Paladar

Diferentes versões de um mesmo estilo

02 maio 2012 | 13:37 por Roberto Fonseca

Bamberg Maibaum (BRasil, 600ml)

Produtor: Cervejaria Bamberg, de Votorantim (SP)

Preço estimado: a partir de R$ 11,10 a garrafa de 600ml

Estilo: Lager / Maibock ou Helles Bock

Teor alc.: 6,5%

Cor: Alaranjada/castanho muito claro, translucidez média a alta

Espuma: Pérola, média a alta formação, média duração

Aroma: Malte, biscoito, adocicado, nota sutil de esmalte; lúpulo herbal e cítrico

Sabor: Malte, adocicado inicial, nota de esmalte; lúpulo herbal e cítrico, final seco moderado, amargor médio para o estilo. Corpo médio, carbonatação média a alta.

Nota 4,0 em 5: Boa helles bock, tem como trunfos principais o final seco moderado, que ajuda a reduzir o “peso” do adocicado na cerveja, e a presença de notas sutis de lúpulo. Na comparação com a outra helles bock disponível no mercado,  a Einbecker, empata em termos de amargor e ganha justamente por ser mais “fresca” e próxima do ponto de consumo.

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Quando estive na Munique, em maio de 2009, pude provar duas maibocks bem distintas por lá. Uma delas, em fortuita coincidência, começou a ser servida no dia em que chegamos à cidade: a Augustiner Maibock. O “estouro” do barril – sim, ela ainda é servida em barris de madeira, que, se deixam marca no sabor, tornam a carbonatação mais “suave” – é precedido de um longo e alto badalar do sino do bar da cervejaria na Marienplatz. Trata-se de uma cerveja densa, alcoólica, com boas notas de malte e adocicadas. No dia seguinte, provei a maibock da Unionsbräu, fora da rota turística, mas estrategicamente posicionada diante de uma estação de metrô. Também servida em barril de madeira, era outra cerveja, embora do mesmo estilo que a Augustiner: notas de maçã verde destacadas no aroma e sabor – não sei se por problema na produção ou não -, e corpo ligeiramente mais denso e adocicado.

De lá para cá, só provei uma helles bock, que, como não sei se foi produzida em maio, não posso chamar de maibock: a da Einbecker, importada para o Brasil pela Bier & Wein. Interessante, com amargor que segura bem a carga de malte. Mas gostei mais da versão dunkel. Por isso, fiquei curioso quando o Alexandre Bazzo, cervejeiro e dono da Bamberg, anunciou no Twitter que estava produzindo uma maibock clara. Afinal, tivera três impressões bem distintas sobre o mesmo estilo.

A cerveja foi batizada de Maibaum em referência ao mastro azul e branco erguido em cidades da região da Bavária no mês de maio, em que são colocadas imagens com as profissões de cada local. No Viktualienmarkt, em Munique, há um deles e, em uma das hastes, há imagem homenageando os cervejeiros, com os logos das seis marcas locais servidas na Oktoberfest. No copo, senti alguma diferença entre a garrafa e o chope; a primeira parecia mais lupulada, embora a lógica indicasse que o contrário seria mais provável, já que a garrafa passa por pasteurização. De todo modo,  agradou, e passou a ser minha referência de maibock/helles bock, junto com a da Augustiner. Até que apareça outra pelo caminho…

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