Paladar

Concurso Paulista: equilibrada, campeã tem vantagem folgada

25 julho 2010 | 01:37 por Roberto Fonseca
Paulo Ferro, Guilherme de Santi e Alex Wirz, o trio vencedor (Foto: Cervejaria Bamberg/Divulgação)

Paulo Ferro, Guilherme de Santi e Alex Wirz, o trio vencedor (Foto: Cervejaria Bamberg/Divulgação)

Foram anunciados há pouco o campeão, o vice e o terceiro colocado do Concurso Paulista de cerveja caseira, organizado pela Associação dos Cervejeiros Artesanais de São Paulo e pela Cervejaria Bamberg, de Votorantim. Foi justamente na cidade do cimento que ocorreu a análise das concorrentes, todas no estilo de influência inglesa Extra Special Bitter, na tarde de sábado. Entre os 17 jurados, lá estava eu dando pitacos sobre cerveja. Muito engenhoso, Alexandre Bazzo, dono da Bamberg, trocou os números dos concorrentes para manter o segredo até hoje, mas o blog obteve as notas dos oito melhores classificados. Pode-se deduzir, de pronto, duas coisas.

A primeira é que o vencedor teve larga vantagem, de 14,5 pontos em 170 possíveis. A cerveja no topo do pódio, aliás, ficou marcada pelo equilíbrio e por uma interessante disputa com a segunda colocada, que tinha lupulagem “turbinada” – chegou a causar, em alguns jurados, como eu, a impressão de uma “assinatura” de lúpulo americano no aroma. De fato, a vice-campeã é uma cerveja muito boa, assim como foi grande a tentação de considerá-la a melhor. Mas o objetivo da competição era definir a receita que mais se aproximava do padrão de uma ESB inglesa. Com isso, creio que a meta foi atingida. O segundo destaque é que o trio mais bem posicionado também se destacou muito em relação aos outros concorrentes – mais de 30. Eis aqui o resultado e alguns comentários que anotei no famoso bloquinho. Veja a lista:

1º colocado – GUILHERME  ALBERICI DE SANTI (Campinas), com a DeSanti, número 16, com 128 pontos. Aroma de lúpulo pronunciado (sensação de madeira), malte suave, leve caramelo, biscoito, leve frutado. Sabor de malte, lúpulo, cítrico, adocicado, frutado suave, final seco e de malte, corpo médio, amargor idem, carbonatação média a alta. Cor castanho médio, de translucidez média a baixa, com espuma bege clara, de média a alta formação e média duração. Bela cerveja, com bom balanço entre malte e lúpulo.

2º colocado – PAULO CRISTIANO FERRO (Mogi Mirim), com a SCANDINAVA ESBnúmero 17, com 113,5 pontos. Aroma cítrico e herbal potentes, frutado, adocicado. Sabor de lúpulo destacado, cítrico/herbal, leve malte e caramelo, corpo médio a alto, amargor idem, leve torrado, final seco e de lúpulo. Castanho escura, de translucidez média a baixa e espuma cor de creme, média a alta formação e duração. A cerveja é muito boa e chega a “viciar”, mas a lupulagem ficou um tanto fora do padrão da ESB inglesa.

3º colocado – ALEX WIRZ VIEIRA (São Paulo), com a cerveja ESBoldo, número 30, com 100 pontos. Aroma de lúpulo cítrico, frutado, adocicado e malte em boa harmonia. Sabor de lúpulo pronunciado, cítrico, malte, final seco, leve tostado, corpo médio a baixo, amargor médio a alto, carbonatação média. Castanho médio, translucidez média a baixa, espuma cor de creme, média a alta formação e duração. Bela cerveja, na minha opinião empatada com a 16, por ter melhor aroma mas perder em sabor para a rival.

4º colocado – DANIEL GUANDALINI (Campinas), número 31, com 97 pontos. Uma das disputas mais acirradas do dia com a número 30. Aroma frutado, com notas que lembram banana, cítrico e adocicado. Sabor de malte, adocicado, final seco e cítrico, amargor médio a alto, corpo médio, carbonatação média a alta. Cor castanho escura, translucidez média a baixa. Espuma cor de creme, média formação e duração. Cerveja tem bons elementos, mas poderia mostrar malte e lúpulo de forma mais destacada.

5º colocado – MARCOS ARNUS (São Paulo), número 14, com 84,5. Aroma de banana passa, adocicado e malte. Sabor com notas de banana, adocicado, final seco, corpo médio a baixo, amargor idem, carbonatação média a alta. Cor castanho escura, translucidez média a baixa, espuma bege clara, média formação e duração. As notas de banana tiram a cerveja do padrão.Também poderia ter um pouco mais de lúpulo e amargor.

6º colocado – GUILHERME BALDIN (São Paulo), número 23, com 82 pontos. O duelo com a 14 foi o mais acirrado do torneio. Aroma de malte, biscoito, leve lúpulo ao fundo. Sabor com notas iniciais adocicadas, leve cítrico, leve tostado, corpo médio, amargor médio a alto, final seco e de malte. Cor castanho médio, translucidez média. Espuma cor de creme, de média a baixa formação e duração. Boa cerveja, que poderia ter um pouco mais de lúpulo. Foi uma das classificadas à final pela minha mesa, junto com a 31.

7º colocado – FLAVIO ANNICCHINO (Indaiatuba), número 1, com 77 pontos. Aroma de lúpulo suave, malte, biscoito. Sabor de malte, leve doce inicial, seguido de amargor e leve cítrico, final seco e com leve doce, nota alcoólica destacada, amargor médio a alto, carbonatação idem, corpo médio. Cor castanho clara, translucidez média a alta,espuma branca, média formação e média a baixa duração. Havia algum elemento no aroma da cerveja que atrapalhava as outras notas (sinto muito por não saber identificar).

8º colocado – PHILLIP ZANELLO (Araraquara), número 4, com 63,5 pontos. Aroma cítrico (laranja), adocicado, leve frutado. Sabor Malte, lúpulo cítrico, leve frutado, final seco e de lúpulo, adocicado, corpo médio, amargor idem, carbonatação média a alta. Cor castanho muito clara, translucidez média a alta. Espuma cor de creme, média formação e média a baixa duração. Bom aroma frutado, mas faltou um pouco mais de lúpulo.

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