Paladar

Diga-me o que bebes…

30 julho 2009 | 21:00 por Roberto Fonseca

Da esquerda para a direita, o vice Biden, o professor Gates, o policial Crowley e Obama. Reuters

Não vou entrar em detalhes sobre o que levou o quarteto da foto acima a se reunir em torno de uma mesa para a tão esperada “Cúpula da Cerveja”, ou “Beer Summit”. Tá bom, tá bom, em versão resumida: “professor de Harvard é confundido com ladrão pela polícia, se irrita e acaba preso; presidente critica ação da polícia, policial se diz magoado; presidente, em momento boa praça, propõe cervejada; fim.

Opa, mas isso aqui é um blog sobre leitura dinâmica da política internacional ou sobre cerveja? Pois é, fim nada. Que cerveja cada um está tomando na foto, perguntará o curioso cervejeiro leitor deste espaço. Afinal, nos Estados Unidos, há mais de mil e quinhentas microcervejarias, boas variantes da nobre bebida não devem faltar para coroar o momento. Devem ter bebido bem (no sentido de qualidade)…

Fué, fué, fué, faria o blog se tivesse efeitos sonoros. O site do Chicago Tribune desvendou o mistério. Obama, aquele que já virou trocadilho de cerveja industrial no Brasil (quem nunca ouviu a já irritante “se o Barack é bom, o chopp é Obrahma”?), tomou a chatésima Bud Light. Se bem que, na campanha, ele já tinha deixado claro que é fã de uma cerveja “populista”, ao tomar uma Pabst Blue Ribbon num bar com uma dúzia de chopes de micros diferentes. O vice Joe Biden conseguiu mandar pior: pegou uma cerveja não-alcoólica, a Buckler, do grupo Heineken. Que é isso, companheiro? Trapaceando para deixar só os outros “alegrinhos” à mesa?

O policial foi de Blue Moon, marca com bom cartel de estilos, ligada à Coors (pela imagem, bebeu a belgian white, uma witbier, como se deduz a partir da laranja dentro do caneco). É a melhorzinha do quarteto, pelos sites de avaliações, pero no mucho. Protagonista da querela que levou ao encontro, o professor Gates gosta, segundo o “serviço secreto” da Casa Branca (leia-se pesquisa na internet), da Red Stripe, uma cerveja jamaicana cuja produção é controlada por uma empresa inglesa. Como não tinha, escolheu uma Samuel Adams Light. A Sam Adams, aliás, tem fama de fornecedora oficial de cervejas para a Casa Branca. Mas temo dizer que a escolha do acadêmico também não foi lá muito inspiradora – não por culpa da cervejaria de Boston, que tem opções muito melhores.

Se dependesse das cervejas provadas, diria que nenhum dos degustadores têm razão e deveriam levar um “pito”. Mas, como é só uma piada cervejeira, fica por isso mesmo. The bill, please!

Em tempo: fuçando a internet, li que a entrada da Sam Adams acabou sendo providencial, pois os microcervejeiros norte-americanos já estavam criticando as escolhas prévias do encontro, alegando que elas eram marcas controladas por corporações de fora dos Estados Unidos.

Ficou com água na boca?