Paladar

Brooklyn: como fazer uma boa cerveja sem ir ao extremo

25 março 2010 | 12:08 por Roberto Fonseca

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Nem tudo que fermenta nos  Estados Unidos é extremo, com doses de lúpulo e álcool que beiram o desafiador. É o caso das cervejas nova-iorquinas da Brooklyn Brewery, que ainda assim conseguem chamam a atenção por aliarem receitas mais “simples” com boas produções. Na sequência da invasão americana no País, a marca desembarca por aqui com quatro variedades.

Uma das mais interessantes do quarteto é, curiosamente, a Brooklyn Lager, cerveja de “trabalho” – ou que permite consumo maior – da marca. No estilo Viena, esta lager (de baixa fermentação) com 5,2% de ácool e cor avermelhada lembra a brasileira Eisenbahn 5 – surgida depois dela -, tanto pelas notas de malte caramelo quanto de lúpulo. A Brooklyn, porém, parece ter uma lupulagem mais fina e menos agressiva do que a “irmã” local, sendo mais fácil de ser bebida.

Na sequência de qualidade entre as marcas avaliadas pelo Paladar, aparece a East India Pale Ale. Ela conta com 40 unidades de amargor (contra, não custa dizer, cerca de 10 de uma lager industrial brasileira), índice bem abaixo das IPAs americanas, que chegam a passar das 100 unidades. Mas é uma cerveja saborosa, com 6,8%, cor castanho-clara brilhante e aroma cítrico complexo,  resultado dos quatro tipos de lúpulo utilizados.

O mestre-cervejeiro da Brooklyn, Garrett Oliver, já se manifestou crítico de algumas índia pale ales “extremas” feitas nos Estados Unidos. “’A cerveja mais lupulada’… parece uma busca idiota, como um chef apresentar ‘o prato mais salgado de todos’. Jogar lúpulo em um pote é fácil, mas você consegue fazer com que (a cerveja resultante) fique bela?”, chegou a afirmar ao New York Times.

Seguindo a degustação, a Local 1, em garrafa de 750ml selada com rolha, é uma belgian ale com 9% de álcool. Ela tem cor dourada, certa turvação e aromas cítricos e condimentados fortes, que se repetem no sabor, onde há, ainda, nota picante, álcool que gera calor na boca e um leve quê adocicado, que lembrou tutti fruti, ao fundo. É uma boa cerveja, mas que poderia ser um pouco mais seca. Fechando o grupo, a Brown Ale, com 5,6% de teor alcoólico, possui aroma de malte torrado e leve lúpulo, que aparecem também no sabor, junto a uma certa licorosidade. É, no entanto, a menos chamativa do quarteto, e poderia ter notas mais destacadas de malte tanto no aroma quanto no sabor.

A Brazil Ways, importadora da Brooklyn, informou trabalhar para que as long necks da cerveja cheguem aos supermercados com preço sugerido de R$ 8,10 e, a bares e restaurantes, a R$ 9,90, uma vantagem em relação às outras marcas americanas por aqui, a Anderson Valley e a Flying Dog, cujo preço parte de R$ 13,80 a long neck. Já a Local 1 deve custar R$ 37,10 a garrafa de 750ml nos mercados e R$ 49 em bares.

Aula no Brasil
O mestre-cervejeiro da Brooklyn, conhecido também como especialista em harmonizações de cerveja, virá ao Brasil divulgar a marca e fará o que define como “aula show” no Centro Universitário do Senac, na zona sul da capital, no dia 30, a partir de 19h. No evento, ele deve ensinar receitas e combiná-las com estilos específicos de cerveja. A entrada custa R$ 30 para o público em geral. Informações e inscrições: 5682-7300 ou www.sp.senac.br.

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