Paladar

Cap D’ona: movida a energia solar ?

08 outubro 2009 | 21:20 por Roberto Fonseca

Ficha Cap D'ona Rossa

Ficha Cap D'ona Blanche

Ficha Cap D'ona Especial

Ganhei estas três cervejas em garrafa aí de cima no primeiro semestre, mas esperava a oportunidade ideal de experimentá-las. Tenho de confessar que, se utilizasse um escaninho para dividir as cervejas “a provar” e “provadas”, a primeira categoria estaria bem abarrotada nos últimos tempos, mais por falta de tempo que de vontade. A ocasião perfeita surgiu no final de agosto, pouco antes da minha viagem a França/Itália, sendo que, em solo francês, passaria bem perto da “terra natal” da cerveja. A Cap D’Ona nasceu em 1999 na cidade de Argelès, criada pelo cervejeiro Grégor Engler, descendente de uma família cuja história é ligada à nobre bebida desde 1838.

A ideia de fazer um “esquenta” com as Cap D’Onas pareceu interessante: afinal, se fossem cervejas boas, já sabia o que ia tomar no começo da viagem, e in loco. Se fossem ruins, o ideal era partir para outras receitas francesas. Se dependesse das degustações feitas aqui, porém, acho que pensaria duas vezes em um “Bis” na França. Não que as Cap D’Onas sejam ruins; mas achei que falta alguma coisa, são “simpáticas”, mas sem grandes atrativos, como se percebe pelas avaliações acima. Minha teimosia, felizmente (nesse caso, porque ela já me deu muitos problemas em outras ocasiões…rs), me levou a fazer mais um teste, desta vez na cidade de Banyuls-sur-mer, onde havia um quiosque à beira-mar servindo, na versão chope, a Cap D’Ona Blonde, que, apesar do nome, tem todas as características de uma pilsen alemã.

Foto Cap D'ona Blonde in loco, em Banyuls, acompanhada de vieiras na chapa. Ô, coisa boa! Foto: Roberto Fonseca

É certo que o ambiente ajudou bastante: sol na medida certa, vieiras na chapa, aioli e outros frutos do mar para acompanhar. Mas, perto de casa, a Cap D’Ona Blonde se revelou uma bebida de qualidade bem superior às suas “irmãs” engarrafadas. Tinha um excelente aroma de malte (que lembrava biscoito ou pão), lúpulo herbal destacado e um sabor correspondente, com amargor perceptível (embora abaixo do ideal). Enfim, recebeu uma nota 3,7 em 5 com louvor.

Como as três cervejas degustadas em garrafa aqui no Brasil estavam dentro da validade, uma hipótese é que a pasteurização (aquecimento de modo a eliminar a possibilidade de contaminação) leve a uma perda considerável das propriedades da cerveja. Pode ser, porém (e essa tese é bem mais interessante, hehehe) que as cervejas francesas sejam “movidas a energia solar”: só estão em suas melhores condições na praia, com calor e brisa marítima. Ou que, degredadas a uma terra que está a milhares de milhas de suas origens, as cervejas sejam acometidas por uma espécie de banzo, ou melancolia pela terra natal. Difícil saber, mas o resultado final só reforça a regra alemã de que, quanto mais perto da chaminé de onde é produzida, melhor será a cerveja.

Ficou com água na boca?