Paladar

Os bruts também agradam

04 janeiro 2011 | 16:59 por Roberto Fonseca

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Malheur Biére Brut (Bélgica, 750ml)

Preço sugerido: de R$ 125 a R$ 160

Tipo: Ale / Biére de brut

Teor alc.: 11%
Aroma: Frutado, cítrico destacado, peras, malte, adocicado bastante presente, lúpulo, condimentado e fermento
Sabor: Cítrico, lúpulo presente, nota amadeirada, malte, adocicado, fermento, final seco com álcool bem destacado. Corpo médio a alto, carbonatação idem
Cor: Dourado claro, translucidez média a baixa
Espuma: Branca, de média a alta formação e duração, consistente
Nota 4,2 em 5Bela cerveja, agradável, pelo processo de produção guarda semelhanças com o champanhe, apesar de mais complexa no aroma e sabor e ligeiramente mais encorpada. Apesar do álcool perceptível é fácil de beber – não é tão adocicada quanto algumas versões da Lust

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A cerveja aí de cima guarda muitas semelhanças com o champanhe, em boa parte devido ao processo de fabricação. Ainda assim, ter optado por ela e não pela tradicional bebida francesa para marcar a chegada do Ano Novo tem uma grande dose de simbolismo – e charme. Um olhar mais atento (e traduzido), porém, poderia assustar o degustador incauto e supersticioso de 31/12: Malheur, do francês para o português, pode ser entendido como infortúnio. Já tendo provado Maudite, Duvel e Belzebuth, porém, passei ao largo da crendice.

Há três biéres de brut mais conhecidas em todo o mundo. Duas estão na Bélgica, e, coincidência ou não, dividem a mesma cidade: Buggenhout. A cervejaria De Landtsheer produz a Malheur e a Boostels, a – mais famosa – Deus. A terceira representante dessa categoria é a brasileira Eisenbahn Lust (e sua versão com mais tempo de guarda, a Lust Prestige). O que as três guardam em comum é que parte do processo de produção adota técnicas já aplicadas ao champanhe – leia-se acondicionamento em garrafas específicas da bebida, o remuage, ou processo em que o vasilhame já contendo a cerveja é inclinado com a boca para baixo e girado periodicamente, e o dégorgement, ou retirada do fermento que se deposita no pescoço da garrafa.

Segundo o finado crítico de cervejas britânico Michael Jackson escreveu no bom livro Great Beers of Belgium, a Deus envia sua cerveja para Reims, na França, a “capital do champanhe”, para que ela passe pelos processos citados acima. Já a Malheur, ainda de acordo com Jackson, passaria por esse processo com a ajuda de um equipamento mecanizado que desempenha a rotação das garrafas (nota do blog: até 2003, a Malheur importava as máquinas e realizava o remuage em sua própria fábrica. A partir de então, com o aumento da demanda, o processo foi transferido para uma vinícola na região francesa de Champanhe, com objetivo de encurtar o prazo de produção. No início, eram 2 mil garrafas por mês. Atualmente, são 12 mil em três semanas). A Lust passa por sua transformação em uma vinícola na cidade catarinense de Rodeio.

A base da Malheur Biére Brut é outra cerveja da marca, a Malheur 10, que, em sua produção normal, tem fermentação primária de dez dias, secundária de igual período, maturação de até quatro semanas, remoção do fermento e adição de novas leveduras e candi sugar para a refermentação na garrafa. A diferença é que, para a produção da Brut, a diferença é a utilização, na refermentação, da levedura de champanhe e o processo de remuage. A marca ainda tem uma versão escura de sua Brut.

Saber qual das três é a melhor é tão desafiador quanto caro, já que Malheur e Deus chegam à casa dos R$ 160 e a Lust pode ser encontrada em torno de R$ 60. Quem sabe não é uma boa resolução de Ano Novo – em especial para o réveillon de 2011?

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