Paladar

Melhores de 2012, parte 47: André Cancegliero

23 janeiro 2013 | 09:00 por Roberto Fonseca

Foto: Arquivo pessoal

André Leme Cancegliero, da Cervejaria Urbana e um dos organizadores do Beer Experience, de São Paulo (SP):

1) MELHOR ALE NACIONAL

Wäls Petroleum. Acredito que a união de uma microcervejaria e uma cervejaria caseira não poderia ter dado um resultado melhor. Uma das melhores cervejas caseiras feitas no Brasil produzida por uma das melhores microcervejarias da América Latina. Torço (isso é até meio óbvio) para que isso se torne cada vez mais comum, pois os cervejeiros caseiros têm muito a oferecer ao mercado. Muitas cervejas de extrema qualidade ainda não têm uma micro para produzi-las.

2) MELHOR LAGER NACIONAL

Way Amburana Lager. Optei por essa cerveja pela inovação e pela escolha de uma madeira nativa para fazer a maturação. Acredito que esse seja o caminho para criarmos uma identidade brasileira para nossas cervejas.

3) MELHOR ALE IMPORTADA

Duchesse de Bourgogne. Acredito que essa cerveja seja um divisor de águas para nosso mercado: mostra uma certa maturidade. Já é possível importar cervejas tão distintas e exóticas como esta, pois o mercado já as absorve. Hoje existe um público aqui no Brasil que se interessa por esse tipo de cerveja.

4) MELHOR LAGER IMPORTADA

A Schiehallion, que pelos últimos 3 anos é a melhor lager importada, sem dúvidas. Uma cerveja perfeita.

5) MELHOR CHOPE

O melhor chope do ano fica com a Hi-5 da 2Cabeças, com um aroma espetacular. O Bernardo e o Saulo acertaram a mão nessa cerveja, sem contar que é mais uma história de sucesso de cervejeiros caseiros.

6) MELHOR BAR CERVEJEIRO

Essa é difícil, mas não tem muito jeito de votar em outro que não seja o EAP (Empório Alto dos Pinheiros). Com suas 31 torneiras esse ano, fica difícil a comparação com qualquer outro bar. Mas temos muitos outros lugares que estão fazendo um trabalho excelente, como Cervejoteca, Frangó, Aconchego Carioca SP, Ciao Vino e Birra.

7) MELHOR CERVEJA CASEIRA

As melhores cervejas caseiras do ano, na minha opinião, são a Cafusa, da Três Pontas, e a Cat in The Box Oak Aged, da Urbana. Isso sem contar todas as outras ótimas cervejas que tomei esse ano; foram muitas memoráveis, de cervejeiros caseiros como Amilcar Parada, Phil Zanello, Fred Ming, Fabio Tonetti, Sylas Rocha, Rogério Sventkauskas e muitos outros.

8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA

Aqui, Wäls Petroleum; lá fora, New Glarus Raspberry Tart, uma das melhores cervejas que já tomei na vida. Essa última tem um aroma que, de cara, já promete muito e, na boca (parafraseando o Paulo do EAP), é uma explosão de sabores, que mostra de onde veio o nome. Muita potência de malte, dando um corpo extremamente denso à cerveja, o que nos faz lembrar a massa da torta, equilibrado pela adição de raspberry, uma frutinha bem ácida. Só experimentando mesmo para entender o que é essa cerveja.

9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO

Vou puxar a sardinha para o meu lado nessa. Eu acho o rótulo da Cat In The Box um dos mais bonitos feitos no Brasil esse ano. O mercado precisa melhorar muito nesse sentido. Precisa-se entender que, para o leigo ou o marinheiro de primeira viagem (a maioria), o rótulo é um convite a provar sua cerveja; portanto, é muito importante que ele faça jus à qualidade da cerveja que tem dentro da garrafa. Não adianta ter a melhor cerveja do mundo sendo que o convite a bebê-la não convence.

10) NOVIDADE DO ANO

Como cervejeiro caseiro e dono de loja de materiais para caseiros, com certeza digo que a novidade do ano foi a maior disponibilidade de fermentos líquidos no mercado. Acho isso muito importante para a produção caseira de cerveja, pois possibilita que um número maior de estilos seja feito, alguns pouco apreciados por aqui como berliner weisse, por exemplo.

11) MELHOR FATO CERVEJEIRO

Tivemos muitos fatos positivos, mas acho que o show dos Raimundos no Beer Experience foi o ponto alto do meu ano. Foi durante as duas últimas horas, depois de muito trabalho, que pude realmente curtir cerveja e música. Os dois dias de festival exigiram de todos os envolvidos um trabalho árduo, desde passar 3 dias acordado direto até recolher 1 tonelada de alimento às 8 da manhã de domingo (só eu e minha esposa!!!) Mas valeu, faremos tudo de novo este ano!

12) PIOR FATO CERVEJEIRO

Acho que o pior fato cervejeiro do ano foi a interpretação equivocada do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) com relação à participação de cervejeiros caseiros em eventos e até mesmo organização de eventos voltados para os cervejeiros caseiros no Brasil. Em dezembro, pretendíamos realizar mais um Homebrew Experience (que na sua primeira e, por enquanto, única edição foi um sucesso), mas infelizmente não pudemos, pois não fomos autorizados pelo ministério.

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