Paladar

Diabólica: o ponto que faltava no mapa

16 julho 2009 | 23:24 por Roberto Fonseca

Ficha Diabólica IPA

Uma das questões cervejeiras que desde cedo (leia-se no início das minhas pesquisas sobre o tema) me intrigou neste Brasil varonil foi o “hiato” que o Paraná representa na “cartografia” da nobre bebida. Trata-se de um Estado cercado de cervejas por todos os lados, quase uma ilha; acima, está São Paulo e sua “força do interior”, com Colorado, Bamberg e afins. Mais acima, há o Rio e Minas, outras potências. Abaixo, está Santa Catarina, de Eisenbahn, Bierland e outras tantas; mais abaixo, o Rio Grande do Sul de Abadessa, Dado Bier, Schmitt. OK, alguém mais espertinho poderia dizer que o Mato Grosso do Sul, que também faz divisa com o Paraná (e que me custou pontos no Master outro dia), não é tão pujante em termos cervejeiros. Mas o fato é que os paranaenses nunca foram lá muito brindados com cervejas diversificadas locais. Claro, há microcervejarias por lá, mas a maioria dedica-se à lager “tipo pilsen” velha de guerra. Até agora…

Desde o ano passado, já havia descoberto que o Paraná era, também, a terra da De Bora Bier, do Edigyl Pupo, que levou medalha de ouro com sua Poderosa IPA no concurso nacional de cervejeiros caseiros realizado em Belo Horizonte. Mas sobre ela falo mais tarde. Mais recentemente, soube também que lá era a terra da Diabólica, uma IPA que nasceu no “panelão” caseiro de um grupo de amigos e, agora, é feita na fábrica da Gauden Bier, em Curitiba, em uma parceria.

A Diabólica, como já sugere seu nome, segue o conceito de cerveja “infernal”, com direito a teor alcoólico estimado em 6,66% (mais para o lado da propaganda que da técnica, já que nem grandes indústrias conseguem precisão de duas casas) e ao rótulo bem bacana, com chamas. A primeira versão da cerveja, em leva de 350 garrafas, foi feita no começo do ano, em um caldeirão aquecido por fogão a lenha. Depois, passou à microcervejaria que fica em Santa Felicidade, Curitiba, de onde sairá a nova leva para o lançamento do próximo dia 22.

A cerveja leva sete tipos de malte, sendo que um deles a torna diferente das demais IPAs que já tomei: o defumado. Poderia, até, ter essa característica mais presente. O amargor, segundo o Alexandre Willerding, um dos “pais” da criança, está em torno de 38 IBUs (International Bitterness Units – se alguém já esqueceu, uma lager industrial tem em torno de 10 rsrsrsrs). A marca fica pouca coisa abaixo do padrão do estilo, que é 40, mas ainda assim há um amargor médio e presente. Parte da sensação do lúpulo na cerveja vem do dry hopping (que é a adição do lúpulo já na fase de maturação da bebida; em geral, o ingrediente é adicionado durante a fervura, em diferentes fases, para dar, dependendo do tempo, mais amargor ou sabor/aroma).

O objetivo dos “pais” da Diabólica, segundo Willerding, é que ela se aproxime o máximo possível da Meantime IPA, uma das referências do estilo e, para este humilde blogueiro, a melhor India Pale Ale por estas bandas. Espero que, se forem feitos ajustes finos, eles mantenham o defumado e acertem um pouquinho a lupulagem no sabor/aroma, para dar notas mais cítricas à cerveja. A ver. Ainda para “fechar” as novidades paranaenses, soube na Brasil Brau que outra cervejaria paranaense próxima de Curitiba, a Klein Bier, de Campo Largo, também está com cervejas que fogem ao “pilsen de sempre”, entre elas uma stout servida com nitrogênio, à la Guinness. Acho que já está valendo dar uma chegada ao Paraná para completar os roteiros de viagem cervejeiros do Sul. A SC e RS eu já fui, mas ando com vontade de u “bis” hehehe.

Em tempo: cada garrafa deve custar em torno de R$ 13. Mais informações podem ser obtidas no site da Diabólica ou com o Alexandre Willerding, no ale.willer@gmail.com.

Ficou com água na boca?