Paladar

Brasil Brau, dia 2

25 junho 2009 | 10:12 por Roberto Fonseca

EXTRA: IMPORTADORA ANUNCIA ACORDO COM A URQUELL
Esta chegou quando eu já saía do evento, ontem à noite. A Import Beer, importadora gaúcha de cervejas, anunciou ter fechado acordo oficial para trazer a tcheca Pilsner Urquell ao Brasil. Segundo Cristian Bonotto, da Import Beer, a previsão é que o primeiro lote seja enviado em 60 dias; ele deve conter garrafas de 500mle barris de chope. “Mas a Pilsner Urquell já está no mercado, Bob”, poderia dizer o leitor. A questão-chave é justamente essa: hoje, uma garrafa de 500ml não sai por menos de R$ 35 na gôndola, o que torna bem difícil sua aquisição. A Import Beer ainda não fechou o preço, mas trabalha com o cenário de um valor inferior a R$ 20, bem mais palatável. Promessa é dívida, hein? A conferir.

Depois deste informe extraordinário, as cervejas do evento (hehehe)

A MaurIPA: bela cerveja

Botto e seu filtro de lúpulo, influência da americana Dogfish

A Acerva Carioca, associação de cervejeiros caseiros do Rio, mostrou ontem mais uma de suas “surpresas”. Leonardo Botto abriu um barril de American IPA – leia-se uma cerveja bem lupulada – chamada MaurIPA, homenagem ao colega cervejeiro Mauro Nogueira, famoso por suas preferências “elevadas” em termos de amargor. Trata-se de uma excelente cerveja, com aroma cítrico destacado, com notas de malte e caramelo, que se refletem no sabor. Embora tenha 72 IBUs (índice de amargor seis vezes superior ao de uma pilsen industrial), é bastante equilibrada. Levou, no IBob, 4,7 em 5. A “cereja no bolo” da MaurIPA, porém, é a engenhoca criada por Botto para servi-la: como é possível ver na foto, ele adaptou um filtro de água para ser conectado à chopeira; dentro do filtro, colocou lúpulo em flor e folhas, o que deu à cerveja uma característica totalmente diferente de lupulagem; só provando para ver hehehehe (ô crueldade).

O nome da cerveja eu não guardei, mas bem que, pelo fermento da Gouden Carolus, poderia ser chamada de Fênix hehehe

No estande da Acerva Carioca, houve espaço ainda para uma cerveja com fermento “Fênix” – não pelo estilo, mas pela mitologia hehehe. Thiago Dardeau apareceu por lá com uma cerveja feita com a levedura retirada de uma garrafa da belga Gouden Carolus, que foi isolada, alimentada e propagada (houve estímulo à sua procriação para ser usada de novo). O resultado ficou bastante interessante, com uma leve nota acética aliada a um frutado no aroma e no sabor, dando impressão de frutas vermelhas pela combinação adocicado/azedo suave.

A Diabólica e seu rótulo chamativo, que perde apenas para a camisa do amigo Feijão ao fundo

Assim como os vizinhos de região Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o Paraná começa a colocar na praça cervejas bastante interessantes, que fogem do padrão lager industrial. Uma delas é a Diabólica, esta aí de cima. Nascida num panelão e cozida no fogão a lenha, ela passou a ser produzida em escala maior agora, na Gauden Bier. Trata-se de uma India Pale Ale com alegados 6,66% de teor alcoólico – parte da mística da cerveja e 38 unidades de amargor. É uma boa representante do estilo; seu diferencial, porém, é a presença de malte torrado na receita, que casa bem com o lúpulo e o amargor. Leva 4 em 5 no IBob. Nova leva da cerveja tem lançamento ao mercado previsto para a metade de julho. Mais informações com o Alexandre Willerding, um dos pais da Diabólica, no ale.willer@gmail.com.

A Strong Bossa do Gattopardo

De “volta” ao Rio de Janeiro, outra boa novidade na feira foi a presença da Gattopardo, microcervejaria que é o novo projeto de Kátia Jorge, que deixou a Devassa no ano retrasado. O destaque da produção, que tem três estilos, é o belgian ale Strong Bossa, com 8,5%. Trata-se de uma cerveja com aroma de cravo e levemente condimentado, características que também aparecem no sabor, junto com uma sensação de cítrico, adocicado e final seco moderado, com corpo médio a alto. Embora o blogueiro aqui considere que poderia ter um pouquinho mais de condimentado no aroma e no sabor, levou 3,7 no IBob.

Em tempo 1: Também foi possível notar no evento que muitas micros estão “pipocando” pelo País afora. Há o Chopp Kremer, em Morungaba, que expôs uma pilsen e uma cerveja escura adocicada no evento, e a Klein Bier, que abriu as portas em Campo Largo, no Paraná, com uma pilsen “de rodagem”, uma pilsen de influência tcheca – que provei na feira e tem amargor mais perceptível, embora tenha sentido falta de mais lúpulo no aroma – e uma stout servida com nitrogênio, como a Guinness. Também soube que, em Sorocaba, deve abrir até setembro a Burgman Beer, com receitas produzidas pelo mestre-cervejeiro Reynaldo Fogagnolli, da Cervejaria Universitária, de Campinas. Da minha parte, desejo boa sorte aos empreendimentos e torço para que não fiquem só na pilsen “comum”. A ver, a ver…

Ficou com água na boca?