Paladar

Coffee break 2: Demoiselle, a cerveja, a polêmica e o prêmio

07 agosto 2009 | 22:11 por Roberto Fonseca

ERRATA: ao contrário do que aparece na ficha, a Demoiselle tem 6% de teor alcoólico

Um caso não tão comum de cerveja que, com cerca de dois anos de vida, já tem muita história para contar. A primeira delas é a de sua própria origem: o nome Demoiselle remete a um dos aviões criados por Santos Dumont (que aparece no rótulo criado pelo norte-americano Randy Mosher). A homenagem foi feita pela Cervejaria Colorado, de Ribeirão Preto, porque a família de Dumont era da cidade e vivia do café, que, de certa forma, ajudou a bancar a formação e os projetos do aviador. A receita da Demoiselle surgiu da parceria da Colorado com o cervejeiro caseiro Ricardo Rosa, do Rio de Janeiro (com alguns “toques” de Mosher, segundo contou o dono da cervejaria, Marcelo Carneiro da Rocha).

A segunda parte da história da Demoiselle é um tanto “turbulenta”. Em visita ao Brasil em 2008, o mestre-cervejeiro da Guinness, Fergal Murray, a provou em São Paulo. E, no relato do colega e repórter do Jornal da Tarde Gilberto Amendola, disse sobre ela o seguinte: “É gelo, café e álcool”. O comentário desabonador provocou um rebuliço. Protestos no Orkut e em blogs, desmentidos e um “não é bem assim” de Murray e uma engraçadíssima carta de protesto da Colorado, em que a música “Palpite Infeliz”, de Noel Rosa, foi adaptada para revidar, com humor, o comentário do cervejeiro estrangeiro. A “redenção” da Demoiselle veio no final de 2008, quando a cerveja conquistou medalha de ouro no European Beer Star, competição cervejeira realizada na Alemanha anualmente.

Depois de toda essa história, chegamos à madrugada do dia 27 de julho de 2009, quando a Demoiselle estava cara a cara (ou copo a copo) com a Meantime Coffee Porter, para um “duelo” de representantes do mesmo estilo. O resultado, como já havia dito no post anterior, pode ser considerado um “empate técnico”, ou vitória da Demoiselle com ligeira vantagem. A Meantime ganha pelo nariz, por ter aroma de café, chocolate e toffee bem combinados, contra notas mais destacadas de café e torrado da brasileira. Mas a cerveja ribeirão-pretana se destaca na boca, com um corpo bem mais denso e uma sensação de café mais potente.

Como a Meantime já ganhou medalhas em torneios anteriores (incluindo a World Beer Cup, em San Diego, nos Estados Unidos), gostaria muito de ver as duas em uma competição de verdade, lado a lado, para ter a prova dos nove. Quem sabe no Beer Star deste ano?