Paladar

Brewdog Paradox: a cerveja do labrador

17 julho 2010 | 15:42 por Roberto Fonseca
Bracken, o mascote da cervejaria e degustador informal (Foto: Reprodução do site da Brewdog)

Bracken, o mascote da cervejaria e degustador informal (Foto: Reprodução do site da Brewdog)

Agora que boa parte dos leitore(a)s já deve ter esgotado os “aaaaahhhhssss” e “que bonitinho” sobre o labrador chocolate da foto aí de cima (aliás, o uso de bichinhos é um dos recursos mais comuns na propaganda, para atrair a atenção do leitor/espectador), voltamos à programação normal. Como havia escrito em um post anterior, as cervejas escocesas da Brewdog chegam em algumas semanas ao País. A marca foi criada por James Watt e Martin Dickie em abril de 2007, quando ambos tinham 24 anos e estavam cansados das mesmas lagers e ales industriais de sempre no Reino Unido (vejam os padrões de cada um, aqui nos queixamos de cervejas industriais que, provavelmente, tem bem menos capacidade de emocionar um cervejeiro de carteirinha). A dupla se especializou em receitas extremas, mais notadamente as com teor alcoólico impactante – da Tokyo, com seus 18%, até a Sink the Bismarck, com obscenos 41%, nascida em disputa com uma cervejaria alemã pelo troféu de receita mais potente do mundo.

A linha, porém, também tem cervejas mais “light” (para os padrões da Brewdog, claro), e a Paradox é uma delas. Com “apenas” 10% de teor alcoólico, ela é uma imperial stout maturada em barris de carvalho usados, inicialmente, para armazenar Bourbon nos Estados Unidos, depois uísque na Escócia e, por fim, viraram morada da Paradox. A cerveja da foto aí de baixo foi comprada em 2008 pela Gi na sensacional loja Utobeer, em Londres – ela fica pertinho do Borough Market, um mercadão de comidas da cidade.

paradoxfich

Desde o momento em que ela chega ao copo, a comparação inevitável é com a Harviestoun Ola Dubh, também escocesa, uma old ale com 8% de teor alcoólico maturada em barris de uísque de idades que variam de 12 a 40 anos – tomei a 18 e a 40, e a última é minha favorita. Como a Paradox já tinha um certo tempo de vida quando a tomei, decidi esperar pela chegada de representantes mais novos da marca – ela é uma das integrantes do lote que será trazido pela Tarantino – para fazer a comparação copo a copo. De cabeça, porém, fiquei com a impressão de que a Paradox tem uma nota muito marcante de madeira e um quê de uísque mais pronunciado, enquanto a Ola Dubh vai mais para o lado do malte chocolate, licoroso e baunilha. Para o meu gosto, a Ola Dubh leva ligeira vantagem, mas a Paradox também é uma bela cerveja. Resta agora esperar sua chegada para o duelo.

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