Paladar

Melhores de 2011, parte 39: Mauro Nogueira

23 janeiro 2012 | 22:22 por Roberto Fonseca

Mauro Nogueira (Foto: Arquivo pessoal)

Veja os votos de Mauro Nogueira, cervejeiro caseiro da Confraria do Marquês, do Rio de Janeiro (RJ):

Melhor lager nacional
Bierland Vienna. Tão boa e complexa que nem parece lager… Parabéns ao Mestre Dimmer e ao Feijão, que certamente deu coragem para ele pesar mais a mão na lupulagem!

Melhor ale nacional
Way American Pale Ale. Delícia de APA ! Provei pela primeira vez no Beer Experience e depois no Colarinho. Ouvi dizer que houve problemas numa última leva, mas deve ser mentira. A ousada Way e a galera do Paraná estão de parabéns.

Melhor lager importada para o Brasil
Harviestoun Schiehallion. Outra delícia de lúpulo.

Melhor ale importada para o Brasil
Kwak. Apesar de a minha inclinação atual ser o jeito americano de fazer cerveja, as belgas são inesquecíveis. E a Kwak é das minhas preferidas. Dica: as cervejas belgas normalmente têm 5 anos de validade, logo uma cerveja que vença em 2012 ou 13 já é bastante sofrida.

Melhor cerveja caseira
English Barley Wine campeâ do VI Concurso Nacional, do Fábio Krüger Laux. Bebi esta cerveja em Porto Alegre, no lendário Bierkeller, na companhia do Sady Homrich. Cerveja caseira feita com capricho, testada e aprovada pelo Concurso Nacional das ACervAs: tudo de bom. Acho que só tem lá no Bierkeller…

Melhor cerveja de 2011 (aqui ou lá fora)
Chimay Tripel, lá em Chimay. Que as cervejas trapistas são maravilhosas e as do mosteiro de Chimay, quase unanimidade, todo mundo sabe. Mas passar uma tarde linda de sol num biergarten na praça do centro de Chimay, bebendo a Tripel on tap na companhia da minha querida Lu, a FemAle Lu, com quem dei um rolê pela Belgica em outubro, é outra coisa.

Novidade do ano
Parceria da Confraria do Marquês com o Boteco Colarinho, com o lançamento da Hopium. Não podia deixar de puxar a brasa pra minha sardinha, né? Mas não é só isso. Modéstia à parte, a Hopium foi um grande sucesso. Foram mil litros que acabaram em pouco mais de 20 dias. Apesar de ser uma APA (american pale ale) bem lupulada, com single hop de Nugget (nota do blog: single hop, como sugere o nome, é quando apenas uma variedade de lúpulo é usada na receita), ela caiu no gosto de todo tipo de gente e foi o primeiro chope do Colarinho a sair mais que o de trigo, tradicionalmente campeão dos especiais. Vamos ver se ela emplaca na World Beer Cup.

Melhor fato cervejeiro
O encontro da ACervA Carioca com o casal Jorge e Circe Barbosa, cervejeiros octogenários que faziam e ensinavam a fazer cerveja no Rio na década de 80: emocionante. Um belo dia, recebi um telefonema dessa senhora, que me “prendeu” num longo e agradável papo, contando histórias da aventura de fazer cerveja em casa nos anos 80. Convoquei um ACervA na Praça (evento tradicional da Acerva Carioca) para darmos as boas vindas ao casal cervejeiro e o encontro foi marcante. Rolou até choradeira, da parte deles e dos que tiveram o privilégio de estar presentes nesse encontro mágico, em que nos vieram à flor da pele a emoção de fazermos algo tão bacana, as amizades e história que giram em torno da nossa brincadeira de fazer cerveja boa e com bons amigos.

Pior fato cervejeiro
A segunda negativa do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) para a DaDo Bier Double Chocolate Stout (nota do blog: cerveja da qual Nogueira participou da elaboração). A primeira negativa foi sabida por todos. O MAPA do RS negou o registro da DaDo DCS sob argumento de que cerveja não poderia ter leite entre seus ingredientes. Logo leite, a bebida que a gente dá para as nossas crianças… A Kopenhagen, nossa parceira na empreitada, produziu um chocolate sem leite, para fazermos a batelada seguinte. Mas mesmo com chocolate sem leite e agora sem um argumento muito concreto, o MAPA negou de novo a autorização para a DCS. De qualquer maneira, não desistimos. Um dia ela sai… Enquanto isso, a vitória é da burocracia…

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