Paladar

Femsa/Heineken lança novas cervejas

24 fevereiro 2010 | 14:10 por Roberto Fonseca

Com um certo atraso em relação ao “boom” cervejeiro no Brasil, seja em produções locais ou em marcas vindas de fora (embora sempre seja tempo de novidades), a mexicana Femsa, após aquisição pela Heineken, anunciou ontem o lançamento de cinco cervejas importadas do portifólio da empresa holandesa no País. A apresentação foi feita na Forneria Melograno, na Vila Madalena. Veja abaixo, com comentários:

Ficha Murphy's Stout

É, provavelmente, a melhor cerveja do grupo, quase empatada com a Murphy’s Irish Red. Segue o padrão Guinness, de lata com cápsula de nitrogênio, mas tem um “chorinho” de 60ml a mais (500ml a 440ml). Não fiz a comparação direta, mas me pareceu ter um pouco menos de corpo que a Guinness Draught. Mesmo assim, é uma boa cerveja. Pela faixa de preço sugerida nos mercados – R$ 10,70 -, deve brigar diretamente com a rival. Apesar de não ser tão famosa, a Murphy’s Stout pode se aproveitar de problemas de distribuição da Guinness – já repararam como anda difícil encontrar as latinhas em mercados?

Ficha Murphy's Red

Outra cerveja boa, que vale o custo-benefício (o preço sugerido é de R$ 5,99). Com a informação de bastidores de que a Kilkenny não deve mais ser importada, vira um bom “plano B” para os fãs do estilo Irish Red. Também tem uma garrafa bacaninha. A marca é irlandesa, mas o rótulo aponta que esta cerveja é produzida na Holanda.

Ficha Edelweiss

Embora seja mais fã da outra Edelweiss, trazida pela Import Beer (tem um aroma de tutti-frutti que a distingue de outras cervejas de trigo), reconheço que a versão trazida pela Femsa é bastante honesta. A R$ 9,80 no mercado, deve brigar com a Erdinger. Mas ainda prefiro a Schneider Weisse, embora seja mais difícil de encontrar (só na rede Wal Mart ou em lojas especializadas mais caras).

Ficha Birra Moretti

Sou fã de cervejas italianas em geral, mas esta uma aqui realmente não agrada. Tudo bem, é melhor do que quase todas as nossas lagers, um pouco mais amarga até, mas, por esse nível de qualidade, fico com a própria Heineken, que é puro-malte e sai mais barata. A italiana sairá R$ 3,99 a long neck. Também vale para ter o rótulo do homem bigodudo de terno verde: afinal, quem é esse cara? Um matador de aluguel? Nem o mestre-cervejeiro da Femsa soube responder.

Ficha Amstel Pulse

A pior do grupo. O rótulo aponta que é puro-malte, mas trata-se de uma cerveja fraquinha, quase aguada, sem atrativos no líquido. Vale só pela garrafinha moderninha, que segundo a Femsa ganhou prêmio em Cannes. Ela ainda tem sistema de abertura por anel, similar ao que a Colorado tentou implementar em suas garrafas por um certo tempo. Deve brigar com a Skol Beats ou Antarctica Sub Zero. Também sai a sugeridos R$ 3,99.

Moral da história: Três cervejas que valem a degustação, em maior ou menor escala, num total de 5, o que é um bom começo. Independente de gostos e avaliações, porém, sempre é positivo que cervejas diferentes cheguem ao Brasil, principalmente a preços acessíveis e proporcionais à sua qualidade. A chegada das marcas da Femsa/Heineken também deve, espero, “chacoalhar” o mercado e os concorrentes, que andam meio adormecidos no quesito importações, seja com novas marcas, seja com a distribuição inconstante delas. A colega de redação Marili Ribeiro escreveu hoje, no Estadão, que a Ambev planeja deve trazer a Zillertal, uruguaia já vendida à larga no Rio Grande do Sul, para outros mercados do País. Para quem não sabe, a ZIllertal é uma lager bastante similar às “co-irmãs” Patricia, Pilsen e Norteña. Tradução: mais do mesmo. Ao menos eles importam Franziskaner, Hoegaarden e Leffe.

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