Paladar

Köstritzer: abaixo as cervejas “docinhas”!

20 maio 2009 | 13:21 por Roberto Fonseca

Ficha Köstritzer

Sem rodeios, tenho de dizer que odeio cervejas do “estilo” malzbier como as encontradas em larga escala nos mercados. Primeiro, porque são indigestamente doces, sem o mais leve indício de uso de malte torrado em sua composição – a cor escura vem, geralmente, de caramelo de milho. Em segundo lugar, porque elas criam um “preconceito de cor”: “tem cerveja escura/preta? mas é docinha?”. Já ouvi isso mais vezes do que gostaria, e nem posso culpas os(as) autores da questão. Afinal, é a “tendência” dominante do mercado.

Ou era, espero. De 2007 para cá, o Brasil tem se tornado conhecido em produzir cervejas de coloração escura bem mais palatáveis, que ganharam prêmios no exterior. A Eisenbahn Dunkel (que, ao contrário do que diz o nome, é de fato uma representante do estilo schwarzbier) foi a primeira, e acabou seguida pela porter com café Colorado Demoiselle e a Baden Baden Stout. São cervejas que podem se orgulhar de sua “cor”, vinda do uso de maltes torrados. Inevitável usar o chavão “Black is beautiful” no caso.

Ficou com água na boca?

Mas enfim, escrevi tudo isso para chegar à ¨Köstritzer. E justamente porque essa cerveja alemã, nas palavras de Michael “não é o cantor” Jackson, finado crítico da nobre bebida, “teve uma grande influência na formação do paladar do tomador de cervejas alemão”. A cervejaria, fundada no Século 16, sobreviveu ao isolamento da antiga Alemanha Oriental – em grande parte devido à fama de ser uma cerveja “nutritiva” – e chegou a 1991 sendo produzida em quantidade tão pequena que muitos achavam que seria descontinuada. A queda do muro, porém, fortaleceu a cerveja, que até hoje é a mais conhecida representante do estilo naquele país. Reza a lenda que Goethe adorava uma Köstritzer – sua imagem já apareceu em alguns anúncios da cerveja. Quem sabe o poeta alemão não “inspire” os grandes produtores nacionais a colocarem no mercado uma cerveja escura que não seja “caramelo-dependente”…