Paladar

Melhores de 2012, parte 64: Daniel Draghenvaard

28 janeiro 2013 | 21:00 por Roberto Fonseca

Foto: Arquivo pessoal

Daniel Gontijo Draghenvaard, produtor de hidromel e cerveja da Smedgård e vice-presidente da Acerva Mineira, de Belo Horizonte (MG):

1) MELHOR ALE NACIONAL

Colorado Vixnu. Imperial IPA que se destacou tanto em garrafas quanto em chope. Cerveja forte, lupulada tanto em amargor quanto em aroma – um amarillo bombástico – muito bem elaborada. A combinação dos maltes, da rapadura e da potência dos lúpulos criou uma grande receita. A primeira vez que a bebi foi no Biergarten em Nova Lima, e teve uma fila colossal para conseguir pegar um copo do chope, que logo se esgotou! Parabéns ao Marcelo, ao Patrick (Zanello), ao João (Becker) e à equipe da Colorado por esta obra-prima.

2) MELHOR LAGER NACIONAL

Amburana Lager, da Way Beer. Grata surpresa pela utilização de madeira nacional em seu processo de envelhecimento.

3) MELHOR ALE IMPORTADA

Achei interessante várias da Mikkeller, Brewdog e Rogue chegarem com abundância ao Brasil. Lastimável que sejam excessivamente caras, cerca de 3 a 4 vezes o preço de mercado em seus países de origem. Não querem que compremos várias vezes, querem vender uma vez só.

4) MELHOR LAGER IMPORTADA

Samichlaus, da Schloss Eggenberg. Sempre perfeita e única. No meu gosto de cerveja, está entre as melhores lagers do mundo, por sua proposta, complexidade de aromas e sabores, força alcóolica e extensivo processo executado até alcançar o produto final.

5) MELHOR CHOPE

Black Bird da Cervejaria Küd de Nova Lima (MG), pela inovação e pela proposta de lançar comercialmente o primeiro chope do estilo black IPA no Brasil. ABV na faixa de 8%, maltado, lupulagem bem mensurada, tanto em amargor quanto aroma, drinkability incrível. Keep rocking!

6) MELHOR BAR CERVEJEIRO

Vila Dionísio em Ribeirão Preto (SP). Um local que conseguiu uma combinação bacana para a noite: muitas torneiras de variados chopes, cervejas, shows de rock, blues e jazz, excelente comida, preços módicos e presença garantida de grandes “Kamaradas”! 🙂

7) MELHOR CERVEJA CASEIRA

Impossível escolher uma! Caseiros sempre fazem cervejas excelentes e criativas. Bebi preciosidades no Concurso Nacional em Piracicaba: Alguns tipos de doppelbock, peat smoked ale, smoked porter etc. Além da tripel de pimenta da Vilã (Armando Fontes), a Black IPA da Alfre Beer (Alan e Fred) e a Skolat Noir da La Roche Sarsgaard (Pablo Carvalho).

8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA

Stronzo Honey Badger, double imperial honey stout, ABV 18%. Cerveja que conheci em agosto de 2012 no Festival Gastronômico de Copenhague. Reúne características de que gosto muito: álcool intenso, muito mel, maltada ao extremo, torrefada, amargor forte, licorosa, herbal, frutada e equilibrada! Mais um exemplar nórdico que deixou pra trás com folga as réplicas de cerveja padrão “à la BJCP”.

9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO

Sylter Hopfen, da Westindien. Rótulo que foge do lugar comum dos de cerveja e dos designs arrojados da moda atual. Conseguiu criar um conceito para um produto diferenciado.

10) NOVIDADE DO ANO

Não existirá novidade no setor cervejeiro enquanto o Brasil for um país totalmente amador e incoerente em sua legislação. Despreparo dos fiscais e legisladores em relação ao mercado, tributos abusivos, falta de clareza nos critérios referentes à aprovação de novos produtos – a instrução normativa tem indicadores de ter sido feita sem planejamento e se mostra completamente desatualizada em relação ao resto do mundo e, para piorar, está amarrada ao Mercosul -, contradições na comercialização de cervejas nacionais e importadas no aspecto de insumos de origem vegetal e animal et cetera. Melhor parar por aqui…

11) MELHOR FATO CERVEJEIRO

Vários fatos em paralelo que contribuem para a evolução do setor no Brasil, como redução da alíquota de ICMS de 25% para 12% para microcervejarias no Rio Grande do Sul; aproximação da Acerva-MG com o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) com propósito de criar uma relação transparente, de cooperação e de motivar o interesse por este orgão pela revisão da legislação cervejeira em vigor; promulgação da Lei Pró-Artesão em Nova Lima-MG, que permite a cervejeiros caseiros legalizarem suas produções com alvará da prefeitura e registro no MAPA; amadurecimento das Acervas no Brasil, que gera cooperação e discussão de novas idéias e novos rumos para o setor.

12) PIOR FATO CERVEJEIRO

A “glamourização” excessiva e chata da cerveja por algumas pessoas e cervejarias, aliada aos altos preços para o consumidor final. Cerveja sempre foi o pão líquido das massas em todas regiões do mundo ao longo da história. No Brasil, a história parece estar sendo diferente.

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