Paladar

Joinville Porter: da panela ao pódio (e à prateleira)

02 julho 2009 | 00:30 por Roberto Fonseca

Eisenbahn Joinville Porter

Lembram quando falei, há algumas semanas, que os cervejeiros caseiros Ivan Steinbach e Diogo Züge, seu primo, vencedores da 2ª edição do concurso Mestre-cervejeiro da Eisenbahn, tinham começado a produzir 3 mil litros de sua cria (parte do prêmio) na fábrica da micro em Blumenau? Pois aquela cerveja, batizada de Joinville Porter, começa a chegar ao mercado na semana que vem.

Da mesma forma que a Dama do Lago, vencedora da primeira edição da competição, em 2007, a Joinville Porter foi envasada em garrafas de champanhe de 375ml, e refermentada no vasilhame, o que permite sua guarda (a cerveja tende a evoluir com o tempo). Cada uma tem preço sugerido, segundo a Eisenbahn, de R$ 19,99.

Recebi um dos primeiríssimos exemplares da Eisenbahn ontem, e, até para aproveitar a ocasião, convidei os nobres colegas cervejeiros (e blogueiros) Edu Passarelli e Paulo Feijão para trocarmos impressões sobre o produto. Encontro marcado no bar Aníbal, passamos à degustação. O primeiro detalhe a ser percebido é que a rolha apresentava leve sinal de mofo na parte interna (ao menos foi nossa impressão), problema similar ao que acometeu a primeira leva da Dama do Lago – e que gera alto risco de contaminação da cerveja -, mas que foi resolvido na “fornada” posterior. Faço votos de que tenha sido apenas na garrafa em questão, mas é algo a se acompanhar com cuidado (no que toca ao fabricante).

Passando à cerveja, além das impressões da ficha acima, minha avaliação foi de que a Joinville Porter perdeu parte do torrado, do corpo e, em escala muito menor, do lúpulo da versão caseira que venceu o concurso. Hoje, ela chama atenção pelo caráter destacado de toffee e chocolate. A do torneio tinha notas mais acentuadas de malte torrado equilibrando esses elementos. Vasculhando meus alfarrábios, achei a avaliação que fiz da cerveja no dia do torneio. A saber:

Cor: castanho bem escuro, quase preto, translucidez baixa
Aroma: malte torrado, chocolate
Sabor: malte torrado, café, algum lúpulo, álcool, corpo médio a alto, amargor médio, potencializado pelo torrado, final seco e de chocolate, carbonatação média
Resultado: nota 77 em 100 (foi minha melhor avaliada, e levou o título)

Olhando pelo lado positivo, também achei a Dama do Lago feita em casa pelo Leonardo Botto melhor do que a versão de fábrica, o que mostra que a cerveja caseira, quando bem feita, talvez consiga dar um “ajuste fino” melhor do que na fábrica. Bom para o Ivan e o Diogo, que ainda guardam uma garrafa da preciosa versão ganhadora made in Joinville hehehe.

Mas, como já disse algumas vezes, é a minha opinião; recomendo sempre que os fãs de cerveja provem o que tiverem à mão, nem que seja para ter fundamentos para criticar (ou elogiar) depois.

Ficou com água na boca?