Paladar

Melhores de 2012, parte 98: Leonardo Sewald

09 fevereiro 2013 | 09:00 por Roberto Fonseca

Foto: Arquivo pessoal

Leonardo Sewald, cervejeiro da Seasons, de Porto Alegre (RS):

1) MELHOR ALE NACIONAL

Modéstia a parte, a Bigfoot da Seasons ficou animal. Para uma cerveja que maturou em madeira por tanto tempo, onde o time de produção foi fazer a primeira degustação só depois de passados os primeiros 6 meses, com toda aquela complexidade de bourbon, conhaque, baunilha, notas de café… nós ficamos satisfeitos demais com o resultado. Pessoalmente, a Bigfoot foi a concretização de um sonho, um projeto cuja semente foi plantada na minha cabeça lá em 2009, no Barrel Aged Beer Festival em Chicago. Pensei comigo: preciso fazer uma dessas no Brasil!

Já que escolhi uma cerveja da Seasons, vou votar também em uma outra: Bodebrown Perigosa Imperial IPA. O momento “Slap my face and call me momma”, quando o grande Pete Slosberg avaliou a cerveja dos amigos curitibanos na South Beer Cup de 2012, foi mágico. Além de ter morrido de rir com o comentário espontâneo vindo de uma das figuras mais emblemáticas do meio cervejeiro internacional, vejo isso como um símbolo da transformação cervejeira que está ocorrendo no Brasil, onde estamos surpreendendo até as principais autoridades mundiais no assunto com produtos ousados e que, literalmente, dão a cara pra bater (ou batem na cara, nesse caso, eheheh).

2) MELHOR LAGER NACIONAL

Dunkles Nektar da Cervejaria Abadessa. Que bom que o (Herbert) Schumacher, proprietário da cervejaria, decidiu colocar esta cerveja na linha de produção contínua. E o mais importante: beber ela aqui em Porto Alegre, pertinho da fábrica, não tem preço. Honestamente, eu fiquei na dúvida entre ela e a sazonal Emigrator Doppelbock, também da Abadessa. O equilíbrio conseguido nessas duas produções foi muito bom.

3) MELHOR ALE IMPORTADA

Anchor Brekles Brown. Surpreso por não votar em uma cerveja lupulada? Pois é, eu confesso que eu também, pois viciado em lúpulo do jeito que sou, a tendência seria eu escolher alguma IPA ou APA. Mas a maioria das cervejas importadas de estilos lupulados que eu provei precisariam de mais frescor para figurar aqui. Na minha balança, o que mais pesou foi, ironicamente, o balanço, e a Brekles Brown é incrivelmente balanceada. O blend de maltes caramelados e levemente tostados nessa cerveja é sem igual.

4) MELHOR LAGER IMPORTADA

Pilsner Urquell, uma das melhores cervejas que tive a oportunidade de provar na Europa, e que vem para o Brasil em excelentes condições.

5) MELHOR CHOPE

Colorado Vixnu. Sério, os meus queridos amigos da Cervejaria Colorado se puxaram nessa. Que aroma, que cerveja! Lembro que, no encontro das Acervas em Piracicaba, no momento em que anunciaram que a Vixnu estava ligada nas torneiras, pedi licença pros americanos com quem estava conversando e fui literalmente correndo pra ficar entre os primeiros da fila. Sou muito fã!

6) MELHOR BAR CERVEJEIRO

Hidden Brewpub, o primeiro brewpub brasileiro que tem uma piscina na sala de brassagem.

7) MELHOR CERVEJA CASEIRA

North Oakland Double IPA by Luis Balbinot. O frescor do lúpulo utilizado e o duplo dry hopping me impressionaram. Quer dizer, não me impressionaram não, pois o Balbinot já tinha feito outras cervejas excelentes, então não esperava outra coisa vindo de quem veio. 🙂

8) MELHOR CERVEJA DO ANO, AQUI OU LÁ FORA

Corram (como se suas vidas dependessem disso…) atrás de uma Firestone Walker Velvet Merkin (nota: não estou me referindo à Velvet Merlin, a já excelente oatmeal stout deles, mas sim à versão da mesma envelhecida em barris de bourbon) e sintam as lágrimas saindo de vossos olhos. 🙂

9) RÓTULO MAIS BONITO DO ANO

Maria Degolada, da Cerveja Anner. Belo rótulo, bela história, bela cerveja.

10) NOVIDADE DO ANO

A chegada dos fermentos da White Labs ao Brasil. Se fazer cerveja sem eles já dava um mar de possibilidades, agora o mar virou oceano.

11) MELHOR FATO CERVEJEIRO

A lista de empresários do setor cervejeiro que não cessa de crescer, com pessoas que vêm realizando seus sonhos ao trabalhar para o crescimento do mercado de cervejas no País. Tenho muito orgulho de fazer parte deste grupo.

12) PIOR FATO CERVEJEIRO

Ironicamente, o pior fato cervejeiro deriva do melhor. Com o crescimento acelerado do mercado, vem a “bolha assassina” (vocês já viram esse filme? Épico, por sinal…), causada por empresas e pessoas que surgem apenas para aproveitar o momentum de mercado, pensando que vão conseguir com isso ganhar muito dinheiro fazendo um produto “meia-boca”. Isso vai desde cervejarias que surgem do nada, criadas por pessoas que não têm nenhum conhecimento e muito menos interesse e paixão pelo produto com o qual estão trabalhando, até indivíduos que promovem cursos do tipo “torne-se um mestre-cervejeiro em 1 dia” ensinando iniciantes a fazerem receitas de cerveja com fermento de pão comprado no supermercado e sem sanitizar nada durante o processo. Antes que alguém me critique dizendo que “dá pra usar fermento de pão”, note que não estou dizendo que não é possível, mas sim que esta não é a forma adequada de atrair um iniciante para a arte. Nessas horas é bom se lembrar do mantra “I am a craft brewer”: qualidade a cima de tudo é FUNDAMENTAL, pois um produto ou serviço ruim atinge não apenas a empresa que deu origem ao mesmo, mas sim todo o mercado.

Tags: