Paladar

E não é que o carvalho fez bem à cerveja?

08 novembro 2010 | 15:50 por Roberto Fonseca

DIRETO AO PINT

LA TRAPPE QUADRUPPEL OAK AGED (Holanda, 375ml)

Tipo: Ale trapista / Quadruppel

% alc.: 10%

Cor: castanho escuro, translucidez média a baixa

Espuma: Bege clara, média a baixa formação e baixa duração

Aroma: Carvalho destacado, doce, malte, leve frutado, baunilha, condimentado suave

Sabor: Carvalho, baunilha, doce, condimentado e leve picante, algo frutado ao fundo (frutas secas também), álcool bem presente (gera calor na boca). Corpo médio a alto, carbonatação média, final seco e de madeira, com pouco residual doce

Nota: 4,0 O acondicionamento com carvalho melhora bem a cerveja em relação à Quadruppel original, que era doce demais. A madeira deu notas mais secas à cerveja, e a equilibrou. Poderia apenas ter a nota de álcool um pouco mais contida no conjunto.

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Bem, nobres amigos do blog (ou os que ainda restaram rs), estamos finalmente de volta. Em primeiro lugar, gostaria de agradecer aos que perserveraram na espera pelo fim do período eleitoral. Espero recuperar o atraso nos próximos dias. Embora tenha passado boa parte dos últimos meses atolado em pesquisas, debates, agendas de candidatos e quetais, houve alguns poucos momentos para tomar cerveja. Destes, alguns poucos foram bons, seja pela caça a uma garrafinha, seja pela qualidade do exemplar da nobre bebida.

A cerveja aí de cima mistura um pouco das duas coisas. Não foi fácil achá-la. Depois de uma busca no Twitter durante o feriado, vi que a La Trappe Quadruppel Oak Aged já havia chegado por estas bandas. Além de o lote ser pequeno, poucos locais já haviam recebido à época. Achei uma garrafinha no Vino!, no Itaim, para tristeza da sommeliére (só havia mais uma, já refrigerada lá), que havia ficado curiosa com a nova cerveja. Pelo que sei, o Frangó deve ter alguns exemplares ainda.

Já havia provado a Quadruppel original feita pela cervejaria holandesa, a única a ter o selo trapista fora da Bélgica. E confesso que a achei doce e alcoólica demais, um tanto enjoativa até. Mesmo o ano de maturação pelo qual ela passa (segundo o produtor) não parece atenuar ou “arredondar” a doçura dela. A versão em barris de carvalho começou a ser produzida em 2008, mas só foi lançada em garrafas de 375ml em junho deste ano – tecnicamente, segundo o site da cervejaria, ela é vendida apenas na loja da fábrica. A madeira, de fato, deu notas mais secas à cerveja, que a tornaram mais equilibrada, em especial em relação à carga de malte e álcool.

Embora o preço seja um tanto, digamos, “desafiador” (paguei R$ 65 na garrafinha de 375ml), a cerveja chama atenção pelo fato de ser uma receita trapista com envelhecimento em barris de madeira. Como “contraponto” nacional, a Wäls, de Minas Gerais, produz uma Quadruppel que leva na produção chips de carvalho que foram embebidos em cachaça. O resultado, porém, é bastante distinto (e tema para outro post).

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