Paladar

Guinness x Guinness: a nova, a velha e o duelo

18 março 2009 | 16:05 por Roberto Fonseca

Guinness Special Export

Guinness Draught

Ainda está se recuperando dos festejos do St. Patrick’s Day? Dê um peteleco no leprechaun sentado no seu ombro (que provavelmente deve estar rindo de seus eventuais excessos no consumo de Guinness) antes de continuar lendo.

Não raro somos atormentados durante o dia por inquietações existenciais da maior importância, que somos forçados a compartilhar com nossos iguais em busca de uma resposta. “Quem é mais boazuda? A Atriz da novela ou a ex-BBB da vez? (para ser politicamente correto, sou obrigado a citar que pode ser o “ator ou o ex-BBB também…santa chatice, Batman)”. “Qual carro é mais potente? A marca X ou a Y?” É provável que jamais saibamos a resposta, considerando que 99,99% dos meros mortais jamais testarão os carros X ou Y (nem conseguirão elementos, digamos, mais concretos para dirimir a outra dúvida hehehe). Já numa comparação de cervejas, a “prova dos nove”, o “quem tem mais café no bule”, “quem tem mais garafa vazia para vender” ou qualquer que seja o nome dado para a comparação direta, é mais simples.

E por que uma introdução tão bizarra? Porque, desde o final do ano passado, a Guinness Draught, a da latinha, do chopp ou da long neck, não é mais a única representante da célebre cerveja irlandesa por estas bandas. Depois de uma fugaz passagem pelo Brasil (lembro-me de vê-la em 2007, depois não mais), a Guinness Special Export voltou.

Trata-se de uma versão da Guinness engarrafada pelo fabricante irlandês para ser distribuída na Bélgica pela John Martin. Primeira e inevitável constatação: ela é mais cara do que a versão Draught (vendida no País pela Diageo): no site de vendas Nono Bier, custa R$ 19,75, contra, em média, R$ 9 da lata da outra versão. Também está à venda no Belgian Beer Paradise, mas não havia ninguém lá hoje (18) à tarde para informar o preço. A segunda constatação: a Special Export é bem mais alcoólica (vide a ficha).

Foi inevitável a tentação de comparar as duas cervejas, já fazendo as evidentes ressalvas na diferença de potência alcoólica. Esperava, porém, um ‘banho’ da Special Export, fazendo barba, cabelo e bigode. E foi um banho que eu quase levei, ao achar que a Guinness ‘belga’ devia ser servida da mesma forma que a Draught – fazendo ‘tchibum’ com ela no copo. Felizmente, deu tempo de sorver a espuma antes que transbordasse. Afinal, cada gota que fosse pelo ralo representaria uns bons centavos.

A Special Export foi, de fato, superior à Draught, claro, mas não em todos os quesitos. Senti falta de um aroma mais definido na Special, que é marca da Draught. Outra coisa que me chamou a atenção na versão “belga” da cerveja foi um certo “azedo” (o termo em inglês, sour, parece mais adeqüado, por ter significado não tão vinculado a um defeito). A primeira impressão foi de que a cerveja poderia estar estragada. Mas, ao ler o Great Beer Guide, do finado Michael Jackson, constatei que, ao mencionar a Guinness Foreign Extra Stout, ele cita que ela é “slightly soured”, para contrabalancear a força do malte e impedir que ela se torne “nauseante” (termo usado pelo próprio cervejeiro mestre, ou, em inglês, “cloying”).

Enfim, é uma cerveja assaz interessante. Mais ainda porque constatei, outro dia, que o estilo stout é bem pouco representado no Brasil. Temos a Baden Baden Stout – que faturou medalha de ouro no European Beer Star recentemente -, a La Brunette, da cervejaria gaúcha Schmitt, e a Coopers Best Extra Stout – além de uma ou outra ‘stout’ de baixa fermentação (historicamente, deveriam ser ales, ou de alta fermentação). Há as “primas” porters, mas bem que poderia haver mais diversidade no estilo. Seria uma ótima pedida se a Diageo trouxesse ao Brasil a Special Export ou a Guinness Foreign Extra Stout, para ampliar seu portifólio. E, de quebra, tentar baratear um pouco o preço da dita cuja.

SAIDEIRA: ST. PATRICK’S NOS SIMPSONS
Homer e o Vovê Simpson conhecem as maravilhas da cerveja irlandesa

O episódio desta semana dos Simpsons (que irá ao ar lá fora, excpecionalmente em primeira mão na Irlanda) vai homenagear o Saint Patrick’s Day. Com o título “Em nome do avô”, ele mostra Homer levando o pai à Irlanda para atender o desejo do Vovô Simpson em tomar uma última cerveja no bar de Tom O’Flanagan. Mas, quando chegam, descobrem que o bar fechou e os irlandeses se dedicam a outras atividades. Com isso, os Simpsons acabam comprando um pub. O resto, só vendo na TV.

Ficou com água na boca?