Paladar

Melhores de 2012, parte 48: Marco Falcone

23 janeiro 2013 | 14:30 por Roberto Fonseca

Foto: Arquivo pessoal

Marco Antonio Falcone, sócio da cervejaria Falke Bier, de Ribeirão das Neves (MG):

1) MELHOR ALE NACIONAL

Green Cow da Seasons, de Porto Alegre, uma IPA que saiu do lugar comum, totalmente inovadora, saborosíssima.

2) MELHOR LAGER NACIONAL

Falke Diamantina, em uma nova leitura, uma receita que vem se aperfeiçoando há mais de três anos, desde que começou com o título de Falke F5. O nome da cerveja, que é do estilo bohemian pilsner, é uma homenagem à cidade de Diamantina (MG), que tem suas ruelas muito semelhantes às da cidade de Praga, capital da República Checa, ao mesmo tempo em que homenageia o presidente Juscelino Kubitschek, nascido na cidade, descendente de checos. Puro malte, com uso de lúpulo Saaz bem fresco, tem sido uma verdadeira delícia.

3) MELHOR ALE IMPORTADA

A italiana Extraomnes Tripel; como é difícil de encontrar, indico também a Gouden Carolus Cuvee Van de Keizer.

(nota do blog: a Extraomnes não tem importação oficial para o Brasil)

4) MELHOR LAGER IMPORTADA

A vienna lager da Brooklyn, simples e saborosa.

5) MELHOR CHOPE

Vou dar mais uma patriotada aqui, mas o chope Falke Red Baron (vienna lager) tem sido campeoníssimo e batido todas as marcas nos bares de cultura cervejeira de Belo Horizonte.

6) MELHOR BAR CERVEJEIRO

Reduto da Cerveja 3, em BH. Abriu há pouco mais de três semanas com 18 bicos de chopes especiais, devidamente acondicionados em câmara fria. Imperdível. Mas tenho que render homenagens ao CCCP, ao Adriano Imperador da Cerveja, Seu Romão Cervejaria, Rima dos Sabores, Mello Pizzaria e Cervejas Especiais, Empório Serafina, Stadt Jever, Ali Babar, Obardô, Haus Munchen, Paladino, Bené da Flauta em Ouro Preto, casas que têm levado a termo a revolução cervejeira em Minas. Fora de Minas, tenho que citar o Aconchego Carioca, o Boteco Colarinho e o Café Delirium no Rio, o Aconchego e o Empório Alto dos Pinheiros em SP e o Agripina em Brasília. Em Goiânia há o Belgian Dash; em Porto Alegre, o fantástico Bier Keller, o Bier Markt, o Lagom, o Apolinário; e, em Floripa, a gloriosa Academia da Cerveja.

7) MELHOR CERVEJA CASEIRA

A fantástica Cerevisiae Lundii, do Humberto Ribeiro, da Companhia Cervejaria do Jambreiro. Tem um toque de doce de leite e foi 1º lugar no Concurso de Cervejas de Escola Mineira.

8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA

Wäls Petroleum, não só pelo seu caráter espetacular de aromas e sabores, mas pela continuidade obtida ao reproduzir uma receita homebrew do pessoal da DUM. Temos, na minha opinião a melhor russian imperial stout do mundo.

9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO

Voto no Amazon Beer Forest Pilsen.

10) NOVIDADE DO ANO

O advento do projeto Inovação Tecnológica – Desenvolvimento da Levedura Brasileira -, da Universidade Federal de Ouro Preto em parceria com a Falke Bier e com apoio do CNPq, para a criação leveduras brasileiras. Elas foram escolhidas entre 201 amostras de leveduras utilizadas na produção de cachaças, coletadas em vários Estados do Brasil, que culminaram em amostras viáveis tanto na família lager como na ale, com resultados científicos que serão brevemente divulgados. Mas já adianto que são ótimos os avanços.

11) MELHOR FATO CERVEJEIRO

O desenvolvimento de cervejas colaborativas, como a da Wäls, de Belo Horizonte, com a Brooklyn, de Nova York, e também outra cerveja, a 42, com os funcionários do Google. Penso que, nesta colaboração, está o futuro da expansão das cervejas especiais no mundo. Tenho de frisar também o crescimento da literatura cervejeira; tivemos “A Mesa do Mestre-Cervejeiro”, do Garrett Oliver, em português, lançado pelo próprio no Brasil. Tivemos, também no 2º semestre, o “Filosofia de Botequim”. Destaco ainda o excelente “Cervejas, Brejas & Birras”, do Maurício Beltramelli, provavelmente o que de melhor já foi escrito sobre cervejas por aqui. Literatura absolutamente obrigatória. Não posso deixar de citar, ainda, a aproximação com o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), que certamente irá gerar dias cervejeiros melhores para nosso setor.

12) PIOR FATO CERVEJEIRO

Apesar de alguns afirmarem que é “coitadismo” a reclamação, só quem veste a pele de um microcervejeiro pode afirmar: política tributária.

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