Paladar

Melhores de 2012, parte 76: Paulo Leite

01 fevereiro 2013 | 21:00 por Roberto Fonseca

Foto; Arquivo pessoal

Paulo Leite, sócio do Empório Sagarana, em São Paulo (SP):

1) MELHOR ALE NACIONAL

Wäls Petroleum. Mas o fato de ter tomado uma Colorado Ithaca em 2012 e ter sido maravilhoso merece ser considerado também.

2) MELHOR LAGER NACIONAL

Por várias razões, eu não posso deixar de chamar atenção para toda a linha da Cervejaria Abadessa. As cervejas são muito bem feitas, isso é inquestionável! Mantêm o mesmíssimo padrão nestes quase 3 anos que trabalho com elas. E pelo cuidado com a logística e com a sustentabilidade, este é um ótimo espaço para parabenizar o Schumacher (cervejeiro) e o Fábio (distribuidor) pelo trabalho exemplar. De toda a linha, meu voto vai para a Abadessa Dunkles.

3) MELHOR ALE IMPORTADA

Fiquei muito surpreso e feliz com a chegada da Duchesse de Bourgogne por aqui. Tive problemas com o meu estoque de Mikkeler Boogoop (eu não conseguia parar de bebê-las). Sou apaixonado pela simplicidade da Rogue Chatoe Single Malt. Não posso deixar de escrever aqui cervejas como a Bush Nuit e Cuvée de Ranke… São muitos rótulos bons! Mas vou escolher um rótulo muito esquecido pelo público geral, Birrificio Del Ducato La Luna Rossa, a melhor kriek que eu já provei.

4) MELHOR LAGER IMPORTADA

Agora eu fico dividido entre alguns rótulos. A Brooklyn Lager é a primeira que me vem a cabeça… Gostosa, equilibrada e barata. A Donder & Bliksem da De Molen também é uma delícia, mas, ao contrario da Brooklyn Lager, é muito cara. Também este ano também tivemos o prazer de receber a Ayinger Celebrator, que é demais. Agora deixar a Harviestoun Schiehallion sem essa medalha é complicado. E deixar de mencionar a Christoffel Nobel também é complicado. Vai, Harviestoun Schiehallion!

5) MELHOR CHOPE

Este ano eu quase não bebi chope… Tomei um Lucifer que estava bem fresquinho, muito gostoso. Mas o meu voto vai para o memorável, bom e velho chope Guinnees.

6) MELHOR BAR CERVEJEIRO

É o bar do Sr. Zé Arvino. Apesar de não ser um bar com uma boa seleção de cervejas, eu acredito que o que faz um bom bar não são apenas os produtos, muito pelo contrário. Este bar tem o poder de encantar qualquer cervejeiro.  Fica numa cidadezinha chamada Gaspar Lopes, que há pouco tempo atrás era distrito de Alfenas, minha terra natal. É o lugar onde busquei inspiração pra montar o Sagarana. O buteco/armazém do seu Zé Arvino vende de tudo. De enxada a sabão de coco, passando por sacos de milho, feijão e farinha a chinelas havaianas (das antigas) e discos de arado. Resistência para chuveiro, veneno pra rato, barbeador, CD pirata e coca cola de garrafa retornável.

Lá só tem porção de mortadela, que é fatiada na hora e temperada com limão que você tem de colher no pé – que fica ao lado da porta de entrada – se quiser temperar, é claro. Não tem banco  nem cadeira. É um balcão de uns oito metros e só. “Lá, só se bebe de pé”. E isso me fez lembrar Marcelo Câmara que dizia que “para apreciar uma cachaça era preferível que ela fosse bebida de pé”, em seu livro “Bebendo e Aprendendo”.

Salve o Sr. Zé Arvino.

7) MELHOR CERVEJA CASEIRA

Continua no topo da minha lista a Bucanero, da Cervejaria Corsário. Uma imperial stout com adição de chocolate com 70% de teor de cacau e pimenta. Este chocolate é colocado depois da fermentação. Por isso, ele compõe a cerveja e fica muito presente. Leva também na receita licor de cacau do Flávio Frederico, uma espécie de pré-chocolate. E, como se não bastasse, ainda vai café 100% arábica. É uma explosão de sabores. Mais encorpada que a Wäls Petroleum. Coisa pra poucos… Numa degustação, certa vez, colocamos uma dose de uma fina cachaça envelhecida em carvalho. O que já era potente ficou superpotente. Foi uma agradável aventura. Ai que saudade…

8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA

Magic Ghost da Cervejaria Fantome, uma saison composta com chá verde. Tem uma fina e densa carbonatação, uma coloração verde opaca, com aromas delicados e sutis. Estou sonhando com sua chegada ao Brasil.

9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO

Mikkeler Boogoop e Birrificio del Ducato L’Ultima Luna. Os rótulos da Bodebrown também estão incríveis.

10) NOVIDADE DO ANO

É uma opinião muito pessoal. Mas pra mim a novidade do ano foi abrir um novo Sagarana na Vila Madalena e turbinar o da Vila Romana. Juntamente com os Lamas (importadores de insumos para produção de cervejas) e a Cervejaria Corsário, temos planos de transformar o Sagarana num beershop e intensificar nosso trabalho com o cervejeiro. Teremos uma redução de custos na aquisição de insumos e equipamentos já trabalhados pelos Lamas (agora sem frete) e estamos criando cursos diversos relacionados a produção de cervejas. Foi tudo fechado em 2012, e 2013 promete. Aguardem!

11) MELHOR FATO CERVEJEIRO

Oktoberfest SP, lá no Anhembi, pra mostrar com grande visibilidade que as promoções cretinas da Ambev e os seus piores produtos podem ser muito mais desagradáveis do que aparentam ser. Pessoas, abram seus olhos! Ambev, tente outra fórmula, esta já não cola mais. Agora falando sério mesmo, a Beer Jam foi um bom fato cervejeiro. É o primeiro evento que reúne arte e cultura com boas cervejas e preços populares.

12) PIOR FATO CERVEJEIRO

Não quero me estender porque sei que vou falar mais do que devo. Mas, de maneira geral, a logística capengou este ano, principalmente quando transportando cervejas vivas. Deixamos de trabalhar com um rótulo após uma garrafa dele explodir na mão quando foi retirada da caixa. A cerveja que deveria estar a 5,6,7,8 graus, estava a 28 numa quente tarde… o que deveria estar vivo estava na UTI, semi-morto. Outro frequente problema acontece com importadoras que contratam transportadoras (despreparadas) para transportar cervejas. As caixas são maltratadas e os horários de entrega são quase sempre descumpridos.

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