Paladar

Melhores de 2011, parte 5: Paulo Dalla Santa

05 janeiro 2012 | 14:22 por Roberto Fonseca

Paulo Dalla Santa (Foto: Arquivo pessoal)

Veja os votos de Paulo Dalla Santa, atual presidente da Associação de Cervejeiros Artesanais do Rio Grande do Sul (Acerva Gaúcha):

Melhor lager nacional
Pelo produto e pela iniciativa, a Heilige/Seasons Oktoberfest, primeira receita colaborativa feita por duas cervejarias brasileiras. Também serviu como cerveja de protesto pelo fato da única micro de uma cidade germânica no interior do RS (Santa Cruz do Sul) ser impedida de participar da Oktoberfest local por causa do dinheiro das grandes.

Melhor ale nacional
Não é lançamento de 2011, mas a Eisenbahn Weizenbock foi a cerveja que mais frequentou minha geladeira no último ano. Uma cerveja deliciosa e complexa, produzida com consistência e que tem um custo/benefício imbatível.

Melhor lager importada para o Brasil
Brooklyn Lager. De sabor marcante e, ainda assim, refrescante e fácil de beber. Melhor ainda porque pode ser encontrada com facilidade nos supermercados aqui de Porto Alegre.

Melhor ale importada para o Brasil
Essa é a mais difícil de responder, porque são muitas as cervejas que poderiam ser citadas. Sei que é um clichê colocar cerveja trapista entre as melhores, mas eu sou fanático pela Achel Brune.

Melhor cerveja caseira
Não consegui viajar muito no ano que passou, por isso, tive acesso a poucas cervejas caseiras de fora do RS. Aqui em Porto Alegre provei boas receitas produzidas na “Caverna dos Ogros”, um clube de homebrewers que leva a cerveja bastante a sério. Se for para citar uma em especial, fico com a barley wine dos irmãos Rafael e Daniel Diefenthäler.

Melhor cerveja de 2011 (aqui ou lá fora)
Labyrinth Black Ale, da Uinta Brewing (EUA). Uma imperial stout trazida ao Brasil pela “missão” da Brewers Association (entidade que reúne micros norte-americanas). Possui um equilíbrio inacreditável para uma cerveja tão escura e com tanta potência alcoólica. Para mim, surpreendente. Como homebrewer, tentar reproduzi-la nas minhas panelas tem sido um grande (e produtivo) desafio.

Novidade do ano
O início da articulação política das cervejarias. Para um setor que sempre aparentou ser bastante acomodado, com certeza essa foi uma boa novidade em 2011. Embora ainda não tenha sido constituída uma representação nacional na forma de pessoa jurídica, a movimentação realizada em 2011 pode ser o início de uma nova realidade para as cervejarias nacionais e para aqueles que desejam empreender nesse ramo. Vamos torcer para que não seja fogo de palha.

Melhor fato cervejeiro
O “boom” na oferta de cervejas (nacionais e importadas) no mercado brasileiro. Já não está fácil acompanhar o rítmo dos lançamentos.

Pior fato cervejeiro
O infeliz artigo “A estranha obsessão brasileira pelo BJCP” (Beer Judge Association Program, que publica diretrizes dos estilos cervejeiros). Não necessariamente pelo texto, em si, mas porque o considero representante de uma conjuntura confusa estabelecida no cenário cervejeiro nacional, onde parece não ficar claro o papel que cada um tem. Em 2011 vimos homebrewers fazendo papel de cervejaria, curiosos bancando experts com seus cursos caça-níquel e blogs “especializados”, gente que não faz cerveja querendo ditar rumo para as Acervas, micros nascidas para imitar as grandes, sommeliers rebelando-se contra o BJCP, sem falar dos oportunistas e aproveitadores atacando por todos os lados. Tudo isso hiperpotencializado pelas mídias sociais.

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