Paladar

Cervejas de Natal brasileiras? Fificané!

11 dezembro 2009 | 12:59 por Roberto Fonseca

Nem tinha passado pela sua cabeça dar um presente de Natal para a Schincariol, não é? O blog, porém, não pode deixar de pensar em uma sugestão perfeita para a indústria cervejeira, controladora das microcervejarias Baden Baden, Devassa e Eisenbahn: um boneco do Grinch. Sim, aquele ser verde dos livros do Dr. Seuss (ou o Jim Carrey pintado de verde, para os mais jovens) que roubou o Natal. A marca confirmou há pouco o que já vinha sendo debatido no Orkut: nem a Baden Baden Christmas nem a Eisenbahn Weihnachts Ale serão lançadas este ano. Resultado: o Brasil, que já tinha poucas cervejas de Natal, fica agora sem nenhuma. Zero.

A Schin alega que o planejamento estratégico deste ano não previa a produção das duas cervejas. Sabe-se que houve mudanças no departamento de marketing da empresa no período, mas não exatamente se a decisão de descontinuar a fabricação foi da gestão anterior, da atual ou se simplesmente alguém esqueceu de marcar na lousa que era preciso fazer duas cervejas de Natal, como todo ano. A fábrica informa ainda que, apesar da decisão, as duas cervejas podem voltar no ano que vem. Isso, porém, só o tempo e as reclamações dirão.

Embora a Christmas Ale não empolgasse minhas papilas tanto assim e a Weihnachts aparentasse ter passado por mudanças na última edição, já na fase Schin, tratava-se de questão de princípios manter a produção das duas. Embora a Schin, como compradora, possa fazer o que bem entender com as micros que adquiriu, ela prometeu não mexer na essência delas. E, ao menos na minha humilde opinião, a interrupção da produção mexe, sim, com esse conceito. Aproveitando o ensejo, lembrei ainda que a Baden Baden Tripel, essa sim cria da fase Schin, também não foi produzida este ano. A marca alega que ela pode voltar em 2010 também.

Para não ficar só na reclamação, ao menos uma notícia boa (ou potencialmente boa, melhor assim): a Baden Baden deve lançar uma nova receita no começo de 2010. Por ora, ela ainda é mantida em segredo. Fico de dedos cruzados (embora seja difícil segurar o copo de cerveja desta maneira).

Por fim, para quem não lembra, a explicação do “fificané”. Há alguns anos, a Schincariol, num esforço de propaganda para anunciar a Nova Schin, botou na tevê um anúncio chamado “africanos”, em que, digamos, um africano chegava num quiosque de beira de praia e pedia uma Nova Schin. O dono respondia mais ou menos assim: “Nova Schin? Amulako. Fificané… haaaahahahahahaha. Fificané…hahahahahaha”, e apontava para o oceano. “Fificané”, segundo a Schin, quer dizer “só no bar lá da frente”. O sujeito que queria sua Schin, então, nada (!!!) até o Brasil, chega na praia e, no quiosque, mata sua vontade. E repete o “fificané”, rindo. Moral da história: sem cervejas brasileiras de Natal, seremos obrigados a apelar para as versões importadas, mais caras e que não necessariamente são fáceis de achar. Mais “fificané” por parte da Schin, para mim,é difícil.

Em tempo: quase ia esquecendo de uma piada rápida. No final da propaganda, é feita uma animação de mapa mostrando o tal africano nadando de seu continente até o Brasil. Logo, da direita para a esquerda, em linha reta. Um colega aqui do jornal, ao ver a cena, não se conteve: “Mas o que esse cubano veio fazer no Brasil?” Detalhe: Cuba fica, no mapa, bem acima do nosso País. Socorro.