Paladar

Guitt’s Extra: intenção boa, resultado não muito

12 abril 2009 | 21:11 por Roberto Fonseca

Ficha Guitt's Extra

Água, malte, lúpulo e fermento. E só. Uma cerveja com apenas estes quatro ingredientes declarados é sinônimo de sucesso? Nem sempre. A nova receita da Guitt’s, cervejaria de Caieiras, chegou na minha mão, semana passada, com a propaganda de cerveja 100% malte. Embora os outros produtos da marca – a cerveja Guitt’s regular, uma malzbier e uma escura batizada de Zebu (um pouco menos doce que a malzbier) – tenham sido considerados experiências “únicas” por este humilde blogueiro (tomei uma vez e nunca mais), o espírito desbravador (ou degustador) me deixou bastante curioso sobre a nova “cria” da fábrica.

Confesso que não cheguei a ficar assim decepcionaaaado. A lógica é mais ou menos a mesma do futebol: se você torce para um time regular e ele vai disputar um clássico, a primeira expectativa, digamos, é não tomar um “nabo”, ou o famoso “chocolate”. O que vier além disso é lucro. No caso em questão, evidentemente não aguardava que uma Pilsner Urquell se materializasse no meu copo. Mas também não contava com uma conclusão tão rápida, tomada “pelo nariz”.

Tenho um problema sério com aromas de cerveja, em especial o das marcas industriais. Grosso modo, poderia dizer que se trata de um cheiro desagradável, que tende a aumentar conforme a cerveja esquenta (aliás, esse é um desafio para quem gosta das marcas “de sempre” estupidamente geladas: tente prová-la à temperatura ambiente; mas é bom ter reflexos rápidos heheheh). Até hoje, não sei bem o que provoca isso. Seria a química? Não parece ser nenhum defeito mais aparente (oxidação, com seu aroma e sabor metálicos; acético, com aquele cheiro de vinagre), mas é um elemento que passa bem longe do que deveria ter uma cerveja feita com malte pilsen, lúpulo, fermento e nada mais: aroma de grãos, biscoito, pão, o que seja. Mas não o que senti.

O sabor da Guitt’s Extra é um pouco melhor, onde o lúpulo ensaia fazer uma aparição discreta, mas logo desaparece. Cabe, aqui, uma pequena justiça à cerveja: ela não é pior do que a Brahma Extra, por exemplo, nem tantas outras marcas que abraçam a classificação “premium” (seja lá o que isso quer dizer em termos de receita de cerveja). Mas há outras cervejas puro malte por aí com qualidade consideravelmente melhor. Um bom (e curiosíssimo) exemplo provavelmente está a alguns metros de distância de onde nasce a Guitt’s Extra. No próximo post eu conto…

Ficou com água na boca?