Paladar

Devassa Bem Loura: uma vida mais ordinária

14 fevereiro 2010 | 17:57 por Roberto Fonseca

Ficha Devassa Bem Loura

Foi difícil escolher o título deste post. Ideias como “nem tudo que reluz é ouro”, “mais uma falsa loura”, “quarta de Cinzas antes do carnaval” e até o trash/cult “one night(mare) in Paris” (quem acompanha o Youtube sabe do que estou falando…hehehe) foram fortes concorrentes até o último momento. Mas “uma vida mais ordinária” resume melhor a questão. A notícia, como já se sabe, é que a Schincariol/Devassa lançou um produto novo no mercado, a Devassa Bem Loura. A campanha, segundo a Schin, deve consumir R$ 100 milhões, ou 10% do orçamento de publicidade da empresa em 2010, com direito a presença da socialite americana Paris Hilton, que também é atriz (cruzes) e cantora (chega, por favor) e veio ao carnaval do Rio de Janeiro para o lançamento da marca. A cerveja, porém, vai no sentido contrário dos números grandiosos e nome famoso: trata-se de uma tropical lager, ainda mais fraca que a Devassa Loura, e que não é puro-malte.

A empresa alega que a cerveja, tirada da prancheta em quatro meses, tem como objetivo ingressar na categoria mainstream (a Bem Loura será lançada em lata, chope e garrafa de 600ml). E que os demais produtos da Devassa não terão alterações. Até aí, tudo bem, qualquer microcervejaria pode lançar um produto de venda em massa para lastrear suas vendas e bancar suas experiências mais “extremas”, voltadas a um público mais segmentado. A Dado Bier já fez isso com sua Lager, e a Wäls, de Minas Gerais, lançou a Wäls X-Lager tentando unir qualidade e volume de vendas. Com isso, a Devassa poderia, em tese, lançar sem problemas sua Bem Loura. Mas…

Paris Hilton, estrela da propaganda da Devassa/Schin. Foto: Schincariol

…há um pequeno porém no caso. Aliás, dois. O primeiro é que a microcervejaria foi vendida para a Schincariol justamente para que tivesse um “poder de fogo” maior para comercializar seus produtos e manter a qualidade e os princípios da produção. Tudo bem, as cervejas da Devassa que foram vendidas não eram mais as mesmas do início da produção, mas ainda assim lançar uma tropical lager com cereais não-malteados não me parece, a princípio, ser muito o que era a linha da marca. Mesmo assim, dá-se um desconto, porque a Dado Bier Lager também não é puro malte. Mas aí vem a segunda questão: além de duas cervejas “de massa” (a Lager e a Bock), a Dado tem criado produtos inovadores como a Ilex e a Belgian Ale, e protótipos como a Double Chocolate Stout. Mas e a Devassa? Todo portifólio da marca é da época pré-venda: Loura, Ruiva, Morena, Índia e Sarará. As outras marcas compradas pela Schin já tiveram lançamentos sob a nova controladora: a Baden Baden Weiss e a Eisenbahn Joinville Porter (tudo bem que, do outro lado, rifaram as cervejas de Natal das duas marcas).

No copo, a Devassa Bem Loura é uma cerveja “fair play”: não agride no aroma e sabor como o fazem outras industriais (cuja degustação é bem complicada a não ser que estejam a temperaturas próximas de zero). Mas também não faz falta nenhuma. Embora seja classificada de “tipo pilsen”, pouca relação guarda com o estilo em termos de malte e, principalmente, lúpulo. Para mim, representa um “downgrade” na marca, cujos controladores fariam bem em compensar com uma receita mais inovadora no portifólio como próximo lançamento. Afinal, a luxúria insinuada no marketing da Devassa desde sua criação não é o único dos pecados capitais. A preguiça também o é. E a ira fica por conta deste que escreve (hehehe).

EM TEMPO: Paris “causou”, como diriam os blogs de celebridades, no camarote da Devassa. De propósito ou não, a moça aparece em uma das fotos apoiando joelhos e mãos no chão – daqui do Limão, onde escrevo, parece pose de quem tenta se segurar no chão antes que ele rode de novo, mas creio ser muito longe para tirar conclusões. Começou bem (ou não)…

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