Paladar

Melhores de 2012, parte 70: José Padilha

30 janeiro 2013 | 21:30 por Roberto Fonseca

Foto: Arquivo pessoal

José Raimundo Padilha, beer sommelier e autor do site Sommelier de Cervejas, do Rio de Janeiro (RJ):

1) MELHOR ALE NACIONAL

A Wäls Petroleum é a cerveja que está chamando mais a atenção entre as especiais brasileiras. Desde que o cervejeiro caseiro Murilo Foltran me apresentou sua criação, em junho de 2011, soube que estava diante de uma das melhores cervejas que eu já havia experimentado. A comprovação veio ano passado, com a iniciativa da Wäls em lançar a cerveja e a premiação máxima na South Beer Cup.

2) MELHOR LAGER NACIONAL

A Falke Bier Ouro Preto continua sendo uma das minhas cervejas prediletas. Harmonizada com um bom gorgonzola, ela surpreende ainda mais.

3) MELHOR ALE IMPORTADA

A belga Blanche de Bruxelles é uma fundista entre as importadas. Não saiu disparada na frente, mas também não ficou pelo caminho. Apesar de witbier ser um estilo que algumas pessoas acham enjoativo, ela não enjoa nunca. Tenho sempre na minha geladeira.

4) MELHOR LAGER IMPORTADA

Brooklyn Lager, do mais novo mineiro de New York, mr. Garrett Oliver. A escolha perfeita para harmonizar com um belo e suculento hambúrguer.

5) MELHOR CHOPE

Colorado Vixnu ganhou disparado em 2012. Além de ser uma cerveja deliciosa, sua versão na torneira confere suavidade aos 9,5% de álcool da receita, aumentando em muito a sua capacidade de refrescância. Foi lançada no Rio em pleno verão e virou um hit desde o primeiro gole.

6) MELHOR BAR CERVEJEIRO

Tenho que destacar o Hop’n Roll, de Curitiba, pela sua inovação em criar um espaço onde qualquer um pode chegar e fazer a sua própria cerveja. Mas o meu voto vai para o Delirium Café, do Rio de Janeiro. Além de ganhar todos os anos o título de Melhor Carta de Cervejas do Rio, o gerente do Delirium é o profissional mais antigo trabalhando com cervejas especiais na cidade. Os donos investem pesado em importação e agora criaram a Delirium Akademie, com foco em educação cervejeira. Mais que um lugar de boas cervejas, é um espaço onde se respira cultura cervejeira.

7) MELHOR CERVEJA CASEIRA

Com certeza foi a Smedgard Minas de Ferro, uma legítima Dark Gruit Ale, cerveja feita sem lúpulo, do cervejeiro mineiro Daniel Gontijo Draghenvaard. Ela leva 7 maltes, foi maturada 5 meses em madeira sucupira e utiliza infusões de sálvia, artemisa e guaco para conferir amargor.

8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA

Para mim, foi a Blues Etílicos Hellbier, pela estupenda drinkability que ela apresenta. Uma cerveja de qualidade para beber em grandes quantidades, sem enjoar. É uma munich helles, mas com adição de lúpulos americanos, conferindo um toque floral e cítrico muito marcante e agradável. Se harmonizada com o petisco Deixa Arder, do Aconchego Carioca, é uma covardia com o paladar.

9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO

Os rótulos da Cervejaria Urbana merecem destaque, mas o meu voto vai para a linha Fora de Série da Coruja por ter os rótulos mais artísticos e bonitos do mercado: Baca, Labareda e Coice.

10) NOVIDADE DO ANO

O fato da tradicional importadora de vinhos Interfood ter conquistado a exclusividade da importação do portifólio da cervejaria belga Duvel Moortgat foi uma surpresa positiva para todos. São diversas marcas de grande qualidade que agora terão uma melhor distribuição. Isso é bom para todo mundo.

11) MELHOR FATO CERVEJEIRO

A união da Grimor, Jambreiro e Vinil na Cervejaria Inconfidentes foi uma vitória para o mercado cervejeiro, porque mostra novas formas de associação que podem ajudar a deslanchar e profissionalizar muitos pequenos produtores caseiros que querem entrar no mercado formal.

12) PIOR FATO CERVEJEIRO

Apesar dos avanços na aproximação do mercado das especiais com o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), faço coro com todos que votaram no aumento dos impostos como o pior fato. As autoridades precisam acordar para a importância da cerveja artesanal – inclusive para o seu potencial de fazer as pessoas beberem moderadamente – e estabelecer critérios de diferenciação entre as microcervejarias e as gigantes do setor.

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