Paladar

Melhores de 2012, parte 84: Humberto Mendes

04 fevereiro 2013 | 14:30 por Roberto Fonseca

Foto: Estúdio Mangabeiras

Humberto Ribeiro Mendes, presidente da Acerva Mineira e cervejeiro da Jambreiro, uma das integrantes da Cervejaria Inconfidentes, em Nova Lima (MG):

1) MELHOR ALE NACIONAL

Seasons Green Cow. Essa cerveja é realmente fenomenal! Excelente equilíbrio de maltes e lúpulos; é a grande responsável pelo surgimento de novos lúpulomaníacos.

2) MELHOR LAGER NACIONAL

Grimor nº21, a lager com rosas e hibisco da Grimor, uma das Cervejarias Conjuradas que compõem a Inconfidentes. Agora que não é mais caseira, posso votar nessa cerveja na categoria profissional. Bastante refrescante, cujo equilíbrio do malte, lúpulo e elementos florais dão uma leveza e drinkability ímpares.

3) MELHOR ALE IMPORTADA

Brugse Zot Dubbel. Simplesmente a melhor dubbel que eu já bebi. Conheci essa cerveja em uma degustação às cegas no Rima dos Sabores, onde ela foi de longe a melhor avaliada.

4) MELHOR LAGER IMPORTADA

Samuel Adams Boston Lager, uma cerveja facílima de beber e de ser apreciada por pessoas que estão conhecendo o universo cervejeiro. Pena que, além dela, só veio da Samuel Adams uma Light, entre tantas opções dessa excelente cervejaria.

5) MELHOR CHOPE

O chope que mais me surpreendeu em 2012 foi o Bamberg Maibaum, que bebi no Biermarkt, em Porto Alegre, logo após o seu lançamento. Não é comumente encontrada como chope, mas a qualidade da cerveja foi tão surpreendente que não tenho como não fazer esse destaque.

6) MELHOR BAR CERVEJEIRO

Reduto da Cerveja, em Belo Horizonte. Uma casa com grande variedade de cervejas, chopes, bons tira gostos e preços de distribuidora.  Essa casa tem tudo para ser uma das maiores referências do segmento do Brasil.

7) MELHOR CERVEJA CASEIRA

A doppelbock do Cristiam Rocha, de Juiz de Fora. Não tive a oportunidade de experimentar a doppelbock do Eduardo Nunes que venceu o último concurso nacional, mas certamente, por deixar a cerveja do Cristiam em segundo lugar, e ainda levar o Best of Show, levaria o meu voto.

8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA

Firestone Parabola, uma russian imperial stout maturada em barris de bourbon que tive oportunidade de experimentar graças ao cervejeiro Dan Teff, que a trouxe para terras alterosas.

9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO

Grimor nº3. Em 2011, o rótulo dela recebeu, da Associação Brasileira da Indústria Gráfica / Regional de Minas Gerais, o troféu Cícero de Design Gráfico, prêmio que em 2012 foi para o rótulo da Grimor nº21. Mesmo tendo recebido um prêmio em 2011, esses rótulos estão sendo lançados para o mercado agora, com o crescimento da Grimor, que deixou de ser uma cervejaria caseira.

10) NOVIDADE DO ANO

A criação da Inconfidentes / Cervejarias Conjuradas, pela união das caseiras Jambreiro, Vinil e Grimor, mostrando o caminho das pedras, tanto para a profissionalização de cervejeiros caseiros, quanto como um exemplo da tão defendida no meio cervejeiro – e até então tão pouco praticada, talvez pela falta de exemplos.

11) MELHOR FATO CERVEJEIRO

Sem dúvida os melhores fatos estão ligados às discussões para revisão do arcabouço legal ligado à produção de cerveja. O maior exemplo disso foi a abertura, iniciada em 2012 pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), para discussão de duas normas que deverão apresentar seus primeiros resultados em 2013.  Como ainda não temos ainda um horizonte para colher os frutos dessas discussões, voto como o melhor fato a Lei Pró-Artesão aprovada no município de Nova Lima (região metropolitana de Belo Horizonte), por esforço de associados da Acerva Mineira. Ela permitiu a alteração do entendimento de que a produção de cerveja, independente do porte, é uma atividade industrial, até então somente permitida para acontecer em bairros cujo parcelamento urbano classifica como industrial. Com a nova lei, a produção artesanal de cerveja passa a ser reconhecida como uma atividade ligada ao turismo, em razão do seu perfil, permitindo que nano e microcervejarias, assim como brewpubs, possam nascer em pequenas produções em bairros – inclusive residenciais – , desde que atendendo a todas as demais legislações vigentes, inclusive aquelas que MAPA fiscaliza.

12) PIOR FATO CERVEJEIRO

A setorização do meio cervejeiro. Toda a cadeia ligada ao setor cervejeiro, desde a produção, consumo, produção caseira, comércio (de insumos ou da bebida), casas especializadas, serviços como cursos, sommeliers, além de associações, sindicatos, mídia etc, todos têm interesse no crescimento e amadurecimento do setor cervejeiro. Entretanto, ao invés de união, muitas vezes surgem iniciativas de separação, enfraquecendo o movimento e criando sentimento de segregação para os demais envolvidos.

Tags:

Ficou com água na boca?