Paladar

Mariwit, nascida em família

12 fevereiro 2010 | 11:25 por Roberto Fonseca

Ficha Mariwit

Entre produções de amigos, favoritas de toda hora e novidades para degustação, reconheço que há muita cerveja em casa. E, às vezes, faltam lugares escuros e relativamente secos para manter as garrafas por mais tempo. Recebi a Mariwit aí de cima na Brasil Brau, em meados de 2009, com a recomendação do Felipe Viegas, pai da criança: “Ela ainda não está carbonatada, é melhor esperar um tempinho antes de abrir”.

Mas o “tempinho” acabou virando um tempão. Estrategicamente posicionada no fundo do armário de panelas – um dos lugares mais intocados da casa, ou você acha que, chegando de madrugada, este que escreve ainda atacaria de mestre-cuca? -, a Mariwit permaneceu e carbonatou até o começo do mês, quando a resgatei para a degustação. Antes do copo, porém, o papo sobre a história da cerveja: mineiro, o Viegas trabalhava como representante de vendas de uma grande importadora em sua terra natal. Ao tomar contato com a “cena” cervejeira de lá, por volta de 204, porém, começou a correr atrás de mais informações sobre a bebida e, por tabela, resolveu produzi-la. “Aquele ‘trabalho’ foi se transformando para mim numa paixão, pois os caras degustavam e eu me encantava com aquilo tudo, era uma complexidade infinita e desafiadora… Foi aí que busquei contato com o Mauro Nogueira (da ACervA Carioca), e me inscrevi no curso que ele realiza”.

A primeira cria levou o nome de Felipale. “Era uma pale ale simples. Gostava de levá-la aos lugares e ver a reação das pessoas, queria saber se era palatável, ouvir conselhos, sugestões. Até que um dia cheguei no Frei Tuck (Slow Beer, em BH) e o meu amigo Luiz Flávio (Ferreira) me perguntou: Ah, trouxe uma Felipale aí pra gente degustar? Daí vieram os nomes das minhas cervejas”. A receita seguinte foi uma weiss, estilo favorito de Viegas, que homenageou a esposa e a batizou de CarolWeiss. Seguindo a regra, a produção seguinte foi a Strong Dark Ale Gran Paco, dedicada ao irmão Luiz Cláudio.

Por fim, chegou a Mariwit. “A fiz em homenagem à minha filhinha, Mariana, que faz um ano no final de fevereiro. Quando a Carol engravidou, logo com três meses já descobrimos que era uma menina. Já sabia que viria uma branquinha bem loirinha e consequentemente seria uma bebê cheirosinha, pelos cuidados da mãe. Busquei um estilo que traduzisse isto tudo e para variar cheguei numa cerveja de trigo, agora belga, bem ideal para ser a filha da Carolweiss”, afirmou. “Foram 6 meses de estudos e degustações, conversas com homebrewers amigos até chegar na receita que leva trigo malteado, trigo não-malteado, malte de cevada, casca de laranja seca, sementes de coentro e camomila para finalizar o aroma”. O aroma, de fato, é um dos atrativos da cerveja – mesmo quando a degustei na Brasil Brau, ainda não carbonatada. Também é consideravelmente refrescante, uma mão na roda nos últimos dias de calor intenso aqui em São Paulo. E, de quebra, uma maneira de tomar camomila bem mais prazerosa do que nos chás um tanto insossos (hehehe).

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