Paladar

Cheios na medida certa

29 novembro 2012 | 01:03 por Roberto Fonseca

É bem provável que a reação do degustador que receba de Natal um pacote com boas cervejas seja a mesma que ele tinha anos antes ao encontrar um brinquedo dentro do embrulho – falo por experiência própria. Mas, se o presente deste ano revelar-se um conjunto de copos vazios, não fique com aquela sensação de outrora de ter “ganho roupa”. Tão importante quanto o líquido que vem dentro das garrafas e latinhas, é onde ele será colocado para a degustação.

O exemplo – ou antiexemplo – mais clássico é o da cerveja de trigo: se o copo usado não for o correto, não será possível misturar adequadamente toda a levedura que fica no fundo da garrafa, elemento vital para a apreciação integral do estilo. E, se uma cerveja potente e aromática for colocada em um copo de boca estreita, há um sério risco de se perder, no nariz, boa parte da complexidade da bebida.

A beer sommelier Kathia Zanatta, do Instituto da Cerveja Brasil, sugeriu seis copos que contemplam boa parte dos estilos cervejeiros. Há ainda, no mercado, kits prontos como o da Spiegelau, vendido pela Spicy (R$139, com quatro itens), que seguem outra configuração.

Veja abaixo as sugestões feitas pela Kathia, com comentários:

 

1) TULIPA

A tulipa da Duvel (Foto: Felipe Rau/Estadão)

Para Kathia, é um copo bastante versátil. “A curvatura abaulada na parte inferior ajuda na retenção dos aromas e o desenho superior entrega a cerveja em um encaixe perfeito aos lábios”, diz. O pé da taça minimiza a transferência de calor das mãos para o líquido.

O exemplo mais conhecido do formato é a taça da Duvel (cerca de R$ 29 no The Ale House).

 

2) WEIZEN

O copo da Weihenstephaner (Foto: Felipe Rau/Estadão)

“Cervejas de trigo definitivamente não podem ser servidas em outro copo!”, alerta Kathia. O tamanho e o fato de ser longilíneo são imprescindíveis para o movimento que os goles geram para formação contínua de espuma.

Há opções que vão da Bohemia Weiss (cerca de R$ 19) a marcas tradicionais alemãs, como o da Weihenstephaner (R$ 31,90 no Empório das Bebidas).

 

3) GOBLET

A taça da Chimay (Foto: Felipe Rau/Estadão)

Ideal para cervejas trapistas e de abadia. A boca larga é tudo que a grande intensidade aromática dessas cervejas necessita. A curvatura do copo entrega o líquido bem lentamente à boca, possibilitando o máximo proveito da experiência.

Há opções que vão da taça da Lefffe (cerca de R$ 25) à da Chimay (a R$ 29,50 no Nono Bier).

 

4) IRISH PINT

O pint da Guinness (Foto: Felipe Rau/Estadão)

 

“Apesar de não ter grandes funções sensoriais, cerveja também é muita tradição e cultura. E pint é pint. Não dá para imaginar ales inglesas, porters e stouts suaves sendo servidos em outros copos”, afirma Kathia.

Dentro da linha tradicional, provavelmente o pint mais conhecido do mundo é o da Guinness (R$ 33 no Empório Alto dos Pinheiros).

 

5) PILSNER/LAGER

A taça da Krombacher (Foto: Felipe Rau/Estadão)

A taça é muito versátil para lagers pouco alcoólicas em geral, claras e escuras. “Seu formato ajuda na estabilidade de
espuma e o fato de ser longa e reta faz com que a velocidade de escoamento do líquido seja maior”, diz Kathia.

Uma das taças mais elegantes para pilsner é a da alemã Krombacher (R$ 24 na importadora da marca, a On Trade).

 

6) SNIFTER

O snifter da Bierland (Foto: Felipe Rau/Estadão)

 

Ideal para cervejas mais alcoólicas e intensas, como barley wines, doppelbocks e imperial stouts. “A base abaulada mais larga possibilita encaixe das mãos para aquecer a cerveja até a temperatura ideal de consumo, de 10 a 13 graus”, afirma Kathia.

Além dos copos de conhaque em geral (de R$ 30 a R$ 40 na rede Pão deAçúcar), há uma versão nacional produzida pela Cervejaria Bierland para sua Imperial Stout .

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