Paladar

Fuller’s India Pale Ale: o caminho das Índias

16 maio 2009 | 22:40 por Roberto Fonseca

Ficha Fuller's IPA

Em primeiro lugar, gostaria de me desculpar pelo novelesco título do post. Fui vitimado pela falta de melhores ideias e pelo televisor que, para meu desgosto (e alegria de algumas repórteres da cercania), fica ligado no notório folhetim noturno homônimo. Haveria alguma relação entre a falta de ideias e o televisor ligado? Pior: além do gosto duvidoso dos dilemas existenciais dos personagens, ninguém lá toma uma india pale ale para afogar as mágoas (hehehehehe).

Explico: a história da India Pale Ale, ou apenas IPA, está vinculada ao período de colonização inglesa na Índia. O estilo ganhou nome e fama porque, como variante com mais lúpulo (e mais alcoólica) das pale ales regulares, resistia melhor à viagem entre os dois países. O lúpulo tem propriedades conservantes na cerveja. Ainda nas histórias do estilo, reza a lenda que apenas os oficiais tomavam a IPA “in natura”; aos soldados, era servida uma versão “batizada” da cerveja, diluída em água. Mas é claro que histórias assim passam longe dos dramas de Bahuan, Maya e cia. indiana.

Ficou com água na boca?

Em uma viagem igualmente longa mas bem menos turbulenta (se descontado o acidentado trajeto da pobre cerveja por portos, galpões da receita e pontos de venda), a IPA da Fuller’s chega ao Brasil. A cervejaria inglesa, fica em Chiswick, região de Londres, ocupa um local que produz cerveja há mais de 350 anos. A empresa Fuller’s, Smith & Turner, porém, foi criada em 1845 (ano que, aliás, dá nome a uma das cervejas da marca). Representam a cervejaria no Brasil seis variedades da Fuller’s: London Porter, ESB, 1845, Golden Pride, London Pride e Honey Dew. As quatro primeiras são realmente muito boas, e a Honey Dew, uma ale que leva mel na receita, um pouco abaixo.

Era, portanto, inevitável ter uma grande expectativa com a IPA. Mas, embora seja uma boa cerveja, acho que ela fica um pouco abaixo das demais. Mas há que se fazer algumas considerações: um dos problemas do estilo IPA é que ele foi “turbinado” pela escola cervejeira americana, como já dissera em post anterior. A principal diferença entre IPAs britânicas e americanas é, creio, a quantidade de lúpulo, obscenamente maior na segunda escola. Apesar da ressalva, acho que a IPA da Fuller’s carece de um pouco mais de lúpulo no aroma mesmo sendo inglesa. Digo isso porque as demais cervejas da marca têm como padrão aromas e sabores bem destacados e intensos, e isso não se repete na nova integrante da família por estas bandas. O sabor até é legal, mas ela frustra um pouco narizes mais exigentes. Uma pena, mas ainda assim infinitamente melhor que acompanhar a saga dos personagens novelescos, que vivem num país onde se adora Brahma – calma, é o deus, não a cerveja. Are Baba!!!