Paladar

Como nasce uma cerveja

02 março 2009 | 12:30 por Roberto Fonseca

foto botto

“Bob, quando é que você vai começar a fazer cerveja?” A pergunta tem sido cada vez mais recorrente, vinda de amigos, conhecidos e até de um interessado em comercializar as futuras possíveis levas (coitado…). Tenho evitado o tema com a manjada desculpa da falta de tempo. “Pensei em colocar um fogareiro e uns fermentadores ao lado da minha mesa no jornal para acompanhar o processo, mas o pessoal da brigada de incêndio começou a me olhar com uma cara esquisita depois que fiz uma consulta”, brinco. Mas não sei por quanto tempo essas histórias de pescador vão durar.

Por isso, e também para aprender um pouco mais sobre a produção de cerveja (afinal, quem escreve sobre um tema tem obrigação de entender como ele funciona), no último dia 15 resolvi cair da cama cedinho, com direito a esquecer do horário de verão e a uma garoa fria, para voltar à sala de aula. Um dos nomes mais tarimbados da cerveja caseira, o carioca Leonardo Botto se preparava para começar um curso de 10 horas sobre a produção da nobre bebida na Melograno, forneria especializada em cervejas na Vila Madalena. O Botto foi o vencedor do concurso Mestre-cervejeiro da Eisenbahn em 2007, e teve sua cerveja, a Dama do Lago, produzida e comercializada pela microcervejaria.

Depois de uma apresentação inicial, cujo objetivo principal é mostrar aos interessados que fazer cerveja não é um bicho de sete cabeças, fomos para a parte prática. O plano foi produzir uma American India Pale Ale, cerveja avermelhada, com boas notas de malte, caramelo e, principalmente, amargor destacado. Logo no primeiro passo, a moagem do malte, veio a primeira dica: nada de acabar com o braço moendo os grãos na mão. Uma furadeira com um gancho de plantas acoplado pode ser conectada ao moinho, fazendo o serviço de horas em alguns minutos.

A partir daí (e resumidamente, para não tirar a graça do curso), passamos pelas seguintes etapas: cozimento dos maltes, para originar o mosto (líquido que contem o açúcar dos grãos e será fermentado); filtragem da mistura; fervura do mosto, para eliminar possibilidades de contaminação (entre outros motivos); adição de lúpulo em diferentes tempos do cozimento, para reforçar amargor, sabor e aroma; resfriamento da mistura; transferência do líquido para o fermentador, adição do fermento e fechamento do recipiente. Entre uma etapa e outra, os participantes, que se dividiam entre cervejeiros caseiros com pouca experiência, aspirantes a Professor Pardal (pela vontade de criar engenhocas que facilitem a produção da bebida) e marinheiros de primeira viagem. Veja algumas etapas do processo nos vídeos abaixo:

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Na parte final do curso, muitos participantes já estavam cansados; mas o período de tempo é uma boa mostra de que fazer cerveja não é difícil, mas exige sua cota de transpiração. Agora, estamos na fase de espera, tal qual o clichê do pai na sala de espera da maternidade. Quando tiver mais notícias da cria (e, acima de tudo, puder prová-la), postarei as impressões aqui.

Em tempo: quem se interessou em participar do curso pode conferir datas ou entrar em contato com o Botto por meio do e-mail leonardo@bottobier.com.br. Há outros cervejeiros que realizam cursos, como a Confraria do Marquês, também do Rio de Janeiro ( www.confrariadomarques.com.br ) – o Mauro Nogueira e o Thiago Dardeau são famosos por terem formado cervejeiros medalhistas em concursos da categoria, como o próprio Botto – e a Turma – Cerveja Artesanal ( www.cervejaartesanal.com.br ), de São Paulo.

Ficou com água na boca?