Paladar

Brasil Brau, dia 1

24 junho 2009 | 01:49 por Roberto Fonseca

Bem, amigos do Blog do Bob! Enquanto ainda me recupero do primeiro dia da Brasil Brau, feita voltada para o setor cervejeiro mas que concentra grande número de pequenos produtores, farei um “briefing” (sem tom de fusquinha, prometo, já que o acesso ao evento é restrito) do que ocorreu na estreia. Ou, ao menos, o que consegui provar consistentemente. A saber:

Colorado Vintage Black Rapadura, 10,5% de álcool e sete tipos de malte

A Cervejaria Colorado, de Ribeirão Preto, lançou no evento sua imperial stout, chamada Vintage Black Rapadura. Que, como diz o nome, leva rapadura preta na composição – a Colorado Índica, vale lembrar, usa rapadura “normal” -, além de sete tipos de malte. Ela tem amargor de 65 International Bitterness Units (IBUs) – como comparação, uma pilsen industrial raspa nos 10 -, mas é o álcool, em seus 10,5% de força, quem domina a cerveja. Este blogueiro avalia que a força alcoólica poderia ser um pouco mais restrita, para dar lugar aos demais elementos da Vintage, bem como o aroma poderia ter um pouco mais de torrado. Ouvido sobre a avaliação, o mestre-cervejeiro da Colorado, Rodrigo Silveira, disse que, com 30 dias de garrafa, a cerveja deve ficar mais equilibrada. A expectativa da cervejaria é de que a Vintage, aliás, evolua por até dois anos no vasilhame. A Colorado deve, ainda, lançar um kit com a garrafa e taça estilizada para sua nova cerveja. A estimativa, porém, é de que, sozinha, ela deva custar mais do que os outros produtos da marca. Antes de fazer uma ficha propriamente dita, diria que a cerveja leva 3,7 em 5, mas estou ansioso para ver o resultado na garrafa, já que a versão provada ontem foi em chopp.

Ficou com água na boca?

Schornstein

Como as novidades sempre parecem andar aos pares, a Schornstein, de Pomerode (SC) também levou ao evento sua Imperial Stout. A cerveja é fruto da parceria da fábrica com o homebrewer Raphael Tonera, que ganhou o concurso nacional de cervejeiros caseiros em BH, no ano passado, na categoria Belgian Strong Ale. Com 8% de teor alcoólico, a cerveja possui bom aroma de torrado/chocolate, e “cobre” bem o álcool com o malte e o amargor. Bem “redonda” (com o perdão pelo termo, que foi desvirtuado por terceiros), leva 4,2 em 5 no IBob. Pena que, por ora, a produção é sazonal e apenas em chope.

fraga

Como já antecipado por este blog, a Cervejaria Fraga, do Rio de Janeiro, lançou sua weissbier na feira. A cria do ex-cervejeiro caseiro (e agora microcervejeiro) Sérgio Fraga tem bom aroma de banana e cravo, e, como diferencial, um amargor maior do que outras representantes do estilo à venda no Brasil (diria que se aproxima da alemãSchofferhofer, difícil de achar ultimamente). No IBob,levou 4 em 5. Mas ainda não provei as outras weissbiers do evento – a da Coruja será aberta só hoje – para tirar a prova dos nove hehehehe.

fraga2

Atenção, colecionadores: O Fraga já colocou suas bolachas de chope na praça.

weisswe

Nem só na área de degustação de micros há novidades. Um passeio fora do “circuito” revelou que, no estande da WE, fornecedora de matérias-primas do Rio Grande do Sul, há uma weissbier experimental bastante interessante, com notas bastante destacadas de cravo, acima da banana. Lembra uma Justus Weizen. No IBob, levou 3,7 em 5.

bierland

Quando estive na fábrica da Bierland, em Blumenau (SC), em 2007, o proprietário, Eduardo Krieger, disse que, em 2009, ia ampliar o alcance de sua produção com o engarrafamento das cervejas. Por ora, o projeto segue no prazo, e a cervejaria apresentou seus protótipos na feira. Krieger prevê que, em 50 dias, elas estarão no mercado. De 600ml, os vasilhames são diferentes de outras micros, com base trabalhada. Quem já tomou cervejas industriais argentinas deve reconhecer semelhança no rótulo da pilsen com a Palermo. Mas a diferença acaba no formato, posso dizer, com vantagem para a brasileira rs.

Em tempo 1: Há, ainda, as sensacionais cervejas caseiras das Acervas, associações de cervejeiros. Provei uma delas ontem, feita pelo Ricardo Rosa; uma brown ale com castanhas. Dá para peerceber o gosto da castanha no final do gole. Muito boa.

Em tempo 2: Também causou frisson o estande das microcervejarias americanas, com destaque para a Stone IPA, que esfrega na nossa cara que ainda estamos engatinhando quando o assunto é o uso e a diferenciação de lúpulos na cerveja.

Em tempo 3: Daqui a pouco tem mais. Salve-se quem puder.