Paladar

Biertruppe 1: cerveja de lei

28 junho 2010 | 13:55 por Roberto Fonseca

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A maturação de cerveja em barris de carvalho é uma técnica usada tanto pelas escolas mais tradicionais, como a belga – em sour ales e lambics, por exemplo – quanto pelas mais modernas, como nos Estados Unidos e na Itália, onde há muita experimentação dos estilos tradicionais de cada produtor em diferentes recipientes. No Brasil, salvo as tradicionais cervejas da Canoinhense, feitas por Rupprecht Loeffler em Santa Catarina, são ainda raras as tentativas de se deixar a cerveja absorver as características dos barris de madeira – e da bebida que antes ocupava o espaço, como vinho, bourbon e quetais.

A Biertruppe 1, ou ex-Vintage, é um bom exemplo dessa técnica. Ainda à espera de liberação pelo Ministério da Agricultura, a cerveja passou 100 dias maturando em barris de carvalho antes utilizados para vinho e bourbon. Ela é mais uma cria da parceria entre a cervejaria Bamberg, de Votorantim, e a Biertruppe, grupo de cervejeiros caseiros que já produziu a Tcheca, uma pilsen da Boêmia, e a Saint Nicholas, cerveja belga de Natal. Seguindo a linha de variar a escola a cada ideia, a 1 é uma barley wine, estilo de influência inglesa.

A Biertruppe nos barris, com detalhe para a data de acondicionamento (Foto:Reprodução do site da Biertruppe)

A Biertruppe nos barris, com detalhe para a data de acondicionamento (Foto:Reprodução do site da Biertruppe)

A cerveja, que havia sido degustada e elogiada pelo jornalista e crítico cervejeiro norte-americano Randy Mosher com poucos dias de barril em 2009, é realmente muito boa em sua forma acabada. As notas adocicadas, de frutas secas e álcool da barley wine casam bem com os elementos de madeira, baunilha e um quê de vinho dos barris. É para ser tomada com calma – a mesma com que foi maturada. Tomara que a experiência seja seguida por outros produtores nacionais com a mesma qualidade. 

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