Paladar

Cervejaria Fraga: da panela para o mercado

15 junho 2009 | 01:32 por Roberto Fonseca

Protótipo da Fraga Weiss

Durante uma das sessões de degustação de cerveja do Paladar – Cozinha do Brasil, mencionei que havia alguns cervejeiros caseiros prestes a darem os primeiros passos em direção à profissionalização, transformando-se em microcervejeiros. Essa transição foi, há algumas décadas, a base do “renascimento” cervejeiro nos Estados Unidos, com seus mais de mil produtores em pequena escala. No caso do Brasil, um dos exemplos a que me refiro é o do carioca Sergio Fraga.

Depois de alguns anos – mais precisamente, desde 2007 – acalentando o sonho de ter uma produção comercial mas com qualidade, Fraga começa a tirar o projeto do papel nos próximos dias. Enquanto a fábrica em Vargem Grande, na zona oeste do Rio, não fica pronta, a primeira leva nasceu longe dali, na cidade paulista de Pompeia, sede da produtora de equipamentos Mec Bier. A primeira “cria” da fase microcervejeira, que irá à Brasil Brau, feira do setor cervejeiro na capital, é uma weissbier com 4,5% de teor alcoólico e fermento apropriado para o estilo. Vale ressaltar a importância deste último item, de que muitos produtores têm “esquecido” por aqui, gerando exemplares de weiss mais cítricos do que propriamente com aroma de banana e cravo, como deveriam ser. Quem tiver a sorte de ir ao evento, aliás, poderá acompanhar um interessante “duelo” de weizenbiers. Em 2007, as crias do estilo da Bamberg, de Votorantim, e da Bierland, de Blumenau, se destacaram na opinião de degustadores ouvidos por este colunista.

Ficou com água na boca?

Este ano, além da dupla, apostaria em boas avaliações da weiss da Coruja, marca gaúcha mas que produz o estilo em Florianópolis, e da própria representante do Fraga, que já estuda a nobre bebida fermentada desde 2004. No início de 2007, cheguei a provar uma dunkelweizen de sua lavra, e a achei bastante interessante.

Inevitável dizer que, como todos os demais microcervejeiros, Fraga e seus amigos que embarcaram nessa empreitada terão de lidar com obstáculos como impostos escorchantes, aumento do preço de matérias-primas e, claro, com a concorrência de grandes grupos cervejeiros. Mas, se depender de torcida, fica aqui a minha para que a Cervejaria Fraga vingue. Mais do que um amigo cervejeiro que gosta do que faz, ele pode acabar se tornando um símbolo de produtor que começou do “panelão” até chegar ao chão da (pequena) fábrica e, se tudo der certo, aos bares e mercados da vida. Quem sabe a moda não pega e, daqui a alguns anos, cheguemos ao mesmo patamar dos Estados Unidos? Na questão da cerveja, claro. Façamos figa.