Paladar

Paladar do Brasil, as degustadas: Backer Medieval, a “cabeça quente”

13 junho 2009 | 21:22 por Roberto Fonseca

Ficha Backer Medieval

Não dá para falar em cervejas brasileiras de influência belga sem mencionar o nome de Paulo Schiavetto. Mestre-cervejeiro formado em Louvain-la-Neuve, na Bélgica, em 1995, ele, que já passou por grandes empresas do setor, está ligado, direta ou indiretamente, a pelo menos três marcas que seguem a influência do pequeno país europeu na hora de produzir cervejas. A primeira foi cria própria dele: a Falke Monasterium, uma tripel feita em Ribeirão das Neves e lançada em 2007. A segunda, indireta, foi a Dama do Lago, que, apesar de produzida pelo homebrewer Leonardo Botto, nasceu de um protótipo feito em 2007 e levado à Brasil Brau que ganhou o nome de… Paulo Schiavetto Belgian Dark Strong Ale.

A terceira cerveja ligada a ele é a da foto ali em cima. Recém-lançada no mercado – depois de uma premiere no BH Beer Fest em 2008 -, a Backer Medieval, uma blond ale de estilo belga, foi desenvolvida por Schiavetto. De cara, digo que é a melhor cerveja da linha Backer, que ainda conta com uma pilsen, uma weissbier, uma pale ale e uma cerveja escura com essência de chocolate.

Ficou com água na boca?

Trata-se de uma boa cerveja, como se vê pela avaliação. Queria que a Saint Nicholas, blond ale de natal da microcervejaria Bamberg feita em parceria com a Biertruppe, ainda estivesse na validade para fazer um “duelo” do estilo. Na degustação do Paladar, vacilei por um momento ao ser perguntado com qual cerveja ainda disponível no mercado a Medieval poderia ser comparada. O nobre colega Edu Passarelli salvou: talvez a mais próxima seja mesmo a Leffe Blonde. Além da bebida em si, a Backer projetou outros diferenciais para o produto.

O principal deles, certamente, é o lacre de cera aplicado sobre a tampinha, que pode ser aberto com fogo. Não, a cerveja não ferve nem explode. Mas, indiretamente, o tal lacre acaba tendo uma função educativa, já que, mais pelo tempo que se gasta com a cerveja fora da geladeira – nas mãos – do que pela chama em si, aumentam bastante as chances de a Medieval chegar ao copo do degustador em uma temperatura mais adequada – leia-se menos gelada; para o meu gosto, chutaria até uns 10ºC. A queima do lacre revela estampas medievais nas tampinhas, cinco ao todo, que fazem parte do “clima” da cerveja, segundo a microcervejaria. A garrafa, que lembra a de Brahminha e é jateada de preto, tem por objetivo remeter aos vasilhames de cerveja belga, como a Duvel e a Chimay, por exemplo.

Usando fogo para abrir a Medieval. Sacou o porquê do cabeça quente?

Malabarismos pirotécnicos à parte, é uma boa cerveja, que vale a degustação. Como ponto negativo, apenas o fato de conter antioxidante, o que quebra um pouco a “mística” da cerveja, mas não a diminui.