feliz em saber que o mercado permite que cada receita tenha seu público.

Além da Forest Bacuri, chegam também ao mercado a Forest Pilsen (3,8%), base da Bacuri, e a River Lager (4,5%). Os rótulos das três, que têm o simpático macaquinho como mascote, foram feitos pelo pesquisador cervejeiro, homebrewer e designer norte-americano Randy Mosher.

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