Paladar

Melhores de 2012, parte 22: Glauco Caon

14 janeiro 2013 | 21:00 por Roberto Fonseca

Foto: Guilherme Caon/Arquivo pessoal

 

Glauco Gaon, da Anner Cervejas Especiais, de Porto Alegre (RS):

1) MELHOR ALE NACIONAL

Meu destaque foi a Pampeana, quadrupel com gruit produzida em conjunto pelas cervejarias Lagom, BaldHead, Seasons e Anner para a comemoração dos 2 anos de aniversário do Lagom Brewpub. O processo de escolha do gruit, com a troca de experiências entre as cervejarias, foi uma das coisas mais legais que vivi este ano.

2) MELHOR LAGER NACIONAL

Gostei demais da Export da Santaclaus, cervejaria do Thiago Santos de Viamão (RS). Fiquei impressionado com a qualidade das cervejas que experimentei. Grande novidade.

3) MELHOR ALE IMPORTADA

Anderson Valley Hop Ottin’ IPA. Excelente cerveja, pois foge do “lúpulo pelo lúpulo” que eventualmente encontramos em IPAs. É uma lupulagem intensa, mas que compõe com a cerveja.

4) MELHOR LAGER IMPORTADA

(não indicou resposta)

5) MELHOR CHOPE

Columbus IPA do Lagom Brewpub. IPA que destaca as qualidades do Columbus, lúpulo de que sou fã.

6) MELHOR BAR CERVEJEIRO

Lagom Brewpub Moinhos. Para aumentar a quantidade de torneiras que já cresce vertiginosamente em Porto Alegre, este bar ainda traz 12 torneiras próprias e mais 18 com cervejas nacionais e internacionais clássicas e cervejarias locais.

7) MELHOR CERVEJA CASEIRA

Felizmente essa é difícil de escolher, pois temos a KGB do Guenther Sehn, a IPA do Wagner Sarmento, as loucuras psicodélicas do Tiago Ghener da Sideral e a ESB do Léo Ponso. Mas como tenho que escolher uma, fico com a Bryen IPA, do Luiz Balbinot. IPA com centeio espetacular dedicado ao filme “A Vida de Brian” (Bryen é um trocadilho de rye [centeio] com Brian), do Monty Python.

8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA

Isso depende muito de como estou no dia, portanto não vou opinar.

9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO

Os rótulos do projeto do Gustavo Bife Fernandes chamado “Cervejaria República”. Há vários motivos, dentre os quais ousarem em um design que não imita o design de rótulos já batidos de cervejas alemãs/americanas/inglesas; utilizarem um nome em português, que considero fundamental em uma cervejaria brasileira; se propor a contar uma realidade que faz parte de sua história, colocando o nome de cada estilo produzido (no caso personalidades da história brasileira como ‘Floriano Peixoto’, ‘Deodoro da Fonseca’). Enfim, dar uma cara brasileira, criativa e moderna para a cerveja daqui.

10) NOVIDADE DO ANO

Para mim, que estou finalizando o pós-doutorado com novos fermentos cervejeiros e características bioquímicas da cerveja em um projeto conjunto da Bioquímica da UFRGS com a Microbiologia da PUCRS, foi o aparecimento de grupos de pesquisa sobre cerveja nas universidades brasileiras, sejam elas de design, gastronomia, microbiologia, bioquímica, história e assim por diante. É bem verdade que algumas existem desde antes de 2012, mas a pesquisa é uma das atividades que temos que pensar seriamente se um dia quisermos fazer um estilo de cerveja realmente brasileiro, seja desenvolvendo novos insumos, criando alternativas de produção para redução de custos ou publicando informações que permitam que de cervejeiros caseiros até mega corporações melhorem seus produtos. Acredito que só assim seremos reconhecidos como força cervejeira mundial, tendo opções criadas e desenvolvidas aqui.

11) MELHOR FATO CERVEJEIRO

A redução de impostos estaduais assinada pelo governador Tarso Genro no RS e, principalmente, a mobilização da AGM na figura do seu diretor, Jorge Gitzler, e seus associados, que correm insistentemente, incomodam assessores e não desistem desta luta.

12) PIOR FATO CERVEJEIRO

Como todos citarão os impostos (acredito eu), vou aproveitar e falar também da falta de criatividade das cervejarias brasileiras. Entendo que em um primeiro momento, quando estávamos ainda inseguros de como seria a aceitação do mercado para nossas cervejas especiais, colocar nomes estrangeiros em nossas fábricas ajudaria o consumidor a associar o produto feito aqui com o de fora, uma referência de qualidade. Mas agora a realidade é outra. E é curioso que não se aproveite toda a riqueza cultural brasileira, nossa realidade, nossa história, nosso dia a dia, para se criar uma identidade brasileira da cerveja, que fale português. Juntar a pesquisa com esta identidade nos tornará mais visíveis no cenário mundial, e não imitações de cervejarias inglesas/alemãs/americanas/belgas… Já temos que produzir os estilos criados por eles por falta de insumos próprios. Não precisamos imitá-los também na questão da concepção e identidade da cerveja.

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