Paladar

Morre Rupprecht Loeffler, decano da cerveja no Brasil

27 de fevereiro de 2011 | 20h02 por Roberto Fonseca

Num domingo de perdas diversas, como a do escritor Moacyr Scliar, o mundo da cerveja também tem seu quinhão de tristeza. Faleceu por volta de 12h30 em Canoinhas, norte catarinense, o cervejeiro Rupprecht Loeffler, de 93 anos. Ele era dono da Canoinhense e mestre-cervejeiro mais antigo do Brasil.

A Canoinhense começou a funcionar nos anos 20 em Canoinhas, onde se situava uma cervejaria fundada em 1908, que foi comprada pelo pai do sr. Loeffler. Ele, anos depois, se tornou o responsável pelo negócio. Ficaram famosas quatro crias da fábrica: a Nó de Pinho, a Mocinha, a Jahú e a Malzbbier.

Estive lá na cervejaria e conheci o sr. Loeffler em 2006. Sinto-me honrado pela oportunidade. Anos depois, ao fazer uma matéria sobre a cervejaria, conversei com a prefeitura local e me contaram da dificuldade em preservar a Canoinhense, pois o sr. Loeffler não queria que nada fosse alterado. Espero que, com sua transferência para o Bar Eterno (expressão cunhada pelo cervejeiro Michael Jackson, que já deve estar lhe fazendo companhia lá), o espaço seja conservado como monumento histórico da cidade.

Já havia escrito sobre o sr. Loeffler em duas ocasiões no blog: quando foi lançado um documentário sobre sua vida e quando ele completou 92 anos. Daqui de São Paulo, vou tomar em alguns instantes a Nó de Pinho que tinha guardada desde o ano passado, quando a apresentei durante uma das palestras no Paladar do Brasil, sobre cervejas nacionais maturadas em barris de madeira. Ein Prosit, Herr Loeffler!

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