Paladar

Dado Bier Double Chocolate Stout: e não é que a combinação deu certo?

03 abril 2009 | 14:12 por Roberto Fonseca

Dado Bier Double Chocolate Stout

Depois da Backer Brown Ale e da Bohemia Swiss, nessa ordem, se tornarem as primeiras cervejas brasileiras comerciais a usarem chocolate em suas receitas (a primeira em essência e a segunda em essência e barras, pelo que sei), a terceira tentativa de unir o subproduto do cacau com o subproduto da cevada foi bem mais fortuita, e deu origem à Dado Bier Double Chocolate Stout. Já tinha escrito sobre essa cerveja para o Paladar há algumas semanas (quando provei em primeira mão um protótipo da versão chope) mas o assunto merece ser “revisitado” por um motivo.

O primeiro é que a versão chopp da DBDCS (pelo tamanho do nome, a abreviação é tentadora), até agora disponível apenas no bar da microcervejaria, em Porto Alegre, aportou em terras paulistanas. Será vendida a partir de amanhã (4/4) na Melograno, na Vila Madalena, a R$ 12,90 o copo. Antes que alguém comente o preço da dita cuja, vale lembrar que o grau de comparação deve ser feito com a Guinness (que, de acordo com o IBob, tem saído até mais cara ultimamente).

Além de unir cerveja e chocolate, a cria da Dado Bier ainda promoveu outras parcerias. Uma delas foi da micro gaúcha com os cervejeiros caseiros do Rio de Janeiro Ricardo Rosa e Mauro Nogueira. As associações entre homebrewers e produtores comerciais têm aumentado de 2008 para cá. O próprio Ricardo já havia elaborado a receita da Colorado Demoiselle, uma porter com café que faturou medalha de ouro no European Beer Awards, na Alemanha. “Como estava fazendo algumas cervejas com o Mauro, sugeri trabalharmos juntos. Ele se empolgou e logo começou la pesquisar sobre o uso de chocolate em cervejas”, disse. Outra “aliança” está sendo costurada entre a Dado e um produtor de chocolate famoso.

A Dado pretende lançar a cerveja na versão engarrafada no início do segundo semestre, após alguns ajustes finos na receita (um deles, segundo o Ricardo, é o aumento de notas de chocolate no sabor). Eduardo Bier, dono da microcervejaria, conta que a ideia é a DBDCS ter uma vida útil de ao menos três anos. Em janeiro (e salvo eventuais mudanças), o plano de Bier era lançar a cerveja em vasilhames de 900ml criados pela Ceramarte (fábrica de Rio Negrinho, em SC, que também produz canecos de chope para a Budweiser e já criou a garrafa da Samuel Adams Utopias). Aí, porém, é que começa outra provável polêmica: Bier estima que o preço médio de cada garrafa será em torno de R$ 200.

Já se antecipando à questão do preço – que torna a Double Chocolate Stout a cerveja brasileira mais cara e alvo inevitável da pergunta “vale quanto custa?” -, ele diz: “Em grande parte, o aumento da carga tributária pelo governo federal levou o preço a subir. Mas não vejo essa cerveja como produto para o dia a dia, e sim um presente diferenciado, de qualidade superior à de um vinho da mesma faixa de preço”.

Discussões à parte, na opinião do humilde blogueiro, vale a pena pagar R$ 12,90 pela versão chope e tirar as próprias conclusões. Parafraseando a propaganda de um certo iogurte, a Dado Bier Double Chocolate Stout “vale por uns três chopinhos”.

Ficou com água na boca?